Produção de LCD avança, apesar da crise

O choque externo sentido pelo setor fabril brasileiro, ocasionado pela crise financeira internacional, não reduziu o ritmo de produção dos televisores com tela de LCD (Display de Cristal Líquido) no PIM (Polo Industrial de Manaus). Muito pelo contrário, nos primeiros seis meses de 2009 as fabricantes produziram 1,28 milhão desses aparelhos, o que representa alta de 36,9% em relação a igual período de 2008, que fechou com um acumulado de 935 mil unidades.
Os dados constam nos Indicadores de Desempenho do PIM divulgados recentemente pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que aponta vendas no período analisado superiores a 1,42 milhão desses aparelhos e um faturamento da ordem de US$ 955 milhões. Vale ressaltar que o crescimento se manteve mensalmente – com exceção de abril, que sofreu uma pequena queda-, voltando a se recuperar em maio e junho.

Processo inverso

Diferente da LCD, a boa performance de vendas dos televisores com tela de plasma parece que está com os dias contados. Os indicadores apontam que a indústria do PIM fabricou no primeiro semestre 131,9 mil aparelhos contra 131,5 mil em igual período de 2008, um acréscimo de 0,27%. O embate entre os dois produtos se deu a partir de 2004, quando a produção de TV de LCD atingiu 188 mil unidades, contra 187,7 mil de plasma. Em 2007 a produção de LCD saltou para 803 mil unidades ante as 191 mil de plasma. No ano passado a LCD obteve um acumulado de 2,67 milhão, enquanto a concorrente fechou com 342 mil unidades.
Por sua vez, os televisores convencionais vêm perdendo terreno para as duas tecnologias há um bom tempo. No primeiro semestre de 2009, a queda de produção desse produto chegou a 41,9% se comparado o acumulado deste semestre (2,26 milhões) com o do ano passado (3,88 milhões). Em 2008, foram fabricados quase 7,97 milhões de aparelhos. Em 2006, o PIM produziu mais de 12 milhões de televisores em cores, porém em 2007 esse número já havia caído para 10,4 milhões.

Migração tecnológica

Ao avaliar esse resultado, o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, disse que está havendo uma migração tecnológica dos TVS de cinescópio para os de plasma e LCD. “Existe um apelo tecnológico muito grande e a migração para as novas tecnologias esta se dando de forma bastante acelerada”, avaliou o dirigente, ressaltando que a tecnologia LED, que já esta sendo comercializada, deve movimentar também esse mercado.
Por outro lado, Périco apontou que, como a participação dos modelos LCD e plasma não era muito expressiva, o crescimento em percentual chama a atenção. “Mas a verdade é que o segmento de TVs sofreu, assim como os demais segmentos da indústria, por conta do momento econômico que vivemos neste ano, decorrente da crise global”, garantiu.
Segundo Périco, é bastante positiva a expectativa dos fabricantes do seto, tanto para o segundo semestre de 2009, como em 2010, por conta da Copa do Mundo na África do Sul. “Vamos torcer para nossa seleção chegar a final para que o consumidor se motive a comprar um aparelho novo”, ressaltou.

Substituição tecnológica puxa vendas para cima

Uma das fabricantes de TVS no polo de Manaus é a Panasonic do Brasil. Para o diretor da empresa, Iuquio Ashibe, o segmento está sendo puxado pelas vendas de LCD e de plasma por conta da era digital, cuja linha de produtos é a que mais tem crescido.
Ashibe informou que uma pesquisa realizada recentemente apontou que o consumidor da classe média (classe C), que ganha na faixa de R$ 900 e R$ 1 mil) é o maior comprador desses produtos. “Os parcelamentos elásticos são os facilitadores para que as pessoas tenham a cesso era digital”, comentou.

Mercado melhor

Para o segundo semestre, o dirigente avalia que já existe uma sinalização de melhoria do mercado, cujos pedidos estão surgindo gradativamente. O executivo, ressalta, por outro lado, que outros produtos do segmento eletroeletrônico alguns caíram em relação ao ano passado, a exemplo de aparelhos de som, DVD, karaokê e som para carro.

Vida útil

O economista Rodemarck Castelo Branco e o presidente do Simplast (Sindicato das Indústrias Plásticas do Estado do Amazonas), Carlos Monteiro, apontam que a tecnologia está incrementando as vendas de TVs de alta definição, principalmente no caso das LCD, em detrimento das TVs convencionais.
Segundo Rodemarck, a subida rápida das vendas de televisores de LCD está relacionada à queda das TVs de tubos catódicos que estão prestes a sair do mercado. “Está acabando o ciclo de vida das TVs convencionais e de outros produtos eletroeletrônicos que estão sendo substituídos por novas tecnologias”, assinalou.
Para Carlos Monteiro, o mercado corre atrás das novas tecnologias, daí a vida útil dos produtos eletroeletrônicos, a exemplo dos televisores, estarem reduzindo cada vez mais.
Confirmadas as previsões do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), conforme estudo divulgado recentemente, de que o Norte está entre as regiões que vão demorar a sair da crise, a indústria do PIM, que já está se refazendo do choque da crise, vai se equilibrar a partir de 2010.
O Ipea aponta que pode demorar até 16 meses para que o choque externo se dissipe por completo. O estudo diz que esse prazo de recuperação começará a ser contado a partir do momento que seja restabelecida a demanda externa pela produção industrial brasileira, além da completa recuperação do crédito, entre outros fatores assinalados.

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