Natureza ajuda o produtor rural no Amazonas

Sinalizando processo de transição do período de cheia para vazante, o ritmo mais lento das cheias do rio Negro neste ano, não trouxe grandes impactos de perdas na produção rural do Estado. A informação é do presidente da Faea (Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço.

Considerada dentro de um padrão de normalidade, ele afirma que o reflexo  econômico foi pequeno e não se refletiu em aumento de preços de produtos. “Houve como todos os anos de cheia em volume normal a necessidade de transferência de gado da várzea para terra firme. Na agricultura houve poucas perdas”. 

Muni complementa que em relação ao cenário atual, o setor rural de maneira geral vem mantendo crescimento, mesmo com a pandemia. Mas enfatiza que o setor não está imune à crise. “Segmentos do setor rural que fornece produtos para bares e restaurantes, que estavam fechados e reabriram recentemente”. 

Em conversa com o Jornal do Commercio em março deste ano, o presidente da Faea comentou sobre o cenário atípico bem diferente do mesmo período do ano passado. Que, segundo ele,  já registrava perdas na produção rural do Estado. A produção rural dos municípios, principalmente nas áreas de várzeas, que incluem os municípios nas calhas dos rios Juruá e Purus estiveram entre os atingidos. Impactando a produção de hortaliças e fruticultura, como maracujá e banana, além da alface e do cheiro verde, sofreram efeitos. 

Confirmando as estimativas à época, o quadro atual é considerado bem tranquilo. E já com o início da vazante, agora importa acompanhar o ritmo da descida das águas.

O Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas), informou que não registrou nenhuma ocorrência que justifique qualquer relação com a cheia. E disse que os produtores rurais estão trabalhando dentro da normalidade, mas com todos os cuidados por conta da pandemia. 

Conforme o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), no ano de 2019, o rio Negro atingiu a cota de 29,42 m. Essa cheia pode ser considerada uma cheia de grandes magnitudes, sendo a sétima maior cheia dos últimos 117 anos.  Ao atingir esse nível, o rio causa uma série de impactos à população manauara, a medida que inunda diversos bairros, entre eles o centro da cidade.

Este ano, o rio atingiu a cota máxima (28,52 m) em 18 de junho. Desde então o nível do rio vem baixando, indicando que não ocorrerão mais danos relacionados à inundações ao longo deste ano.

“Em termos práticos, as cheias do rio Negro em Manaus podem ser explicadas pelas variações observadas no comportamento do rio Solimões. Quando o nível do rio Solimões sobe muito, como ocorreu no ano passado, o rio Negro não consegue escoar facilmente na região dos Encontro das Águas, e o nível do Negro em Manaus acaba subindo. Esse ano, como a chuva que caiu em toda a bacia do Solimões foi observada dentro da normalidade, o nível do Solimões também não subiu muito. Em consequência disso, o nível do rio Negro em Manaus apresentou uma cheia regular, sem grandes impactos à população”, explicou a engenheira do CPRM Luna Gripp.

Relatório

No dia 10 de março, em parceria entre Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e Defesa Civil do Estado do Amazonas, com participação também do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas (SEMA), aconteceu o  “I Seminário de Definição de Cotas de Referência para Alerta Hidrológico da Amazônia Ocidental”. Foi apresentando o resultado parcial do trabalho em campo da definição de cotas de atenção, alerta emergência para a população e aos 09 (nove) municípios que participaram do trabalho, são eles: Coari, Beruri, Manacapuru, Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaus, Anamã, Iranduba e Codajás.

Conforme Luna Gripp, as informações coletadas nesse relatório já estão sendo utilizadas para o monitoramento das cheias. “Começou a anteceder o que acontece quando determinada cota é atingida. Com isso, fica mais fácil os órgãos atuantes se organizarem e darem uma resposta para eventos de inundação. As informações já estão sendo úteis. A Defesa Civil já teve acesso a essas informações e já estão sendo aplicadas, apesar do relatório final ainda não ter sido publicado de maneira oficial”, destacou. 

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