Um total de 60,7% das 417 empresas inovadoras do Amazonas – o equivalente a 243 delas – introduziu mudanças de produtos e processos com impactos ambientais positivos, entre 2015 e 2017. Os esforços foram concentrados em reciclagem de resíduos, águas residuais ou materiais para venda e/ou reutilização, apontados em 45,05% das pessoas jurídicas. A má notícia é que a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia ainda é marginal, sendo responsável por apenas 10,2% das situações.

Entre os fatores que contribuíram para a decisão de introduzir inovações que gerassem benefícios ambientais, destacaram-se a melhora da reputação (80,6%) adequação às normas ambientais (79,4%) e custos de produção elevados (75%). Em contrapartida, a disponibilidade de apoio governamental, subsídios ou outros incentivos foi o motivo menos frequente (12,2%). 

Os dados estão no módulo Sustentabilidade e Inovação Ambiental, da Pintec (Pesquisa de Inovação) 2017, divulgada pelo IBGE, nesta sexta (3). O levantamento é realizado a cada três anos. O módulo em questão introduz variáveis temáticas que visam identificar e qualificar o impacto dessas inovações no meio ambiente, assim como verificar alguns dos principais fatores que levaram as empresas à iniciativas do gênero.

O IBGE esclarece que uma inovação ambiental – ou ecoinovação – se refere à introdução de um novo ou aprimorado bem, serviço ou processo, para um novo método de comercialização, organizacional (práticas internas, de trabalho ou de relações externas à empresa), que geram benefícios ambientais em comparação com outras alternativas.

Sem relatório

Somente 11,3% do total das empresas do Amazonas, por outro lado, publicou relatórios de sustentabilidade e da produção de energia renovável, no período assinalado. No caso das companhias que contavam com projetos inovadores, o percentual foi mais do que o dobro (22,7%), embora ainda tímido. A produção de energia renovável, por outro lado, foi ainda menos relatada em ambos os grupos, sendo foco de 1,6% do total e de 1,1% entre as empresas inovadoras.

Das 103 empresas amazonenses inovadoras que publicaram os relatórios, 91,7% (95 delas) declararam que implementaram inovações de produto ou processo. Apenas sete produziram energia renovável e cinco implementaram inovações de produto e/ou processo.

O número relativo de empresas locais inovadoras com saldo ambiental positivo situou o Estado na terceira posição do ranking nacional, segundo o IBGE. O Amazonas só perdeu para as indústrias do Mato Grosso do Sul (82%) e do Mato Grosso (65%). Na outra ponta, estão Bahia (18,07%), Goiás (29,4%) e Rio de Janeiro (34,5%). Considerando somente as empresas que informaram grau de importância alto ou médio em cada categoria, a reciclagem de resíduos, águas residuais ou materiais para venda e/ou reutilização foi a categoria de impacto ambiental mais apontada (45,05% ou 142 empresas).

A substituição de matérias-primas por outras menos contaminantes (43,1% ou 110 empresas) e a menor contaminação do solo, da água, de ruído ou do ar (37,9% ou 96 empresas) também estão na lista. Já a redução da ‘pegada’ de carbono (produção total de CO2 pela empresa) foi apontada por 20,5% ou 53 empresas. A substituição da energia de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis foi apontada como ação realizada de impacto ambiental por somente 10,2%, que correspondiam a 26 empresas inovadoras.

Marketing x consciência 

O levantamento do IBGE também sinaliza que o marketing ainda se sobrepõe à consciência ambiental, ou mesmo à percepção de que a ecoinovacao pode gerar uma relação de custo e benefício mais compensatória para a empresa. Nada menos do que 80,6% das empresas amazonenses com inovações positivas para o meio ambiente (204) decidiram seguir esse caminho para melhorar a reputação. Atender normas ambientais existentes (201 e 79,4%), diminuir custos de energia, água ou matérias-primas (190 e 75,1%) também foram apontados como motivos para tanto.

Outros fatores econômicos e institucionais também foram apontados como motivadores por uma considerável parcela de empresas, a exemplo de ações voluntárias (166 empresas ou 65,6%), demanda de mercado (160 ou 63,2%), códigos de boas práticas ambientais no seu setor de atuação (159 ou 62,8%) e a necessidade de atender às normas ambientais futuras (140 ou 55,3%). Já a disponibilidade de apoio governamental, subsídios ou outros incentivos para a inovação ambiental foi a razão menos apontada (31 ou 12,2%).

Dinâmica positiva

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira, ressalta que os números de 2015 a 2017 não configuram uma tendência para as empresas do Amazonas, mas provavelmente para a atividade industrial do PIM – no qual despontam muitas companhias estrangeiras. O pesquisador, no entanto, avalia que os dados apontam para uma dinâmica positiva.   

“No Amazonas, para as indústrias inovadoras, a questão da sustentabilidade ambiental tem sido bem representativa. No tocante ao tipo de impacto, as empresas, em sua maioria, indicam a ocorrência na introdução de inovações desse tipo, o que mostra a preocupação com o meio ambiente. O fato do principal motivo ser a reputação indica que o consumidor também está mais exigente”, arrematou. 

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