Polo Industrial de Manaus já prepara retorno ao trabalho

A crise do Covid-19 já levou pelo menos 22 indústrias do PIM a adotarem paralisação parcial ou total de suas atividades, com férias coletivas ou licença remunerada para seus contingentes. A expectativa das lideranças do setor é que parte das empresas já comece a retomar o trabalho nesta semana e que as restantes façam o mesmo na próxima, perto do dia 20.

“Esperamos que o comércio retome também, para que nós possamos manter as atividades. Isso impactou perto de 50 mil trabalhadores e as empresas não estão medindo esforços para manter os empregos”, declarou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, em vídeo postado em sua conta no Instagram, nesta quinta (9).

Parte da indústria incentivada de Manaus já vinha desligando os motores de suas linhas de produção nas últimas semanas, inicialmente pela escassez de insumos importados – que sofreram atraso na saída da China e da Coreia do Sul. A retração na demanda e os efeitos das medidas de contenção à a curva de contagio do novo coronavírus no Brasil foram decisivos para as paralisações.

Com bloqueio logístico para o translado de produtos não essenciais nos Estados brasileiros, e com o fechamento do comércio varejista em todo o território nacional, a indústria incentivada de Manaus sofreu, em questão de dias, uma elevação expressiva sem seus estoques. Na semana passada, boa parte das empresas que seguiram produzindo já sofriam escassez de insumos nacionais.

A relação de companhias do PIM forçadas a desligar, total ou parcialmente, os motores de suas linhas de produção, por força da crise, inclui gigantes dos polos eletroeletrônico e de duas rodas, além de diversos componentistas: Honda, Yamaha, BMW, Samsung, Technicolor, Transire, Harley Davidson, Panasonic e Whirlpool, entre outras. Todo o polo relojoeiro está parado também.

Sem mudanças

Indagado pelo Jornal do Commercio se teria havido alguma mudança de cenário na crise do Covid-19 que amparasse a esperança de um retorno às atividades das indústrias do PIM, o presidente do Cieam observou que os motivos que levaram às paralisações temporárias foram diferentes para cada empresa.

“As empresas adotaram medidas diferentes umas das outras. Em relação a férias coletivas, umas adotaram 15 dias, outras optaram por 20. Há aquelas que deram licenças ou férias parciais para uma linha, mas não pararam totalmente. Não teve nenhuma mudança no mercado. Pode ser que essas empresas encontrem a necessidade de dar mais uma paralisação, encontrando uma ferramenta que agora foi disponibilizada pelo governo. O que estamos buscando, a todo custo, é evitar demissões. Vamos acompanhar”, explicou

Wilson Périco reforça que a indústria só vai conseguir se recuperar depois do comércio, dado que o setor depende da reativação da atividade do varejo e da demanda do consumidor para voltar a aquecer os motores de suas linhas de produção novamente.  

Crédito e tributos

O dirigente informou também, em sua live no Instagram, que as lideranças do Polo Industrial de Manaus já tiveram pelo menos três reuniões com representantes do governo do Estado, em busca de linhas de credito. O pleito não se resumiu apenas à indústria, mas incluiu também o comércio e as micro e pequenas empresas de diversos setores. 

“Pedimos que ajudassem a indústria a conseguirem recursos a juros bem convidativos, quase subsidiados, no sistema financeiro, principalmente no Banco da Amazônia. Isso ajudaria a sustentar a folha de pagamento e as operações, principalmente das micro e pequenas empresas. Em um segundo momento, viriam as médias e grandes. Já tem alguma coisa nesse sentido, pois o Basa já anunciou. A Fapeam [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas] também está com uma linha de crédito. Essas conversas vão continuar”, contou o presidente do Cieam, ao Jornal do Commercio.

 Os pleitos da indústria ao governo estadual incluíram também outras formas de ajuda às empresas, incluindo as possibilidades de o Estado reduzir ou postergar a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação e Mercadorias e Serviços), ou mesmo de multa decorrente de tributos administrados pela Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), bem como a redução do ICMS sobre energia elétrica. 

Ventilador pulmonar

Os desdobramentos do desenvolvimento do protótipo do ventilador pulmonar para fabricação na ZFM também pautaram os encontros com o Executivo. O projeto está sendo desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de médicos e pesquisadores da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), FPH (Fundação Paulo Feitoza), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Profissional), Transire e Sammel  

A iniciativa conta ainda com o apoio do Cieam e a colaboração direta da Jabil do Brasil Indústria Eletroeletrônica Ltda. e do INDT (Instituto de Desenvolvimento Tecnológico), além de ter ganhado reforço da Moto Honda, há uma semana. A meta inicial, segundo a Fieam, é fabricar pelo menos 1.000 respiradores para abastecimento do Amazonas e, mais adiante, expandir a escala de fabricação para suprir outas unidades federativas do país.

“A Fundação Paulo Feitoza e o Senai trabalharam bastante nesse protótipo. Estamos muito próximos de ter esse produto para ser testado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e pelo Ministério da Saúde, para capacitar a produção do aparelho, a partir da semana que vem. Vai dar certo”, finalizou o presidente do Cieam.

Fonte: Marco Dassori

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