Origem da economia solidária

Este estudo se ocupa de uma abordagem sobre a origem da economia solidária, que nasceu pouco depois do capitalismo industrial como reação ao crescente empobrecimento dos artesãos determinado pela ascensão das máquinas e do processo fabril. Talvez pelo fato de ser a Inglaterra a pátria da Revolução Industrial e o berço do proletariado moderno, alguns industriais esclarecidos preocuparam-se em propor leis de proteção aos trabalhadores. Robert Owen inglês da linha reformista, figura no pensamento ocidental como um socialista utópico que defendia a tese de que bons salários e boas condições de trabalho não eram incompatíveis com os lucros e a propriedade dos negócios. Essas idéias lançadas na primeira década do século 19, em plena expansão do capitalismo monopolista, soaram como uma revolução administrativa pouco crível no circuito industrial. Face à pouca importância dada às suas idéias Owen que era proprietário de um complexo têxtil.
Nessa comunidade de cooperação Owen adotou medidas sociais como a criação de jardins-de-infância para os filhos dos operários e armazéns que vendiam gêneros alimentícios e outros produtos a preço de custo.

Não empregava crianças menores de dez anos sendo, pois, este, um grande avanço naquela época. Em 1825, fundou, no México e nos Estados Unidos (New Harmony), colônias cooperativistas que não lograram resultados.
Na sua volta a Inglaterra criou, em 1838, as primeiras cooperativas de produção e atuou dentro do movimento trabalhista, tentando organizar uma central sindical. Esse método organizacional alavancou a produtividade e lucratividade nas empresas de Owen, apesar do gasto elevado que o proprietário teve com a folha de pagamento. Elevou a satisfação dos seus trabalhadores em termos de melhores salários e benefícios sociais. Essa iniciativa empresarial foi objeto de admiração e respeito por parte de segmentos de trabalhadores e dos próprios empresários.A proliferação da pobreza associada à crise do desemprego estrutural na Inglaterra do século 19, contribuiu para que Owen apresentasse uma proposta ao governo britânico para restabelecer o crescimento econômico: reinserção dos trabalhadores ociosos na produção. Isto geraria ganho e gasto no consumo e consequentemente daria um forte impulso ao mercado. Na área social a proposta de Owen era mais ousada. Propôs a criação de fundos de sustento aos pobres que consistiam na compra de terras e construção de aldeias cooperativas, pelo poder público, ao invés de serem repassados em forma de dividendos ou renda mínima. Isto permitiria aos trabalhadores que cultivassem a terra a provisão do seu próprio sustento. Os excedentes de produção poderiam ser trocados entre as aldeias e calculados cuidadosamente, só assim, os investimentos sociais demandariam menos recursos e devolveriam aos cofres públicos os fundos desembolsados. Com isso queremos mostrar que a Economia Solidária é uma alternativa viável de geração de renda e trabalho para as populações mais pauperizadas.

Celso Torres é mestre em Sociologia do Trabalho pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
E-mail: [email protected]

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