Produção agrícola sente menos prejuízo na previsão do IBGE

Em sua revisão de abril, o IBGE estimou que a safra agrícola do Amazonas deve produzir 1.787.040 toneladas até o fim deste ano. A expectativa, portanto, é que a produção sofra um tombo de 4,59% em relação ao obtido na safra de 2018/2019 (1.873.122 toneladas). As áreas de plantio e colheita também seguem as mesmas e empatadas com as apresentadas no período anterior.

A taxa negativa segue puxada pela baixa expectativa em relação à mandioca, cuja produção deve ficar em 1.239.598 toneladas neste ano, 6,9% a menos do que o registrado na safra de 2018/2019 (1.331.531 toneladas). Carro-chefe do setor agrícola do Estado, a mandioca chegou a alavancar os números da agricultura amazonense em 58,1% no ano passado, segundo o IBGE. 

Cereais, leguminosas e oleaginosas comparecem novamente com estimativa de produção de 41.420 toneladas para este ano, um montante 0,5% maior do que o registrado na safra anterior (41.207 toneladas). Os números de área plantada (170.856) e colhida (22.930), contudo, seguem iguais aos de 2018/2019. No Amazonas, o grupo inclui arroz, feijão e milho.

O único dado positivo nesse quesito vem da projeção para a primeira – e única – safra de milho (+1,1%) no Estado, que deve render 19.093 toneladas. A previsão de alta do arroz (14.220 toneladas) ainda é de apenas 0,1%, enquanto os cálculos do IBGE para as duas safras de feijão – 4.107 e 4.000 toneladas – ainda apontam para estabilidade.

Frutas, café e cana

Cacau (-4,2%), banana e laranja (ambos com -2,3%) também comparecem no levantamento com números negativos, após amargar queda também no ano anterior. A produção de cacau deve cair para 1.266 toneladas, em intensidade maior do que a apresentada na safra anterior (-1,34%). Banana (109.913 toneladas) e laranja (65.232), por sua vez, tiveram retrações mais suaves em relação ao mesmo período (-10,08% e -6,11%, respectivamente).

O melhor número da safra agrícola do Amazonas deste ano ainda aparece na cana-de-açúcar (+3,5%), conforme as estatísticas do IBGE. A estimativa é que a produção aumente para 283.676 toneladas. As estimativas para os cafés arábica (1.836) e canephora (2.679), por outro lado, ainda apontam para estagnação.

“Abril é praticamente o primeiro mês do ano em que o IBGE altera a previsão de safra para 2020 no Estado. Ainda temos, além de vários meses pela frente, algumas ocorrências sociais, como a pandemia, e naturais, como a cheia e a vazante dos rios do estado. Isso significa que a previsão pode e deve ser alterada mais à frente”, ressalvou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Políticas públicas

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, avalia que a previsão de redução de produção da mandioca “muito provavelmente” tem relação com a pandemia de coronavírus, que está impactando a “plena atividade” dos produtores da cultura. No restante das culturas, pondera o dirigente, a previsão de diminuição é pequena e praticamente mostra uma estabilidade da safra.

“Essa análise e previsão do IBGE mostra que o Amazonas precisa cada vez mais fortalecer e ampliar vigorosamente as políticas públicas de fomento ao setor primário. Principalmente porque nossa produção agrícola ainda não atende à demanda de nosso mercado consumidor, levando nosso Estado a depender muito ainda da compra de alimentos de outras unidades da federação”, defendeu.

Impactos da pandemia

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, destacou que a agropecuária não parou porque é essencial para abastecer as cidades, além de ser primordial para a retomada do crescimento e geração de empregos. Embora considere que o setor foi o menos impactado pela crise do Covid-19, o secretário estadual lembra que a atividade não ficou alheia às dificuldades, graças ao fechamento de feiras regionais, restaurantes e lanchonetes, além da redução do transporte fluvial.

“Ninguém esperava por essa pandemia. Estamos no quinto mês de 2020, mas é muito bom saber que o IBGE mantém a previsão de crescimento para cereais, leguminosas e oleaginosas no Amazonas. Não tenho dúvida que a produção de mandioca voltará a crescer. Cacau e banana podem estar sofrendo alguma influência da subida dos rios em algumas regiões e, também, do momento de dificuldade no transporte para escoamento da produção e comercialização, em virtude do coronavírus. Mas, seria importante conhecer também os números da produção de soja, segundo o IBGE”, concluiu. 

Fonte: Marco Dassori

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email