Motoristas de aplicativo relatam perdas de mercado em meio à pandemia

Provocada pela pandemia do novo coronavírus, o número de corridas por meio de aplicativos desacelerou e já registra queda 80% nas solicitações. O baque ainda é maior para os  motoristas que alugam veículos para esse tipo de serviço, atualmente, algo em torno de 70%.

De acordo com o  motorista Thiago Puty, muitos colegas já devolveram os veículos, os quais são alugados. “No meu caso, a locadora concedeu desconto semanal e estendeu o vencimento das diárias. Ainda não repassaram o meu boleto com os valores”, diz ele, ao contar que ontem rodou das 17h até 23h e fez 8 viagens que renderam pouco mais de R$89. “Entre viagens curtas e longas. É uma diminuição drástica”, declarou. 

Josinei Abreu que também investiu no aluguel de veículo para exercer a atividade de motorista de aplicativo,  está preocupado com o cenário e teme que a queda acentue ainda mais nos próximos dias. “Eu não tenho a opção de ficar recluso em casa. Preciso ter uma renda. Tenho que cumprir o compromisso com o aluguel do carro. Além de outras despesas que eu não posso deixar de pagar. O ritmo é outro. Se isso perdurar não sei qual qual será a alternativa”, alegou. 

A mesma percepção é sentida por Leandro Bezerra, que antes dessa pandemia fazia mais de 35 viagens durante o dia. Agora, chega a 12 corridas. “Está  difícil. Para quem tirava uma boa quantia cair desse jeito. Estou tendo que me virar para pagar as prestações do carro. Fora alimentação, cartão, energia, água, net, telefone”.

Após os decretos obrigatórios anunciados pelo governo, as quedas nas viagens foram fortemente afetadas. É o que avalia o motorista Marcelo Silva. “Agora, as pessoas trabalham de casa. Não precisam sair para resolver compromissos diários. E todas as necessidades como compras, pagamentos são feitas pelo celular”, comenta Marcelo. “Além da preocupação com a doença, muitos motoristas precisam levar o sustento para casa. A maioria tem família que depende dos ganhos da atividade para sobreviver”, ressaltou. 

“A demanda está muito baixa. O intervalo entre uma viagem e outra chega a 40 minutos. Em meio a tudo isso, ainda estamos vulneráveis a assaltos. Eu estava acostumado a fazer uma média de 20 a 30 viagens por dia.  Hoje chega a 8 com muita sorte. E temos que torcer para conseguir boas viagens. O meu carro não é alugado, mas eu pago o aluguel para moradia”, desabafa o motorista Dennis Nogueira.

Endossando a instabilidade da categoria, o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Amazonas Alexandre Matias, falou que a maior parte dos condutores que trabalham com veículos alugados pagam na diária entre R$ 55 a R$ 60. Considerando que hoje estão  lucrando R$ 150 por dia. “O que seria R$ 50 do combustível que garante rodar cerca de cem quilômetros a depender do veículo e mais a diária. Em média eles estão voltando para casa com com pouco mais de R$ 50 a R$ 70. E isso depois de 15 horas a 18 horas de trabalho”. 

Segundo Alexandre, têm alguns que viram a noite para conseguir lucrar o que conseguiam antes da pandemia. “Essa é a situação agravante que o governo ainda não deu atenção. Essa redução no número de passageiros, reflete em todas as áreas. Os motoristas que ainda não devolveram os veículos para as locadoras, são os que estão rodando 16 horas por dia para se manter. Os demais, estão se mantendo, mas estão pagando prestações do veículos. O que faz agravar e muito a situação do motorista, além dos riscos em função da pandemia, passa pela angústia e estresse do cansaço para tentar equilibrar as contas”.  

Auxílio emergencial 

Os motoristas de apps estão na lista de beneficiados com o auxílio emergencial anunciado pelo do governo. Apesar disso, o presidente da associação garante que apenas alguns motoristas estão cadastrados como MEI. Outros fizeram a declararam o IR 2018 que ultrapassou os 28 mil de ganhos anuais, o que infringe as regras para a adesão do benefício. “Muitos irão ficar de fora. Vamos aguardar quantos condutores atendem aos requisitos”.

Campanha

A categoria vai lançar nesta quarta-feira uma campanha local para ajudar os motoristas de aplicativos mais afetados durante a pandemia. Por meio da liderança ADMS COMANDO  que detém mais 4 mil motoristas, a ação consiste em arrecadar doações de cestas básicas e alimentos não perecíveis. “Muitos motoristas estão em situação crítica. Vamos fazer um levantamento daqueles que mais estão precisando. E aqueles que estão sem liderança também podem nos procurar”, reforça o coordenador do ADMS COMANDO e idealizador da campanha, Tiago Rodrigues. Quem tiver interesse em ajudar pode entrar em contato através do número  99148-5658.

Empresas

A Uber anunciou um programa nacional, em suporte aos mais de 1 milhão de parceiros que a empresa tem no Brasil, em face da pandemia global de coronavírus (COVID-19). E mantém uma equipe multidisciplinar, disponível 24 horas por dia, para auxiliar as autA Uber implementou uma política para que qualquer motorista ou entregador parceiro que for diagnosticado com o COVID-19, ou tiver quarentena individual solicitada por uma autoridade de saúde ou por um médico pelo risco de disseminar o COVID-19, receba assistência financeira por até 14 dias, enquanto estiver impossibilitado de usar a plataforma. O valor da assistência financeira vai ser baseado na média diária de ganhos do parceiro nos seis meses anteriores a 6 de março: caso ele esteja usando o app há menos tempo, a média vai ser baseada nos ganhos desde a primeira viagem ou entrega  até o dia 6 de março de 2020. Os detalhes estão disponíveis no próprio aplicativo do parceiro, no Menu “Ajuda’ e depois em “Política de Auxílio” e neste blog.oridades de saúde pública em seu plano de resposta contra a pandemia. 

Em nota, a empresa 99 Pop esclarece que monitora diariamente os cenários envolvendo a pandemia do novo coronavírus e seus impactos no transporte de passageiros por aplicativos. A prioridade é garantir a saúde dos usuários e dos motoristas parceiros. Mas a empresa sabe da importância da renda para os motoristas parceiros e seu impacto na economia local. Por isso, está fazendo a doação de corridas para diversas cidades pelo Brasil nas quais 100% do valor é repassado ao motorista. Em Manaus são 10 mil corridas doadas pela 99 para a Prefeitura apoiar as ações dos profissionais de saúde.

Outra ação foi disponibilizar um fundo para ajudar motoristas que sejam diagnosticados com a Covid-19, de acordo com sua média de ganhos na plataforma. Este fundo foi criado pela DiDi, dona da 99, para atender a todos os mercados de atuação da empresa no mundo, no valor de US$ 10 mi.

Por fim, para auxiliar e orientar os usuários da plataforma, a 99 criou uma página dentro do seu site com orientações para motoristas parceiros e passageiros sobre o que fazer, quais os sintomas, onde buscar ajuda e outras informações com foco na prevenção. Há, ainda, vídeos educativos e um episódio do podcast "Papo de Motora" com orientações e dados sobre o fundo de ajuda aos motoristas diagnosticados com a Covid-19.

Fonte: Andreia Leite

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