9 de maio de 2021

Poucos fizeram teste de diagnóstico da Covid-19 no AM

A proporção de pessoas que realizou algum teste de diagnóstico para a covid-19 ainda está abaixo da média nacional, no Amazonas. De abril – mês de pico da pandemia em solo amazonense – a novembro, 466 mil já se submeteram ao crivo de exames de sangue, furo no dedo e coleta da saliva para confirmar que estão com a doença ou não, o equivalente a 11,5% da população estadual, o sétimo pior percentual em todo o país. No mesmo período, em torno de 13,5% brasileiros já fizeram o mesmo. Em torno de 40,4% (181 mil) testaram positivo. 

Ainda que em menor grau, boa parte majoritária dos amazonenses seguiu no ‘relaxamento social’, flexibilizando cuidados contra a covid-19, já que a quantidade de pessoas que não fizeram restrições de contato para prevenir o contágio da doença subiu de 199 mil para 204 mil, entre outubro e novembro. A quantidade de habitantes que sentiu sintomas associados à covid-19, no entanto, voltou a cair e não passou de 0,5% da população. O mesmo ocorreu entre os que apresentaram algum dos sintomas de síndromes gripais (2,6%).

Pelo menos 59,9% dos que tiveram sintomas conjugados procuraram atendimento médico, sendo que 55 mil dos domicílios do Amazonas tiveram ao menos um morador emprestando dinheiro para enfrentar a pandemia e conseguiu, um número superior ao do mês anterior (47 mil). Em parte porque a parcela de habitantes sem planos de saúde segue esmagadoramente majoritária, embora tenha caído de 88,1% para 87,9. Os dados estão na Pnad Covid-19, divulgada na semana passada, pelo IBGE.

Em novembro, 2,6% (107 mil) tiveram algum dos sintomas pesquisados de síndromes gripais. Ficou bem abaixo das marcas de maio (18,9% ou 764 mil) a outubro (3,6% ou 146 mil). No mesmo mês, 19 mil (0,5%) sofreram sintomas conjugados de síndrome gripal que podiam estar associados à doença, como perda de olfato/paladar, febre, tosse, dificuldade ou dor no peito. O indicador perdeu para setembro e outubro (34 mil e 0,8%, em ambos os casos), ficando bem distante do pico de maio (356 mil e 8,8%).

Entre os 253 mil domicílios do Estado onde vivia, no mínimo, um habitante considerado “idoso” (mais de 60 anos de idade), 3.000 contavam com pelo menos uma pessoa apresentando sintomas conjugados e que poderiam estar relacionados à covid-19. Houve uma melhora significativa na comparação com outubro (7.000) e setembro (5.000), com as estatísticas se mantendo bem aquém dos registros de agosto (29 mil) e de julho (32 mil).

Testes e comorbidades

A sondagem indica que o Amazonas foi a sétima unidade federativa com o percentual mais baixo de testes realizados para detectar a covid-19, desde o início da pandemia. Os Estados com percentuais mais altos foram o Distrito Federal (25,6%), Goiás (20,7%) e Piauí (20,6%). Na outra ponta, Acre (8,8%), Pernambuco (9,3%) e Minas Gerais (10,5%) registraram os menores percentuais de exames realizados.

No Amazonas, 240 mil pessoas (5,9% da população) realizaram o teste através de furo no dedo, 164 mil por exame de sangue (4%), e 110 mil (2,7%) pela coleta da saliva (teste Swab). Assim como nos meses anteriores, foram realizados em maior proporção entre as mulheres (50,9%) do que entre os homens (49,1%), e especialmente por pessoas de 30 a 59 anos, que representaram 50,1% dos testes realizados até o mês passado. 

A proporção direta entre escolaridade e demanda por testes se manteve apenas até certo ponto. O menor índice foi encontrado entre pessoas com ensino fundamental ou médio completo (13,30%), enquanto o maior foi detectado entre aqueles que tinham o médio completo ao superior incompleto (35,7%). A parcela com renda inferior a meio salário mínimo representou 7,3% (outra estagnação ante setembro), ao passo que a parcela que ganha quatro mínimos ou mais chegou a 36,6%.

Até novembro, 30 mil pessoas, ou 7,4% da população com alguma comorbidade, testaram positivo, no Estado. No total, 409 mil (10,1%) tinham alguma comorbidade que pode agravar o quadro do paciente com a doença. No total, 181 mil eram homens (8,9% da população masculina estadual), e 228 mil eram mulheres (11,3%). Hipertensão foi a comorbidade mais frequente (6%), seguida por diabetes (2,7%), asma ou bronquite ou enfisema (2,4%), doenças do coração (0,9%), depressão (0,6%) e câncer (0,2%).

Comorbidades e medidas

Em novembro, 11 mil (59,9%) entre as 19 mil pessoas que apresentaram sintomas conjugados procuraram atendimento em estabelecimento de saúde, no Amazonas – em outubro haviam sido 25 mil entre 32 mil (78,12%). O IBGE destaca que a demanda poderia ser feita em mais de um estabelecimento, na rede pública ou privada. A maioria (3,570 milhões ou 87,9%), contudo, não possuía plano de saúde.

Isso não impediu que houvesse um novo relaxamento nas medidas tomadas para restrição de contato a despeito da declararam não ter feito continuidade da pandemia. A quantidade de pessoas que dizem não ter tomado nenhuma medida nesse sentido subiu de 199 mil (4,9%) para 204 mil (5%). Jovens de 14 a 29 anos de idade lideraram as estatísticas dos amazonenses que não fizeram qualquer restrição de contato (34,7%), seguidos pelos que têm entre 30 e 49 anos (30,67%).

Houve nova alta também, contudo, no grupo majoritário de habitantes que reduziu contato, mas continuou saindo de casa e/ou recebendo visitas – de 2,338 milhões (57,6%) para 2,513 milhões (61,8%). Em contraste, menos pessoas ficaram em casa só saindo por necessidade básica (1,009 milhão) ou ficaram rigorosamente isolados (330 mil). 

‘Relaxamento social’

Para o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, os motivos para o Amazonas ser uma das unidades federativas brasileiras que menos testou para o diagnóstico do covid-19 podem ser os mais diversos, desde a recusa por parte da população até a falta de oferta de exames na rede pública. O pesquisador aponta ainda que, em contrapartida, o Estado respondeu pela quinta maior fatia de infectados do país, entre os que se submeteram aos testes, indicando que a infecção entre a população testada foi alta. 

“Já a população com algum sintoma gripal vem caindo nos últimos meses, juntamente com a procura por estabelecimento de saúde por parte dessas pessoas. Aqueles com sintomas conjugados, por outro lado, aumentaram sua busca pelo atendimento. Aumentou bem pouco o número de pessoas que declararam não ter feito qualquer restrição de contato. Por outro lado, cresceu a quantidade daqueles que reduziram o contato, mas continuaram saindo de casa ou recebendo visitas, o que ainda indica um certo relaxamento nas medidas de segurança por parte da população”, encerrou. 

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