Projeto busca melhor destino para resíduos descartáveis em Manaus

O brasileiro não para de produzir cada vez mais lixo. Se continuar nesse ritmo, nos próximos anos será ‘engolido’ pelos resíduos que descarta.

Análise do ‘Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2018/2019’, divulgada em novembro do ano passado pela Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), mostrou que, em 2018, o país produziu 78 milhões de toneladas de lixo, um pouco menos de 1% em relação ao ano anterior, mas estes números podem voltar a crescer se as prefeituras não tomarem providências quanto à melhor destinação do lixo que produzimos.

Sem esperar pelo poder público, um projeto da FAS (Fundação Amazonas Sustentável), em parceria com a Innova, primeira petroquímica da Região Norte que opera de forma sustentável, visa catadores e catadoras de Manaus como agentes que podem ser os grandes aliados na retirada dos resíduos descartáveis, do meio ambiente. Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Urbana), Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidades) e Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas) também são parceiros do projeto.

“Um dos nossos principais objetivos é exatamente estabelecer a cadeia de reciclagem dos plásticos na cidade de Manaus. Reciclar no sentido de que parte dos plásticos produzidos pela indústria (copinhos descartáveis, potes de iogurte, embalagens diversas) seja coletada nos cinco bairros da periferia onde o projeto atuará (Coroado, Jorge Teixeira, Montes das Oliveiras, Parque das Tribos e Redenção), e passe pelo processo de lavagem e trituração, ‘fechando seu ciclo’, sendo comprado novamente pela indústria para voltar a ser plástico”, explicou Paula Gabriel, coordenadora do Programa Cidades Sustentáveis, da FAS.

Plásticos, depois papeis  

Serão instalados cinco PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), um em cada bairro e os catadores/catadoras passarão a ser denominados de agentes de transformação socioambiental. À medida que o projeto avançar, estes agentes poderão, também, coletar outros tipos de resíduos (papéis e vidros, principalmente) para serem reciclados ou reaproveitados.

Desde 2017 a FAS implantou, na Redenção, o Projeto Reusa (Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável da Amazônia), situado no rip-rap do igarapé do Gigante, naquele bairro. No local, todo plástico coletado passa pelo processo de reciclagem: coleta, triagem da matéria-prima, moagem do poliestireno e segue para a venda. O bairro será a base deste novo projeto da FAS.

“Acreditamos que o papel dos catadores/catadoras vai muito além do simples ‘catar’ resíduos, pois serão difusores da relação de consumo e descarte correto entre os vizinhos e demais moradores desses bairros. Com certeza a quantidade de resíduos que diariamente é descartada de forma incorreta, será bem menor nos territórios onde vamos atuar”, garantiu.

Atualmente, segundo Paula, existem uns 400 catadores/catadoras em Manaus. A maioria mulheres.

O foco inicial do projeto serão os plásticos, que logo deverá passar para os papéis. Quanto aos vidros, estes ainda não são reciclados em Manaus. A FAS busca empresas parceiras que se interessem em patrocinar um projeto que torne possível estabelecer a cadeia de reciclagem do vidro na capital amazonense.

Outro grande inimigo do planeta é o lixo eletrônico. O Brasil produz cerca de 1,5 mil tonelada/ano de lixo eletrônico. Em Manaus, a empresa Descarte Correto processa cerca de 200 toneladas/ano e possui 16 pontos de coleta espalhados pela cidade. Uma parte desse lixo pode ser reaproveitado, mas o que não tem mais jeito, é transformado em matéria-prima (plásticos e metais) e vendido para indústrias.

Invisíveis para a sociedade

O novo projeto da FAS tem previsão de início em novembro deste ano. Os resíduos plásticos serão comprados pela Innova, e o que sobrar será transformado em plástico moído/triturado para virar porta copos, chaveiros, prancha de skate e outros materiais com valor agregado.

Neste ano, foi lançado em Manaus, de forma pioneira no Brasil, o primeiro poliestireno (PS), ECO-PS®, com até 30% de material pós-consumo (reciclado). Os projetos da FAS, de reciclagem de resíduos, é que contribuirão com esses 30%. Mas muito mais do que reciclar resíduos, o projeto visa dar maior visibilidade aos agentes de transformação socioambiental.

“Esse grupo social sofre com o desprezo da sociedade, apesar dessa atividade ser reconhecida como categoria profissional na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações). Os catadores/coletoras são marginalizados e invisíveis para a sociedade. Muitas pessoas têm medo, não chegam perto achando que são ‘ladrões’ e, com isso, se cria um estereótipo equivocado. Acreditamos que esse projeto, além de fechar a cadeia com o poliestireno, vai gerar renda para esses trabalhadores e também mostrar o protagonismo que eles devem ter quando se fala em reciclagem”, finalizou.

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