Educação, continuidade e ruptura

Nunca se falou tanto em educação, na sua importância e necessidade. Ótimo, pois o ensino sempre foi uma das grandes marcas do homem, que se inicia no berço. Estes primeiros cuidados permitem que o indivíduo comece a se sentir inteiro, amado e digno de pertencer a algo mágico, em que o outro o insere na humanidade e o desnuda, fazendo como que se sinta incompleto, o que o impulsiona a crescer e a aprender. O aprender dá-se sempre numa troca entre o que já temos e o que buscamos.
As primeiras pessoas que cuidam do ser nascente são as responsáveis iniciais pelo estímulo ao movimento do homem em busca do novo. Este trabalho é geralmente feito pela família, que passa valores, saberes, emoções, afetividade…
Ao lado da família e da sociedade, surge a escola como grande responsável pela educação, sobretudo no mundo sem fronteiras que se delineia, “planetário”, como diz Morin, o qual se abre a uma circulação de conhecimento infindável. A escola é a grande responsável por inserir o ser neste movimento que tem como base o conhecimento construído pela humanidade.
Aqui cabe questionar, colocar entre parênteses, na fala de Husserl, a palavra continuidade. Isto é, redescobrir seu sentido. Continuidade dá a idéia de seguir em frente, de ir por um caminho, de partir de um ponto. A Escola tem esta continuidade como sua principal missão, inserir o ser no caminhar humano, isto é permitir que seja o caminhante em meio a outros homens já falecidos, vivos, ou por nascer. A Escola é a grande responsável pela sistematização do saber amealhado ao longo dos tempos.. Ela deve fazê-lo de forma consciente e racional, com projetos políticos e com planos bem traçados.
A continuidade, entretanto, não é repetição. É o partir de algo já dado, mas que pode e deve ser feito de uma maneira própria e especial, considerando as especificidades da realidade. O já dado é, portanto imprescindível e a Escola é a grande responsável por dominar e selecionar o saber constituído pela sociedade a ser passado às gerações.
Como aliar ruptura e continuidade? Este é o grande desafio da escola contemporânea. Não se pode deixar de lado o saber construído e sistematizado, como as formas de organização destes. A escola precisa mais do que nunca debruçar-se para desvendar o significado do conhecimento e como se dá a aprendizagem. O conhecimento não vem de fora para dentro, mas se dá pela apropriação de um ser que o busca e o transforma de acordo com seus recursos internos. Mas também não se dá em meio ao nada, mas sobre algo dado, dado pelo outro, pela humanidade.
Não podemos deixar o aluno descobrir sozinho sem fornecer-lhe subsídios, subsídios humanos, com vida. Só se pensa, só se avança sobre conteúdos, que sejam retomados e sistematizados em níveis diversos. Do contrário, estaríamos privando-o não só do convívio com a humanidade como do avanço intelectual. Piaget nos coloca que é grande o número de pessoas que não chegam a desenvolver o pensamento próprio da adolescência, onde se começa a ser capaz de ir além do concreto imediato.
A ruptura que vivemos na atual sociedade pode e deve levar a Escola a repensar sua missão, que é com a continuidade, mas uma continuidade repensada, re-significada, que alie o já constituído às construções individuais e em grupo e à criatividade. Seu grande desafio é buscar formas de envolver alunos e professores neste movimento de descobertas, que alie conteúdos apreendidos a transformações contínuas.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email