Serra do Tepequém: Amazônia vista de cima

A Amazônia possui mais de 5 milhões de quilômetros quadrados. É quase metade da Europa, que se desdobra em 10 milhões de quilômetros quadrados. É a maior floresta do mundo, com uma das maiores bacias hidrográficas e biodiversidade do mundo e está aqui, ao nosso alcance. Parece muito irreal pensar em fazer turismo nesse universo, mas a verdade é que, sim. Podemos!! Há centenas de destinos turísticos na Amazônia, a começar pela nossa parte brasileira e o melhor: qualquer um pode ir. O Jornal do Commercio foi a um destes destinos, a Serra do Tepequém, em Roraima (RR) e vamos te ajudar a conhecer melhor essa região mágica. Junte seus amigos e ‘partiu, Amazônia’.

A viagem até Tepequém pode ser feita a partir de Manaus. Há vôos para Boa Vista (RR) e linhas de ônibus diárias. Recomendo começar essa viagem pegando um leito no ônibus e viajando a noite para chegar a Boa Vista pela manhã. Se você está em grupo de 5, por exemplo, pode alugar um carro e partir rumo à Serra do Tepequém. 

O Tepequém está situado entre os limites da Venezuela e Roraima, em uma região onde a vegetação varia entre campos e floresta virgens. Esse local, que foi conhecido anos atrás pela exploração de ouro, diamante e outras pedras preciosas, hoje vive de sua maior riqueza: a natureza, tendo seu ápice em seu ponto mais alto, situado a 1200 m de altitude. 

O Tepequém está localizado a aproximadamente 200 km da capital Boa Vista-RR. Geograficamente encontra-se entre o rio Amajarí, ao norte, e a ilha de Maracá, a sul.  De carro, a partir de Boa Vista, são pouco mais de 3 horas de viagem em um trajeto de 207 quilômetros pela RR 203, saindo da BR 174.

Para esta viagem, é sempre recomendado contratar os serviços de um guia. Afinal, você está entrando na floresta amazônica. O respeito à floresta nos leva a temê-la. Você pode ir até o topo, mas sempre se curvando à imponência dele, não é? Dito isto, vamos à aventura. 

Como separamos apenas três dias para a viagem, o planejamento foi feito ainda em Manaus. Aluguel de carro, guia e pousada (nunca deixe para reservar lá) já estavam acertados ao chegar ao local. Dos diversos picos e ‘passeios’ (se é que essas aventuras podem ser chamadas assim), escolhemos para o primeiro dia a famosa Cachoeira do Paiva e a subida até a Mão de Deus, de onde se pode ver um horizonte típico da Amazônia: floresta até onde a vista alcança. Nesta aventura, há trilhas na selva de 2 km; travessia de corredeiras; escalada em nível iniciante e muita paisagem. 

Para o segundo dia, o destino mais difícil: o Platô do Tepequém. Uma subida que começou às 3h30 da manhã, sob a luz de lanternas. Uma trilha complicada, com 7 km de extensão. Aqui, a dificuldade não é a caminhada. A trilha é composta por escalada em rochas; travessias de cachoeiras; trilhas na floresta e muita subida. Afinal, o Platô está a mais de 1.200 metros do chão. 

São 7 km de caminhada, escalada e travessia para chegar ao Platô

A dificuldade do caminho acaba, no entanto, quando você ganha a companhia de Thais Adrielly na subida. A garota de 20 anos que, com uma das pernas amputada, fazia a sua própria jornada ao pico, ensinou aos muitos aventureiros que estavam no local naquele dia o significado da superação.

Nosso grupo fez a escalada em pouco mais de 3 horas, com muitas paradas para hidratar e descansar. Tudo sob a supervisão de um guia cadastrado na Associação de Guias local. Thais subiu em pouco mais de 4 horas. Com calos dolorosos nas mãos, chegou ao pico sob aplausos e lágrimas.

Thais Adrielly subiu até o Platô do Tepequém, a mais de 1.000 metros acima do solo, em 4 horas

Segundo ela, foi apenas um ensaio. Seu sonho mesmo é escalar o Monte Roraima. A besta de pedra localizada na tríplice fronteira. “Quero inspirar as pessoas a superar seus obstáculos. Quero subir o Monte e testar minha própria capacidade. Não quero ter limites”, disse a aventureira que é ciclista e, recentemente, foi abraçada pelo grupo Fui Trilhar, jogando-se de cabeça nas trilhas amazônicas, como Serra Grande (no município de Cantá, em Roraima) e Gran Sabana, localizada no sul da Venezuela, no Planalto das Guianas. 

Thais diz que seu grupo de trilheiros a incentiva a tentar as escaladas. “Não são capacitistas; não olham para a deficiência. Eles me dizem: se você consegue, vai. Se não consegue, fica”. Simples assim. Se você consegue se imaginar percorrendo a Amazônia, pegue sua mochila e siga o exemplo da Thais (instagram @thaisshakemilk/ youtube: thaisshakemilk). 

A Serra do Tepequém

O Tepequém deve seu nome a uma origem incerta. Dizem que o seu nome é originado das palavras indígenas “Tupã queem” que quer dizer “Deus do fogo” por assim se localizar sobre um vulcão extinto há alguns milhares de anos. Esse vulcão místico e zangado, que queimava as roças das malocas próximas, só foi aplacado com a oferenda de três belas índias virgens, cujas lágrimas se tornaram diamantes. Outras fontes apontam para a figura de Robert Hermmam Schomburgk (1804-1865) que, patrocinado pela Royal Geographical Society em 1830, visava estabelecer os limites do território da colônia inglesa na América do Sul. Schomburgk usou a palavra “top” para descrever as serras e, para a maior delas ele denominou “serra-rei”, isto é, “Top-king”, que passou a ser, na boca dos caboclos da terra, “Tepe-quém”. 

A Serra do Tepequém é considerada o destino mais procurado pelos turistas locais e de outros lugares do Brasil, segundo o Departamento de Turismo do Estado (Detur). Em 2019, o estado teve um lucro recorde com o turismo. Foram faturados R$ 333 milhões com atividade. Isto representa um aumento de 6,3% em relação a 2018, que atingiu a marca dos R$ 314 milhões.

DICAS (para grupo de 5 pessoas)

– Local para ficar: Pousada Pazini Falls – R$ 700 (quarto para 5/ duas noites) R4 140 por pessoa.

– Aluguel de carro: GOL (R$ 250, 2 diárias/ R$ 50,6 por pessoa)

– ônibus (ida): R$ 250 (leito)/ *tem a opção de R$ 200, semileito

– Passagem de avião AZUL (volta): R$ 250, por pessoa

– Guia em Tepequém: R$ 420 (R$ 84, por pessoa)

– Gasto com gasolina: R$ 180 (em 2 dias) um tanque apenas para ir e voltar

– Média de gasto por pessoa: R$ 700

– Leve lanternas, caso vá ver o sol nascer no Platô

– Use repelente toda hora

– Passe protetor solar e use blusa UV

– Use sapatos de escalada, botas ou tênis resistentes

– Leve bastante água nas trilhas

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