Sem negociação, padeiros ameaçam parar

O Sintrapan (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Panificação, Confeitaria, Massas Alimentícias e Biscoitos de Manaus) está com as negociações paradas com o Sindpan (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Amazonas). O motivo, segundo o presidente do Sintrapan, Benedito de Oliveira, estaria ligado a “indisposições” da entidade patronal para discutir a pauta dos trabalhadores.
Oliveira afirmou que, se até o final de agosto a pauta não for atendida ou renegociada, o setor poderá paralisar por tempo indeterminado.

Sem avanço

A indústria da panificação de Manaus possui 750 empresas formalmente estabelecidas e emprega em torno de 8.500 pessoas. Os empreendimentos filiados ao Sindpan somam apenas 85 firmas. As informações são do presidente do Sindpan, Carlos Azevedo, que preferiu não apresentar o posicionamento da indústrias sobre a possível greve ou o reajuste salarial dos empregados, principal reivindicação do sindicato dos trabalhadores.
“Prefiro esperar até o final do mês para ver como algumas situações iram se desenrolar para dizer o que o Sindpan fará em relação aos pedidos dos trabalhadores”, declarou Azevedo. Questionado sobre que “situações iram se desenrolar”, o presidente do Sindpan preferiu não dar explicações alegando ser do interesse do sindicato manter sigilo. O dirigente acrescentou que até o fim do mês procuraria o Sintrapan para resolver questões pertinentes ao setor.
Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, a data-base para o reajuste salarial é o primeiro dia de julho. Desde o início de junho, os dois sindicatos tentam estabelecer um acordo. A última reunião foi realizada na semana passada e não registrou nenhum avanço.

Benefícios travam negociações

Os trabalhadores exigem 7% de reajuste salarial, participação nos lucros, utilização do livro de ponto ou equipamento que marque a frequência, material para primeiros-socorros, pagamento de horas-extras ou implantação de banco de horas e uma folga a cada dois domingos trabalhados. As empresas, por outro lado, oferecem 6% de aumento salarial e recusam discutir os outros pontos.
“A maioria da nossa pauta é sobre direitos que deveriam ser respeitados de acordo com a legislação vigente, mas grande parte das empresas não cumpre. Nós só queremos condições mais dignas de trabalho”, lamentou Oliveira. O sindicalista acrescentou que o Sindpan não quis atender as outras reivindicações nem quando a entidade se dispôs a reduzir o índice de reajuste pleiteado, que rea de 18%.
Dados do Sintrapan mostram que a média de remuneração dos trabalhadores é de um salário mínimo (R$ 465). “O setor está aquecido. Não fomos tão abatidos com a crise e não houve demissões. Ainda assim, nós, trabalhadores, não ganhamos quase nada”, desabafou.
O sindicato das indústrias de panificação pretende reunir as empresas até a próxima sexta-feira. Já a assembléia geral do sindicato dos trabalhadores será realizada na próxima semana, no dia 30 de agosto. Apesar de destacar que nunca houve greve por iniciativa dos empregados de padarias, o Sintrapan confirmou que fará o que for preciso para estabelecer um acordo favorável para ambas as partes, incluindo uma paralisação.
Quando as negociações não se desenvolvem em benefício das partes envolvidas, uma das entidades pode requerer a mediação da SRT (Superintendência Regional do Trabalho). O chefe da seção de mediação de relações de trabalho da SRT do Amazonas, Francisco Chagas Rodrigues, explicou que geralmente o sindicato trabalhista faz o pedido na superintendência. “Se as condições legais de negociação, como assembléias gerais e acordo, se esgotarem sem resolução dos desentendimentos, a SRT, através da seção de mediação, convida os envolvidos para resolver o impasse. Quase sempre a solicitação é dos trabalhadores”, destacou.
Nenhum dos sindicatos cogitou acionar a SRT. A expectativa é chegar a uma conclusão amigável e vantajosa para as duas representações.

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