15 de abril de 2021

Nova lei contábil valoriza mercado

A crescente globalização dos mercados e o momento especial que passa a economia brasileira vêm despertando o interesse de uma quantidade expressiva de investidores internacionais, dispostos a aplicar recursos em empresas com potencial de expansão...

A crescente globalização dos mercados e o momento especial que passa a economia brasileira vêm despertando o interesse de uma quantidade expressiva de investidores internacionais, dispostos a aplicar recursos em empresas com potencial de expansão e perspectiva positiva de retorno financeiro.
O principal balizador para a atratividade dessas empresas deverá ser a go­ver­nança corporativa. A prática, por um lado, dará a segurança necessária ao investidor e, por outro lado, valo­ri­zará as empresas que, se tornando mais transparentes aos olhos do mercado, reduzirão o seu custo de capital.
Neste cenário, a recente sanção presidencial da lei 11.638 representa um passo fundamental para a convergência das práticas contábeis brasileiras ao padrão interna­cional de contabilidade –IFRS (International Financial Reporting Standards)–, que passa a exigir das sociedades de capital fechado com ativos acima de R$240 milhões ou receita bruta superior a R$300 milhões, a apre­sentação das demonstrações contábeis segun­do padrões estabelecidos na Lei das S/A.
A princípio, aquilo que poderia re­presentar um custo adicional para as empresas que se enquadrarem nesta lei, como contratação de auditoria in­dependente, formalização de ins­tru­mentos de controle, divulgação etc, trata-se, na verdade, de um investi­mento, que em curto prazo poderá co­locar estas organizações na mira do interesse de investidores e do mercado de capitais.
Sob a ótica do mercado, uma empre­sa torna-se atraente a partir do momento em que suas informações auditadas demons­tram um histórico de crescimento e de lucratividade, capacidade competitiva, estratégia e controles bem definidos e equipe qualificada de gestores.
Para estar apta a participar deste momento especial da economia, a empresa precisará, além de sua adaptação à lei 11.638, atentar para alguns aspectos de sua gestão, como adequação da estrutura societária e organizacional; otimização da estrutura de capital e da carga tributária; gestão profissiona­lizada; elaboração do planejamento corporativo; instituição de sistemas de informação automatizados e integrados; instituição de estrutura de gover­nança corporativa; acompanhamento e avaliação de indicadores de gestão; e gestão de ativos intangíveis.
Dentre os benefícios que decorrem da adoção destas práticas pelas empresas, está o incremento do seu respectivo valor de mercado. Planejamento, organização, integração, controles, transparência e indicadores são os fatores que implicarão numa visão diferenciada do mercado associada à criação de valor.
A criação de valor tem como itens críticos de sucesso um conjunto de indicadores positivos, tanto econômico-financeiros, de posicionamento de mercado, quanto de boa gestão de ativos intangíveis, como imagem da marca e reputação.
É justamente na gestão dos ativos intangíveis que entram os fatores relacionados à sustentabilidade, que possui fundamentos em três dimensões: econômica, ambiental e social.
A congruência da criação de valor e sustentabilidade têm atraído as aten­ções do mercado de capitais no senti­do de valorizar as empresas enquadradas nestes critérios. No Brasil, este mo­vimento se fortalece agora, após o grande marco que foi o lançamento do ISE (Índice de Sustentabilidade Em­presarial) da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

Edison Cunha é diretor de operações da Trevisan Consultoria.

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