Os cientistas descobriram que amar dói

Pesquisas revelam aquilo que os poetas e boêmios já sabem há séculos

Ninguém sabe do que uma pessoa é capaz quando sente ciúme, mas a neurociência identificou quais circuitos cerebrais são ativados pelo “monstro de olhos verdes” (da expressão inglesa “green-eyed monster”, descrita por Shakespeare em Otelo). Uma pesquisa publicada pelo Instituto Nacional de Ciências Radiológicas do Japão na revista Science mostrou que sentir inveja de uma pessoa -sentimento sempre associado ao ciúme -faz funcionar com mais intensidade o CAC (córtex anterior cingulado), mesma área que está mais ativa quando sentimos dores físicas. A pesquisa juntou voluntários para analisar perfis de outras pessoas. Quando um deles possuía mais posses materiais ou maior status social, eureca! O CAC dos demais começava a trabalhar a todo vapor. “Inveja e ciúme são literalmente emoções dolorosas”, diz Hideko Takahashi, líder da pesquisa.
Apesar de ter objetivos diferentes, um estudo americano corrobora a tese e chega ao mesmo diagnóstico. Numa espécie de Big Brother acadêmico, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles montaram um jogo no qual os voluntários iam sendo excluídos, pouco a pouco. E, ao deixarem contrariados o ambiente do jogo, qual parte do cérebro ficava à beira de um ataque de nervos? Ele mesmo, o CAC.
Assim, os cientistas descobriram aquilo que os poetas e boêmios já sabem há séculos: amar dói. A vantagem é que agora a neurociência consegue provar que a rejeição social traz um sofrimento psicológico que se assemelha, pelo menos no cérebro, ao físico. E, já que dá para aplacar uma dor, digamos, real com medicamentos, pesquisadores apostam que será possível exterminar os efeitos de uma desilusão amorosa com remédios.
“Teoricamente, é possível criar medicamentos para tratar as dores da alma”, diz Takahashi. Mas por enquanto não adianta sair por aí tomando um Dorflex. Segundo o cientista, ainda não se sabe que tipo de composto poderia ser usado para fabricar uma droga dessas. E isso só vai acontecer quando os estudiosos derem o próximo passo em suas pesquisas: destrinchar o mecanismo neuroquímico exato por trás desses sentimentos. E isso ainda deve levar alguns anos.

POR DENTRO

Essa dor é necessária?

Apesar de toda a sua complexidade hoje, o ciúme originalmente tem funções básicas, simples e ancestrais: preservar o parceiro, afastar rivais e manter o companheiro fiel sexual, emocional e financeiramente.
Para os homens, o sentimento funciona como uma garantia de paternidade. “É por isso que ele é ativado quando são detectadas pistas de infidelidade sexual ou de outros ‘machos’ se aproximando da parceira”, diz o professor de psicologia evolutiva David Buss, da Universidade do Texas, EUA, e autor do livro A Paixão Perigosa (Editora Objetiva). Para as mulheres o sentimento serve para manter o comprometimento e acesso aos recursos do companheiro, aumentando as chances de sobrevivência da prole.

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