7 de maio de 2021

No domingo, 15, Manaus elegerá seu 74º prefeito, o responsável em administrar a cidade onde vivemos. Manaus completou este ano, 351 anos, mas será que o primeiro prefeito vem daquela época? 

Não. A figura do administrador de cidades surgiu com a proclamação da república que, exatamente no domingo, completará 131 anos. Antes presidentes, após o fim da monarquia, governadores, eram estas figuras que administravam a província. Com a república, governadores continuaram administrando os estados, mas surgiu um novo personagem, o superintendente, atuais prefeitos; e o conselho de intendência, formado pelos intendentes, atuais vereadores. 

“Na monarquia existia o conselho municipal, cidadãos que ajudavam o presidente a administrar as cidades e eram indicados por este presidente. Com os governadores aconteceu o mesmo. Estes nomeavam os superintendentes e intendentes”, falou Adriel França, criador do projeto ‘Guerreiros do Amazonas’. 

O primeiro superintendente de Manaus foi o baiano Joaquim Leovigildo de Sousa Coelho. Ele havia sido deputado provincial e era senador pelo Amazonas quando assumiu o cargo em 24 de janeiro de 1890, deixando-o nove meses depois, em 22 de outubro e prosseguindo como senador até 1893, quando faleceu com 56 anos. Leovigildo Coelho era engenheiro e militar. 

Outro superintendente que entrou para a história política de Manaus e do Amazonas foi o médico e professor manauense Jorge de Morais. Ele se tornou o primeiro superintendente eleito pelo voto popular, em 1911. Antes de Jorge de Morais, 20 outros nomes  haviam ocupado o cargo. Morais havia sido deputado federal (1905/08), senador (1909/11) e ocupou a superintendência até 1913. 

Jorge de Morais foi o primeiro superintendente eleito pelo voto

Em 1926, prefeito 

Adriel lembrou que, de 1890 até quase cem anos depois, em 1986, o processo de escolha dos superintendentes/prefeitos oscilou entre nomeados e eleitos. 

“De 1890 a 1911, 26 nomes (alguns mais de uma vez) foram nomeados para o cargo. Depois de Jorge de Morais, mais quatro superintendentes foram eleitos pelo voto popular até 1923 quando voltaram a ser nomeados pelo governador. Essas nomeações duraram até 1962 quando 45 nomes administraram a cidade. Vale lembrar que, a partir de 1926, com a escolha de José Francisco de Araújo Lima, em 31 de dezembro daquele ano, o ocupante do cargo passou a ser denominado de prefeito”, falou. 

Em 1962 as eleições voltaram a acontecer e o advogado e radialista catarinense Josué Cláudio de Souza foi o primeiro prefeito eleito nessa fase. Tomou posse em 26 de fevereiro daquele ano, porém, oito meses depois, em 19 de outubro de 1964, renunciou. Josué foi deputado estadual, deputado federal, prefeito, senador e governador em exercício. Como presidente da Câmara, João Zany dos Reis assumiu a prefeitura e, numa nova eleição, Vinicius Monte Conrado Gomes foi eleito mas renunciou, também depois de oito meses. 

Josué foi deputado estadual, deputado federal, prefeito, senador e governador em exercício

A partir de então, por todo o regime militar, os prefeitos foram nomeados: Paulo Pinto Nery, Frank Abrahim Lima, Jorge Teixeira de Oliveira, José de Oliveira Fernandes, João de Mendonça Furtado e Amazonino Armando Mendes. 

Quem inaugurou a terceira, e até agora persistindo, fase de eleições diretas foi Manoel Henriques Ribeiro eleito em 15 de novembro de 1985, e tendo um mandato bastante conturbado. Ribeiro assumiu em janeiro de 1986. Em julho de 1988, o então governador Amazonino Mendes o afastou do cargo (naquela época isso era possível), assumindo o interventor Alfredo Pereira do Nascimento. Ribeiro conseguiu reassumir o cargo em dezembro de 1988, mas em janeiro de 1989 assumiu o novo prefeito eleito em 15 de novembro do ano anterior, Arthur Virgílio Neto. Essas histórias aconteceram após a redemocratização do país, há mais de 30 anos, mas até hoje praticamente os mesmos nomes brigam pela cadeira da prefeitura.

Algumas curiosidades

Alguns prefeitos ficaram apenas poucos meses ocupando a cadeira da prefeitura, mas conseguiram deixar seus nomes na história política baré. Antonio Clemente Ribeiro Bittencourt foi prefeito de 12 de janeiro de 1891 a 15 de março de 1891, mas como governador (1908/13) foi o pivô do bombardeio de Manaus, em 1910, após ser deposto por um golpe dado pelo seu vice, Sá Peixoto. Antonio Bittencourt ainda foi prefeito de 7 de abril de 1891 a 8 de agosto de 1891.

Antonio Guilherme de Miranda Lisboa foi prefeito de janeiro a junho de 1902, depois de novembro de 1903 a maio de 1904, e finalmente de dezembro de 1904 a janeiro de 1907. Dá nome ao mercadão, pois foi o responsável em dar o belo visual que o prédio tem até os dias de hoje. Também embelezou a praça Heliodoro Balbi, antes apenas um terreno. Foi dono do famoso Castelinho de Adrianópolis, segundo as más línguas, presente das empreiteiras que tinham obras na cidade. A prática parece ser antiga.

Adolpho Lisboa dá nome ao mercadão de Manaus

O médico, advogado e jornalista baiano Vivaldo Palma Lima foi prefeito de janeiro a outubro de 1923, mas pelas suas atividades junto ao esporte, conseguiu deixar seu nome marcado por mais de 40 anos no estádio de futebol, obra do arquiteto Severiano Porto, criminosamente levado ao chão para surgir no local a Arena da Amazônia.

Ninguém sabe quem foi Antônio Botelho Maia, prefeito de julho de 1936 a abril de 1941, maninho do governador Álvaro Maia, mas quem viveu naquela época lembra do balneário do Parque Dez de Novembro, mandado construir por ele e que serviu de lazer aos manauaras de 1939, quando foi inaugurado, até o início da década de 1970, quando suas águas ficaram poluídas.

O advogado, jornalista e professor Plínio Ramos Coelho foi prefeito de janeiro a agosto de 1960, mas deixou suas marcas enquanto governador (1955/59), e janeiro de 1963 a junho de 1964, quando foi ‘convencido’ pelos militares a deixar o cargo. Plínio Coelho mandou asfaltar a primeira rua de Manaus, onde morava, em 1957.

O advogado, jornalista e professor Plínio Ramos Coelho foi prefeito de janeiro a agosto de 1960

O diplomata Arthur Virgílio Neto é o prefeito que mais tempo ocupou o cargo, 144 meses, de janeiro de 1989 até dezembro deste ano; seguido pelo advogado Amazonino Mendes, 96 meses; e Alfredo Pereira do Nascimento, 92 meses. E nestas eleições eles querem mais.

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