O estandarte da agonia na Companhia de Jesus

Wilson Périco (*) [email protected]

Padecem de sentido as pedras jogadas contra as empresas associadas ao polo industrial de Manaus por parte do jesuíta Sandoval Alves, da Companhia de Jesus. As agressões não disfarçam ressentimentos de quem ainda não descobriu a importância do verbo agregar. Determinado a apenas apontar problemas, ele ignora a banda construtiva do capitalismo – com todas as suas dificuldades intrínsecas a serem superadas – que compõe empregos, oportunidades e receitas públicas, incluindo contribuições para as famílias em extrema vulnerabilidade social. Todos queremos somar, avançar, melhorar, reverendo, sem esquecer o preceito evangélico, “a César o que é de César e ao Todo-poderoso o que lhe pertence”.

Somos diferentes dos pregadores, que ocupam púlpitos para pregar suas boas intenções ou imprecações. Nossa contribuição são mensuráveis, inequívocas e, em circunstâncias de crise, arregaçamos as mangas nos damos as mãos com instituições de caridade, cristãs ou não. Porque o que importa é somar. Quem não junta separa e quem divide um reino, ou o tecido social, vai condená-lo à destruição. Vamos superar o maldito “nós contra eles”, disseminado por ideologias extremistas tão nocivas à fraternidade construtiva de que carecemos. 

O raciocínio maniqueísta do reverendo não condiz com sua decantada categoria acadêmica. É preciso renunciar ao farisaísmo dos doutores da Lei, que perseguiam os apóstolos. Lembra? O maniqueísmo empobrece e indica mentes fechadas para o diálogo. Com quem você se identifica como membro da Companhia de Jesus: com o respeitável cientista/filósofo Teilhard Chardin, o fundador da Ordem, santo Inácio de Loyola, ou o apóstolo Iscariotes. Nosso convite é procurar soluções, pois não somos juízes nem auditores.  

Em seu último artigo, “As periferias e o conflito hídrico em Manaus”, Atual, 9/8/21,  sobram acusações fundadas no dogmatismo medieval e no autoritarismo maoísta. São ataques genéricos aos “poderosos”, às “multinacionais”, ou a quaisquer serviços ou transações que adotem valor de uso ou de troca, como se fossem a encarnação do mal. “Em que mundo e em que estrela tu te escondes?”

Como se deu a formação econômica das grandes fortunas eclesiásticas que papa Francisco colocou, recentemente, sob suspeição, tal a gravidade dos malfeitos que vieram à tona. Essa conversa, porém, pertence aos tribunais. Nós, meros mortais, não precisamos disso para encontrar caminhos, basta-nos o entendimento construtivo. Em lugar generalidades vazias – como exaltar estatização e maldizer a privatização – que tal adotar a promoção da cidadania e do protagonismo comunitário como critério de avaliação? 

Observe as diversas gestões dos serviços de água e saneamento em Manaus e descubra aquelas que ficaram distantes da comunidade e as que buscam dela se aproximar. Busque conhecer, com rigor, nossa associada, Águas de Manaus. É vetado a um cientista social ignorar o fato real, ou não apurar sua diferença em relação ao boato, ou fake news.  

Manaus desponta como a capital de Estado, proporcionalmente à população, com maior percentual de famílias alcançadas pelo benefício da tarifa social que, efetivamente, garante o acesso aos benefícios do saneamento básico aqueles que mais precisam. A empresa Águas de Manaus encontrou 16 mil para atendidas e hoje contabiliza 70 mil famílias, beneficiadas em menos de três anos, devendo chegar a mais de 100 mil famílias no primeiro trimestre de 2022. Significa dizer que quase 20% da população mais vulnerável de Manaus estará protegida pelo benefício, muito à frente de qualquer outra capital do País. O mesmo se dá com a ampliação na coleta de esgotos e oferta de água tratada. Há um plano de investimentos em execução que prevê R$1 bilhão para os próximos anos. Vamos acompanhar!

O CIEAM, em Agosto, fez 42 anos de defesa da economia e da cidadania do Amazonas. Venha conhecer esta entidade, e integrar-se às nossas ações colaborativas. Visite Águas de Manaus, e descubra: não somos poderosos, nem salteadores. Nosso ofício é gerar oportunidades, assim como o seu é espalhar a boa nova da fraternidade. É disso que o mundo precisa, para resgatarmos, em colaboração permanente, a harmonia dos filhos da Luz e o Estandarte da Solidariedade. 

(*) Wilson é presidente do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas. 

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