‘O governo Lula deu certo’ diz José Ricardo

Candidato a prefeito de Manaus pela aliança com o PT e o PSOL, o deputado federal José Ricardo diz que pretende criar uma agência municipal de desenvolvimento regional para alavancar as atividades no turismo e no setor primário.

Ele ressalta que o seu principal objetivo é tornar Manaus mais atraente para novos investidores interessados no potencial turístico e na rica biodiversidade da região. Mas, para isso, é necessário investir na melhoria da infraestrutura urbana da cidade, segundo ele. “A capital precisa ser uma vitrine que motive os investidores a trazerem os seus empreendimentos. E é nessa questão que vamos focar na prefeitura”, afirma.  

Segundo José Ricardo, os mais de R$ 6 bilhões do orçamento anual da prefeitura podem melhorar as condições da saúde, educação e do transporte público se os recursos forem bem empregados. “Em quase 12 anos, os prefeitos que administraram o município não se preocuparam com a atenção básica. E o resultado é o caos que se vê hoje instalado no atendimento à população”, afirma.

José Ricardo diz ter um elenco de especialistas que desenvolveram projetos para melhorar a mobilidade urbana, principalmente o transporte público coletivo. Uma ideia é construir corredores exclusivos de ônibus para desafogar o tráfego. E ainda viabilizar o projeto BRT, que se apresenta como uma solução viável para acabar com os gargalos no trânsito.

O candidato critica a gestão do atual prefeito que, segundo ele, só em publicidade gastou pelo menos meio bilhão de reais. “Uma UBS (Unidade Básica de Saúde) custa, em média, R$ 1,6 milhão. Agora, fazendo-se o cálculo, quantas UBSs poderiam ser construídas com esses recursos?”, questiona.

Outro grande projeto de José Ricardo é colocar guardas municipais dentro das escolas para combater o assédio de alunos por traficantes. E ainda promover cursos técnicos profissionalizantes para jovens cuja mão de obra será absorvida pela indústria local.

Criticado por ser do PT, José Ricardo diz que ignora os ataques sucessivos contra o partido, estigmatizado pelos escândalos de corrupção. “Qual o presidente que fez mais pelo Brasil do que Lula? Foram 12 anos de prosperidade – 8 do ex-presidente e 4 de Dilma”, argumenta. “Não, necessariamente, todos devem ser responsabilizados pelos erros de outros. O que queremos é construir uma cidade melhor, um país melhor,  para dar mais qualidade de vida à população, principalmente a menos favorecida”, acrescenta.

Ele falou com exclusividade para o Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Qual o balanço que o sr. faz do primeiro debate da televisão com candidatos a prefeito em Manaus?

José Ricardo – O debate, que não deve ser o único na Band, foi oportuno para apresentar algumas propostas de nossa chapa. Mas a sistemática de controlar o tempo prejudicou um pouco as discussões.

Pena que muita gente quer confusão. Muitos candidatos são do mesmo grupo político que deixou a cidade sem saneamento básico. Hoje, metade da capital não tem  uma única unidade básica de saúde. Eles deixaram um terço das escolas em situação precária, prejudicando professores e alunos.

Apesar das provocações no debate, procurei ressaltar a questão econômica, a geração de emprego e renda.

JC – Quais são essas propostas?

José Ricardo – Pretendemos criar uma agência de desenvolvo municipal para elaborar projetos, buscar investimentos, recursos de fora e também do exterior. Nosso foco também são as mulheres porque nossa vice é mulher, dando uma atenção especial a políticas voltadas para o sexo feminino.

As mulheres tomam conta hoje das famílias, mas enfrentam muitas dificuldades para sustentar os filhos.

JC – A mobilidade sempre foi um problema em Manaus. E também o transporte público. Como pensa em solucionar essas questões caso chegue à prefeitura?

José Ricardo – Temos inclusive uma legislação federal que trata da mobilidade urbana e prevê uma série de exigências para cidades como Manaus, com mais de 2 milhões de habitantes.

Podemos criar corredores exclusivos para ônibus, desafogando o tráfego. O BRT, tão discutido em outras épocas, também é uma solução viável para esses gargalos.

Em relação aos ônibus, devemos rever os contratos com as empresas que não cumprem questões como renovação da frota e outras exigências. São várias obrigações que não estão sendo cumpridas.

Estamos fazendo estudos nesse sentido. É uma questão crucial para uma cidade.

Por isso, eu vou propor a criação de uma agencia de desenvolvimento que irá atrás de recursos para projetos junto a bancos nacionais e internacionais. Para viabilizar novos empreendimentos com juros baixíssimos.

Manaus precisa ser uma referência turística, mas só vai conseguir se tiver um sistema de transporte melhor, com infraestrutura mais sólida, mais seguro.

JC – E com relação ao turismo?

José Ricardo – Pretendemos tornar Manaus como Portal da Amazônia, trabalhando fortemente o turismo. Mudar a infraestrutura da cidade para motivar os visitantes a virem à capital. E ainda atrair potenciais investidores interessados na rica biodiversidade que dá margem para empreendimentos com foco em projetos autossustentáveis, gerando novos empregos e renda à população.

Temos que melhorar a rede hoteleira. O poder público vai criar condições e diminuir a burocracia para viabilizar novos investimentos. É um grande elenco de ações.

Vamos cuidar do Distrito Industrial para transformá-lo num roteiro turístico, motivando a visitação do local de quem vem a Manaus. Isso tudo é muito positivo.

Será um Distrito bem cuidado, bem arborizado, um ambiente agradável. Tudo isso poderá motivar empreendedores na área de turismo. A prefeitura não vai entrar com dinheiro. Só vai ajudar na atração de investimentos para a cidade de Manaus.

JC – Como pensa a cidade de Manaus com maior integração para que possa ter mais capilaridade com as outras regiões?

José Ricardo – Nossa cidade está muito espalhada.  Novos empreendimentos residenciais são aprovados, sem nenhum planejamento, não contando com segurança e outras questões básicas necessárias à população.

Por exemplo,  o Viver Melhor, onde hoje vivem 40 mil pessoas, quando foi inaugurado não tinha a menor infraestrutura. Temos que trabalhar o adensamento urbano. Tivemos grupos de trabalho com muitos profissionais que já estudam essas soluções há muitos anos.

Temos que repensar o plano diretor. Existe muito interesse empresarial que extrapola os limites necessários da cidade. Vamos revitalizar de verdade os igarapés. Se não tiver uma política de saneamento de verdade, não dá certo. Uma coisa puxa a outra

Muitas áreas verdes deixaram de existir porque tem ocupação irregular. Temos uma solução definitiva para toda a cidade. Há condições para viabilizar um padrão de maior adensamento sobre a questão urbana de Manaus.

JC – Vê-se muitas propostas parecidas nas áreas de educação e saúde. Qual seria a grande novidade do José Ricardo prefeito?

José Ricardo – De modo geral, no marketing político, tem que ter algum projeto para chamar a atenção. Uma escola pública tem que ter qualidade. Se alguém leva o filho para a rede particular é porque não acredita na escola pública.

Tem escola pública que não tem refeitório, estão em prédios alugados. A escola que eu vou fazer será ampliada, tendo todas as condições realmente de funcionamento. Estamos na era da internet, mas tem escola que não tem o serviço.

Precisamos disponibilizar internet para professores e alunos. Pretendemos dar um computador para cada aluno. Não é possível uma escola funcionar hoje sem internet.

Vamos colocar guardas municipais para combater o assédio de alunos por traficantes. Vamos deixar as drogas longe das escolas.

Na área da saúde, metade dos bairros de Manaus não tem UBS (Unidade Básica de Saúde). É necessário aumentar as equipes de atendimentos nos bairros. Nos últimos 12 anos, prefeitos que administraram o município não se preocuparam com isso.

Uma UBS se constrói, em média, por R$ 1,2 milhão.  Sabe quanto o atual prefeito gastou só em publicidade? Foi meio bilhão de reais. Agora, imagina, fazendo os cálculos, quantas UBS poderíamos construir com esses recursos?

JC – O presidente Jair Bolsonaro indicou para a vaga no STF o desembargador Kassio Nunes Marques, que tem um alinhamento mais com as ideias da esquerda?

José Ricardo – Todas as indicações do Poder Judiciário têm caráter político. A história mostra isso. Mas depois que o cidadão está no STF, ele faz o que interessa ao Brasil e o que determina a Constituição.

Os ministros vão cumprir a função constitucional. Muitas decisões do STF seguem as emoções do momento. Eu defendo o Judiciário, mas faço críticas. Por exemplo, aqui no Amazonas é mais urgente aumentar o número de juízes do que ampliar o número de desembargadores.

Questionamos esse aumento dos desembargadores quando o próprio CNJ (Conselho Nacional de Justiça) disse que a maior necessidade era na primeira instância.

Juiz não pode ficar decidindo conforme a ideologia. Ele não está lá para isso. O juiz não pode ser de direita ou de esquerda.

Mas não sou eu que digo isso. É a Constituição

Acho que o judiciário tem que ser melhorado, mais fortalecido, mas tem que se diminuir as regalias, ficando mais próximo da população e da sociedade.

JC – Como lidar com a crítica que fazem do seu partido, algumas delas dizendo que o PT é a maior organização criminosa, seu líder foi preso…..?

José Ricardo – Primeiro, que não é verdade. Se o partido fosse uma organização criminosa, já teria sido extinto. Por isso, é que é uma mentira.

O PT tem mais de um milhão de filiados. Se um padre é preso por cometer irregularidades, não vão acabar com a igreja. E a mesma coisa acontece com os partidos políticos ou outras instituições. O MDB tem mais gente processada do que o PT. O DEM tem no topo os políticos envolvidos em corrupção.

O PT defende os mais pobres e é natural sofrer ataques.  O governo Lula deu certo. Ele é ovacionado no mundo inteiro. O Lula foi o que mais ajudou a Amazônia. Os maiores investimentos aconteceram em seu governo. Foram 12 anos de crescimento da economia – 8 do Lula e 4 da Dilma, com queda considerável no número de empregos.

Por isso que atacam o PT, mas não ofendem somente a mim, mas a todos  que defendem os trabalhadores. Não tenho nada a ver com os erros do PT, mas continuo na luta. É desnecessário esse tipo de ataque porque não constrói a democracia.

Poderia criticar todo dia Bolsonaro, mas critico apenas o governo. Não agrido nenhuma das pessoas. A luta para melhorar a vida da população é que a gente terá como prioridade em Manaus.

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