6 de dezembro de 2021

Pandemia faz indústria apostar em inovação

Em torno de 76% das indústrias da região Norte sofreram algum tipo de abalo pela pandemia, sendo que 16% apontam que foram efetivamente prejudicadas pela crise da Covid-19 e outras 14% se dizem “muito prejudicadas”. O percentual foi ainda maior para a média nacional da atividade (79%). De acordo com os empresários do setor, os efeitos se deram principalmente na cadeia de fornecedores (58%), nas vendas (40%), linhas de produção, relação com trabalhadores (ambos com fatia de 23%, cada) e logística (20%), entre outros fatores. 

Para 88% das empresas de médio e grande porte, a alternativa foi apostar na inovação, como forma de buscar soluções para os impactos econômicos advindos do novo contexto sanitário. A estratégia deu resultado e 80% registraram ganhos de produtividade, competitividade e lucratividade. É o que revelam os dados do levantamento inédito da CNI (Confederação Nacional da Indústria), realizado pelo Instituto FSB Pesquisa, e divulgado nesta terça (19). Dirigentes do setor, contudo, apontam que ainda há um longo caminho para fazer da inovação uma prática constante na indústria nacional. 

Os ganhos a partir da inovação foram mais modestos para 9%, enquanto apenas 1% das indústrias relatou não ter sentido incremento algum em seus resultados. Somente 13% dos executivos entrevistados disseram que não inovaram durante a pandemia. Os dados mostram, por outro lado, que 51% das indústrias não contam com um setor específico para inovação, 63% não dispõem de orçamento reservado para tanto, e 65% não têm profissionais exclusivamente dedicados a inovar.

De acordo com a pesquisa, as principais causas para dificuldade em inovar durante a pandemia são acessar recursos financeiros de fontes externas (19%), a instabilidade do cenário externo (8%), a contratação de profissionais (7%), falta de mão de obra qualificada (8%) e o orçamento da empresa (6%). 

Os dados mostram também que apenas uma em cada quatro empresas mantém algum programa ou estratégia de inovação aberta, sendo que se avaliadas somente as grandes indústrias, o índice chega a uma em cada três. Os executivos afirmaram ainda que a relação com o cliente e os processos são os itens mais prioritários para a empresa inovar no pós-pandemia, cada um com 18% de menções.

Prioridades e dificuldades

Do universo de 500 empresas sondadas pela CNI, 79% responderam que foram prejudicadas com a pandemia, sendo a maior parte localizada na região Nordeste (93%). Por outro lado, 20% dos executivos afirmaram terem sido pouco ou nada prejudicados pela pandemia e 55% disseram que registraram aumento no faturamento bruto. Ao menos 84% das grandes e médias afirmam que terão de investir em inovação para crescer ou se manter no mercado. As médias empresas são as que mais sentem a necessidade de avançar: 85% delas responderam que terão de inovar mais, contra 80% entre as grandes.

Para os próximos três anos as empresas consideram como prioridades ampliar o volume de vendas (49%), produzir com menos custos (49%), produzir com mais eficiência (41%), ampliar o volume de produção (34%) e fabricar novos produtos (27%). Para isso, entre os setores que as indústrias consideram mais importante inovar estão o de relação com o consumidor (36%), setor de processos (35%) e de produção (31%). 

A adoção de novos sistemas de trabalho durante a pandemia reforça a importância de a indústria manter o foco na inovação. Seis em cada 10 empresas implementaram sistemas de segurança da informação e 63% investiram em ferramentas de automação. As principais causas para dificuldade em mudar durante a pandemia são acessar recursos financeiros de fontes externas (19%), a instabilidade do cenário externo (8%), a contratação de profissionais (7%), falta de mão de obra qualificada (8%) e o orçamento da empresa (6%).

Questão de sobrevivência

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNI, o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, destaca que o caminho para o país voltar a crescer e recuperar a sua economia passa essencialmente por investimentos em inovação. “Diante do surgimento de pandemias assustadoras, como a da Covid-19, e da persistência de crônicos obstáculos ao crescimento econômico e à melhora das condições de vida da população, estimular o espírito inovador é primordial para avançarmos”, declarou.

No mesmo texto, a diretora de inovação da CNI, Gianna Sagazio, vai mais além e alerta para a necessidade de as empresas olharem com mais atenção para a área de inovação, como estratégia de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. “Inovação é fundamental nesse processo de recuperação das empresas e para retomada da economia. Quem não inovar não irá acompanhar essa evolução da indústria e se tornar competitivo e mais produtivo”, frisou.

“Problema crônico”

No entendimento do presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, o foco da pesquisa da Confederação Nacional da Indústria aponta para um problema crônico do segmento industrial nacional, dado que ainda existe pouco investimento em tecnologia e inovação. E, segundo o dirigente, trata-se de uma necessidade premente que não vai cessar com o arrefecimento da pandemia. 

“A indústria nacional necessita de uma política concreta de inovação, em especial se considerarmos os avanços da indústria 4.0. A pandemia acelerou esse processo de inovação, em razão de uma necessidade imediata de readequação às limitações impostas. As indústrias vêm investindo em otimização e automação de processos fabris, bem como em sistemas. Ainda é imperioso, contudo, que invistamos em desenvolvimento de tecnologia local, especialmente voltado para bioeconomia, vocação regional nossa”, enfatizou.

Já o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) chama a atenção para o diferencial do PIM nesse cenário. “Não temos grandes indústrias nacionais no segmento de bens duráveis, mas grandes multinacionais que replicam aqui tecnologias de seus produtos e processos, gerando empregos para brasileiros. Quando falamos de inovação, temos também de prestar a atenção no nicho de que estamos falando. Precisamos, sim, atrair novos investimentos para outras famílias de produtos inovadores, para equilibrar essa questão na mão de obra, além de ampliar as cadeias produtivas locais”, arrematou.

Para a realização da sondagem, o Instituto FSB Pesquisa entrevistou 500 executivos de empresas industriais de médio e grande porte, compondo amostra proporcional em relação ao quantitativo total de empresas industriais desses portes em todos os Estados brasileiros. As entrevistas foram realizadas entre 1º e 23 de setembro.

Foto/Destaque: Divulgação

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