Plano de contingência para frear avanço da Covid-19 no AM

O governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus reforçam as medidas para conter o avanço da Covid-19 em Manaus e no interior. Até essa segunda-feira (28), a rede pública de saúde anunciou que estava com pelo menos 90% de sua capacidade de lotação ocupada, o que levou o Estado a antecipar as ações do novo plano de contingência da pandemia de coronavírus.

Ontem, os hospitais Santa Júlia e Adventista, dois grandes do sistema privado que operam na capital, divulgaram nota comunicando que 100% dos seus leitos já estavam ocupados. E fizeram um apelo à população para reforçar os cuidados básicos contra a doença, como recomendam as autoridades de saúde.

Tanto a rede pública como a particular estão praticamente com seus sistemas em colapso por conta do atendimento a pacientes de Covid-19. Nos últimos dias, os casos aumentaram tanto que especialistas já admitem a ocorrência de uma segunda onda da pandemia, tão ou mais severa como a de abril até junho deste ano.

Atendimentos nas redes pública e privada estão praticamente em colapso

O cenário de calamidade que deixou um rastro de mortes ameaça voltar à tona, deixando alarmada a população manauara e também dos 62 municípios amazonenses. No Hospital Delphina Aziz, hoje principal referência no tratamento de coronavírus, novos caminhões-frigoríficos foram mobilizados, estão de prontidão, indicando o que provavelmente deve acontecer nos próximos dias ou meses – possivelmente para abrigar dezenas ou centenas de corpos de pessoas vítimas da pandemia, uma tragédia que se viu no início deste ano.

“Estamos acompanhando os casos de Covid-19 no Estado do Amazonas, que aumentaram significativamente nas últimas 48 horas. Dos 11 hospitais particulares de Manaus, sete já não têm mais vaga nas UTIs dessas unidades de saúde. E a nossa rede de pública também está pressionada, apesar de todos os implementos e ampliações que nós fizemos”, informou, ontem, o governador Wilson Lima (PSL) após reunir-se com o Comitê Estadual de Enfrentamento à Covid-19.

Wilson Lima e os especialistas discutiram o cenário epidemiológico da doença no Amazonas para definir novas metas. O objetivo é aprimorar, aperfeiçoar, a atuação do Estado para aumentar a capacidade de atendimento da rede estadual de saúde e ainda reforçar as parcerias com a prefeitura de Manaus.

Novo governo

O prefeito eleito David Almeida (Avante), que assumirá a prefeitura no começo de janeiro, pretende retomar as atividades no Hospital Nilton Lins para atender à demanda de pacientes de Covid-19. No início do ano, o aluguel da unidade da rede privada motivou muitas controvérsias por conta de denúncias de superfaturamento de preços, entre outras irregularidades nas contratações.

David Almeida diz que não quer deixar nenhum paciente de coronavírus sem atendimento. “Vamos reforçar essas ações. Não queremos ver o que se viu no início do ano, todo aquele cenário de tragédia humana”, afirmou.

Perto de deixar o cargo, o atual prefeito Arthur Neto (PSDB promete também engrossar as medidas contra a Covid-19, reservando mais leitos para receber pacientes do novo coronavírus na capital.

Segundo Wilson Lima, o Hospital Delphina Aziz ampliou a sua capacidade de atendimento, passando de 50 leitos de UTI para 150. “Atualmente, estamos fazendo reforma no Hospital João Lúcio, ampliamos a Maternidade Balbina Mestrinho, e a nossa Central de medicamentos está com 75% de abastecimento, além de aumentarmos a nossa capacidade de transferência de UTI aérea do interior para a capital”, acrescentou o governador.

 No domingo (27), Manaus registrou 95 novas hospitalizações por Covid-19 em um único dia. A SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde) antecipou mais uma fase do Plano de Contingência Estadual para o Recrudescimento da Covid-19, dando prosseguimento à quarta operação do plano de abertura de leitos Covid na capital.

 O Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na antiga rua Recife, na zona centro-sul de Manaus, passou de 12 leitos de UTI Covid-19 para 40 unidades, mudando o seu perfil para um atendimento mais específico.

De acordo com o governo do Amazonas, a SES-AM mobilizou hospitais gerais em Manaus, como o Adriano Jorge e o Getúlio Vargas, além de outras unidades definidas no plano como pontos de retaguarda, para receberem 27 pacientes não Covid-19 internados na UTI do 1º andar do HPS 28 de Agosto, destinando os espaços para pacientes de coronavírus. O hospital também vai reservar outro andar exclusivo para leitos clínicos dessa especialidade.

Pressionado por manifestações nas ruas, o governo do  Estado teve que rever as medidas suspendendo as atividades não essenciais em Manaus por 15 dias – do dia 26 de dezembro a 10 de janeiro. O comércio e estabelecimentos de outros segmentos da atividade econômica poderão funcionar, porém, só com horários restritos.

O médico José Bernardo Sobrinho, presidente do CRM-AM (Conselho Regional de Medicina do Amazonas), diz que as restrições por conta da pandemia de coronavírus não funcionam entre as camadas mais pobres da população.

“As pessoas não têm tanta consciência. E não adianta o confinamento em casas com poucos cômodos que aglomeram tanta gente de uma mesma família. Isso não funciona”, avalia o médico. Para ele, só mesmo a vacinação poderá frear o avanço da Covid-19. “Todos já deveriam começar a ser vacinados”, acrescenta.

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