Em um dos  painéis realizados dentro da Campus Party Digita, que está acontecendo no mundo virtual,  questões de inovação e saúde foram abordadas. Na última sexta-feira, 10/07, Átila Iamarino, biólogo e pesquisador que vem estudando o novo coronavírus e suas consequências debateu com as especialistas Natalia Cuminale, jornalista especializada em saúde, e Dra. Clara Augusta, líder médica de oncologia da Bayer do Brasil. 

Dessa vez, o divulgador científico debateu com Natalia e Clara sobre quais devem ser os novos hábitos pós-pandemia, buscando entender como a sociedade estará preparada para o futuro, inclusive considerando a possibilidade de acontecer uma nova pandemia em breve. Natalia contou que é desafiador informar a população sobre a saúde, e em um cenário de pandemia a situação pode ser ainda pior, principalmente porque não são todas as pessoas que conseguem entender o peso de um estudo científico.

“Bem especificamente sobre essa pandemia, o desafio é ainda maior porque estamos em um momento em que ainda estamos descobrindo as coisas sobre a COVID-19. Não temos todas as informações, não temos todas as respostas e isso sim gera uma ansiedade. As pessoas têm a necessidade de ter uma resposta e o desafio de quem comunica a saúde é fazer uma triagem”, conta a jornalista.

Sendo assim, é preciso compartilhar a informação de modo que não provoque pânico, mas que cause impacto no comportamento das pessoas, pois é isso o que vai fazer toda a diferença na prevenção, visto que todos estamos vulneráveis. Clara acrescentou ainda que a COVID-19 é uma doença muito democrática e que vemos a contaminação no sistema público e privado, e com isso a responsabilidade do indivíduo para com o restante da população ficou ainda maior.

A tecnologia como aliada

Clara contou que, atualmente, cientistas e especialistas já estão cruzando seus conhecimentos para criar novas tecnologias, a fim de auxiliar as pessoas quanto a prevenção e o diagnóstico de doenças. E já estamos vendo esses recursos disponíveis, como é o caso a telemedicina, por exemplo. “A tecnologia já vinha com uma bagagem meio pronta, esperando a gente. Muito do que não se usava, agora fomos obrigados a usar” conta a médica. Átila falou sobre os avanços em relação aos respiradores e medicamentos, que muitos vieram depois de epidemias e pandemias, assim como estratégias de vacinas. Para o especialista, isso significa que novas modernizações, com certeza, virão daqui para frente.

Ainda sobre a telemedicina, Átila comentou que a modalidade alcança regiões mais remotas e que pode ser a solução para alguns casos que carecem de infraestrutura, além dos dispositivos vestíveis que fazem o monitoramento da saúde, como smartwatches, e a contagem dos batimentos cardíacos. O cientista cita a antecipação como fator principal para ser levado em conta para se preparar para possíveis cenários semelhantes ao atual.

“O que mais vai fazer diferença a longo prazo é adoção de uma mentalidade rápida de avanços, etapas e testes para ter soluções já postas em prática”, diz. “A comunicação da ciência em tempo real, dos artigos, dos manuscritos, protocolos e a organização mundial de teste clínico e o avanço disso para as vacinas agora, com certeza vão deixar um ‘gostinho de quero mais’ para qualquer desenvolvimento de fármaco, composto, tratamento em qualquer outra escala”, complementa Átila.

Natalia cita ainda como uma mudança no comportamento da população o desejo em consumir mais informação, valorizando o jornalismo científico. “A pandemia deu mais espaço para este tipo de jornalismo também, além do jornalista científico”, diz a profissional, mencionando ainda que o começo da pandemia e o isolamento social resultou no consumo excessivo de informação não só jornalística, como de televisão em geral, streaming e proliferação de lives — inclusive sobre saúde.

Próxima pandemia?

De acordo com o divulgador científico, países que enfrentaram a SARS, em 2002 e 2003, combateram essa pandemia de uma forma muito melhor, e os países que passaram pela MERS, estão lidando também muito bem com ela, então somente o novo coronavírus não serve como parâmetro para desanimar no caso de uma nova pandemia. O pesquisador disse ainda que muitos dos avanços no monitoramento de doenças respiratórias vieram de 2009, depois da pandemia do H1N1.

No Brasil, o especialista vê que o país sofreu muito com o desmonte das infraestruturas de saúde, o que pode ter colaborado para a situação em que nos encontramos agora, com o mesmo acontecendo nos Estados Unidos. “Estaríamos mais preparados se tivéssemos seguido essa inércia, mas também tem a atitude das pessoas. Agora, um problema afetou a vida de todos. Então eu tenho certeza que na próxima vez, se tiver uma gripe ou uma pneumonia exótica acontecendo na China, todo mundo vai estar pronto para guardar o álcool em gel e vai estar muito mais disposto a colocar uma máscara”, completa Átila.

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