O alerta vermelho e o futuro da Amazônia

POR ALFREDO LOPES (*)

A Amazônia e o Cerrado pedem socorro. O Relatório do IPCC, divulgado nesta semana, é um Alerta Vermelho para todo o planeta. O negacionismo climático pode comprometer, sem retorno, as contribuições desses biomas ao país e ao planeta, e a qualidade de vida de nossa gente, assim como o negacionismo sanitário nos fez perder quase 600 mil brasileiros, com prejuízos incontornáveis para centenas de milhares de famílias. Ainda há tempo de corrigir este desequilíbrio, comprovadamente provocado pela ação humana, e manter nossa jornada de conquista de uma relação mais harmoniosa entre homem e natureza. O mesmo dilema da Amazônia padece o Cerrado, um Brasil açoitado pela política vesga da destruição. Na discussão sobre o papel da Ciência, nesse contexto e em tantos outros da civilização tropical, precisa haver mais Ciência, e mais investimentos em Ciência como a melhor saída, instrumento e esperança de uma nova consciência e de uma economia robusta e equilibrada. 

As concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, resultado da queima de combustíveis fósseis e de atividades agrícolas em formatos insustentáveis, impedem a dissipação de calor e ameaçam a sobrevivência humana na Terra. São combinações trágicas entre descompromisso negacionista e fenômenos naturais que se repetem com assustadora excepcionalidade. No que se refere à ação humana temos que acelerar as ações preventivas e corretivas e investir numa postura de pedagogia do clima, apostando no processo educativo das ações que favoreçam a saúde climática.

A economia do Amazonas e de toda a Amazônia Ocidental contribui, de modo fortuito, para a conservação da floresta e sua biodiversidade. Mais do que nunca, além dos empregos e tributos gerados por nossa economia, é preciso apostar n diversificação de uma economia descarbonizada, que reduza drasticamente as emissões dos gases do efeito estufa. Estão contidos no programa Amazônia do Futuro as trilhas que nos desafiam. Trata-se de uma proposta de gestão pioneira e visionária da geração de emprego, renda e redução drástica de emissões. 

Há 10 anos, com a mobilização de 70 atores atuantes na região, incluindo professores e pesquisadores da FEA/USP, UFAM, UEA, INPA, EMBRAPA, alertamos para a necessidade da diversificação de nossa economia, transformando nossos ensaios iniciados em 1998 –  com o lançamento da pedra fundamental do Centro de Biotecnologia da Amazônia – em ações mais decisivas e agressivas na direção da Bioeconomia e da produção Sustentável da piscicultura, fruticultura e agroecologia coerente com a economia descarbonizada do Polo Industrial de Manaus. 

Este evento, que encerrou a Mostra dos Pioneiros e Empreendedores da Amazônia e sua inserção na galeria do pioneirismo nacional. Este resgate de nossa economia pós quebra dos dois ciclos da borracha na Amazônia , por uma iniciativa da FEA/USP, doutorado de Administração, coordenado pelo Professor Jacques Marcovitch, no contexto da Gestão da Amazônia, que destacou a figura de Samuel Benchimol. Havia uma pergunta que desencadeou o célebre evento, que contou com a presença honrosa de Moysés Israel e do fundador do CIEAM, Mário Guerreiro: o que proporiam os pioneiros e empreendedores da Amazônia, que implantaram uma nova economia para o século XX, para o futuro da região. 

Pois bem: dez anos depois, as recomendações daquele encontro dos 70 novos promotores do desenvolvimento da Amazônia , podem ser sintetizadas no alerta do professor e empreendedor Samuel Benchimol e seus contemporâneos: “ … o futuro da Amazônia passa por uma nova relação entre desenvolvimento e meio ambiente, permeada por um conceito e prática da sustentabilidade que deve ser socialmente justo, economicamente viável, politicamente correto e ambientalmente equilibrado”. 

Foi nesse contexto, e com a contribuição direta da família Benchimol Minev, que estudos de economia e econometria promovidos por uma equipe renomada de especialistas de altíssimo nível, coordenada por Márcio Holland, elaboraram, com a colaboração e apoio da inteligência local, o estudo decisivo sobre o “Programa Zona Franca de Manaus, impactos, efetividade e oportunidades”.  O passo seguinte foi a elaboração mais detalhada para diversificação e adensamento da economia do Polo Industrial de Manaus, com os estudos e resultados de debates obtidos com os Diálogos da Amazônia, da FGV. 

São preciosos momentos de análises e debates com celebridades amazônicas e do cenário nacional, com 20 edições programadas para este ano e até aqui realizadas  12 edições. Amazônia do Futuro, lançado no final de julho, é um documento preliminar que está disponível no site da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, no portal do CIEAM e doBrasilAmazoniaAgora. A ideia está centrada naquilo que ouvimos em muitos diálogos do Denis Minev e Daniel Vargas em artigo no Estadão, além de dezenas de estudiosos e empreendedores que reforçam a ideia que não há saída para Amazônia que não seja o desenvolvimento associado a sustentabilidade econômica e ambiental. Eis nossa mais robusta contribuição. 

(*) Alfredo é consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas editor geral do portal Brasil Amazônia agora
Foto/Destaque: Divulgação

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