Mineração irregular pode ser uma ameaça

A exploração de gás natural e de petróleo no Amazonas, desponta como a tão sonhada, “alternativa” econômica a Zona Franca de Manaus (ZFM). Há décadas essa atividade fortalece Coari e, o gás natural da reserva de Urucu gera grande parte da energia consumida em Manaus. Em Tefé, a petrolífera russa Rosneft, trabalha para transformar o gás em energia elétrica, para abastecer o Amazonas e outras regiões brasileiras. Desde outubro passado, a empresa Eneva iniciou em Itapiranga e Silves, no Médio Amazonas, obras para explorar o gás do Campo Azulão, destinado a produzir energia para abastecer Roraima, dependente atualmente da Venezuela. 

No caso específico da petrolífera Russa Rosneft, além de Tefé, sua área de influência também atinge o município de Carauari, cuja sede é mais viável como base de transporte aéreo e terrestre, onde já se instalaram duas empresas de locação de helicóptero para transporte de pessoal e de transporte urbano.

Com relação ao Campo do Azulão,  no momento, duas empresas contratadas pela Eneva executam as obras. Uma delas, empreiteira amazonense com sede em Manaus, conta com 153 trabalhadores, todos moradores do Estado; e a outra, que mantém uma filial na capital, atua com 98 funcionários, sendo 79% residentes locais. A expectativa da Eneva, é que durante o pico das obras, entre maio e junho deste ano, cerca de que 800 novos postos de trabalho sejam gerados pelas empresas contratadas, abrindo novas oportunidades para os moradores da região. Nesse primeiro momento, o Campo do Azulão já gera aproximadamente mil empregos, diretos e indiretos.

“Temos o modelo econômico da Zona Franca de Manaus, que vive sendo questionado de forma sistemática. Então, quando temos investimentos privados, fora do arcabouço da ZFM, como é o caso do gás de Azulão, é importante porque movimenta a economia local gerando empregos, melhora a arrecadação do Estado e proporciona desenvolvimento, possibilitando a diversificação da economia dos municípios envolvidos”, relata a prefeita de Itapiranga, Denise Lima.

Segundo a prefeita, os hotéis, restaurantes e supermercados são os que mais têm lucrado com a movimentação na cidade. O setor hoteleiro foi o que, de imediato, teve um impacto econômico positivo. Quanto à geração de emprego, já é visível a contratação da mão de obra local e a movimentação no comércio. “Nossa expectativa é que tenhamos, com o pico da obra, que ainda está por vir, mais contratações de itapiranguenses”, enfatizou a prefeita.

Para o prefeito de Silves, Aristides Queiroz, a obra no Campo de Azulão aquece o comércio e é possível ver o crescimento do fluxo de visitantes na cidade. “Um investimento nesta proporção mexe com a economia, não só de Silves, mas de todos os munícipios arredores. É notório o aumento no consumo e dos serviços locais. Conseguimos medir, principalmente, pelo aumento em 80% das vendas nas feiras” relatou.

Aristides Queiroz comemora a geração de emprego no município e articula, junto aos órgãos competentes do Amazonas, a realização de cursos profissionalizantes. “Houve uma contratação grande em Silves. Mas é importante que a população esteja qualificada para que tenha mais oportunidade de emprego. Nossa meta é trazer os cursos profissionalizantes para o município e estamos providenciando isso para a população”, explicou.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, afirmou que a exploração do gás natural no Campo do Azulão representará um novo ciclo de desenvolvimento econômico para o Estado e que a recuperação da rodovia AM-010 será fundamental para fomentar o desenvolvimento na região.

“O projeto abre novas perspectivas econômicas para o Estado, principalmente para os municípios onde está localizada a reserva, e para a região metropolitana como um todo, pois os royalties vão gerar riqueza e impulsionar outros projetos do governo para a região, como a recuperação da AM-010 e a implantação do Distrito Bio Agroindustrial da Amazônia, Polo Rio Preto da Eva”, disse o governador.

O Azulão foi descoberto pela Petrobras há mais de 20 anos e declarado comercial em 2004, mas nunca produziu desde então. Comprado pela Eneva há um ano, o campo será o primeiro projeto de produção de gás natural na Bacia do Amazonas.

Crédito: Divulgação

Euforia econômica nos municípios 

A euforia entre autoridades de Itapiranga e Silves, sobre as expectativas de melhorias econômicas naqueles municípios não é sem motivo. Nos próximos 30 meses, a petrolífera Eneva espera investir R$ 1 bilhão na infraestrutura que irá extrair o gás natural do Azulão e transportá-lo até Roraima. 

 “Vamos replicar no Amazonas e em Roraima as mesmas práticas que já exercemos no Maranhão e no Ceará, um trabalho sério, responsável e que contribui para o desenvolvimento econômico local, reforçando o compromisso assumido de crescer sempre de forma sustentável, gerando valor para a sociedade, investidores e nossos colaboradores, contribuindo para a segurança energética nacional’’, afirma o CEO da Eneva, Pedro Zinner.

As obras do Campo de Azulão serão intensificadas ao longo de 2020 para estruturar no local as atividades de exploração, produção, liquefação e tancagem do gás. Desde o início das obras, em outubro de 2019, as empresas contratadas pela Eneva para executar as obras estão comprometidas com a contratação de mão de obra local, priorizando os municípios onde o empreendimento está instalado e considerando também o estado do Amazonas como um todo.

Projeto Rosneft vai construir termelétrica em Carauari

Com relação ao projeto da petrolífera russa Rosneft  nos municípios de Tefé e Carauari, o projeto entregue ao governo do estado do Amazonas, em junho de 2016, inclui a construção de uma usina termelétrica em Carauari, bem como uma linha de transmissão de 790 quilômetros até Manaus, onde a usina seria interligada ao Sistema Nacional de Energia (SIN). 

Entre os benefícios do projeto para o Amazonas estaria uma estimativa de receita de aproximadamente R$ 50,5 bilhões, num período de 25 anos, na forma de royalties, participação especial e ICMS, além de promover a expansão da interiorização do atendimento elétrico aos municípios do Amazonas.

Urucu tem gás desde 1986

Na província petrolífera de do rio Urucu, no município de Coari, o petróleo jorra desde 1986 e, em 2009 o gasoduto Urucu-Coari-Manaus iniciou as operações com capacidade para transportar 5,5 milhões de metros cúbicos/dia. O gasoduto liga as unidades de produção localizadas no Polo Arara, em Urucu, até Manaus, que percorre um caminho de 663,2 quilômetros (trecho Urucu – Manaus), além de um total de 139,3 quilômetros em nove ramais para Coari.

Em Manaus, o gás natural é transformado em energia elétrica nas usinas Manauara, Tambaqui, Jaraqui, Aparecida, Mauá, Cristiano Rocha e Ponta Negra – Urucu-Coari-Manaus. Nelas ele gera 760 MW de energia elétrica. Além da produção de energia realizada pela Petrobras, o gás natural de Urucu também é canalizado destinado ao abastecimento industrial e residencial.

aspectos positivos e negativos para a exploração do gás natural

Positivo

ASPECTOS AMBIENTAIS: Por realizar combustão completa, o gás natural gera menores emissões de gases de efeito estufa em relação ao petróleo e carvão mineral; apresenta reduzido risco de acidentes, visto que possui densidade menor que a do ar, facilitando a sua dispersão na atmosfera em caso de vazamentos.

ASPECTOS ECONÔMICOS: A queima do gás natural gera grande quantidade de energia, diminui gastos com sistemas antipoluentes, proporciona maior durabilidade aos equipamentos em que é utilizado, requer baixo investimento em armazenamento, pois não necessita de estocagem.

ASPECTOS LOGÍSTICOS: O fornecimento é contínuo, por meio de gasodutos (redes de tubos), que ligam o produtor diretamente ao consumidor.

Negativo

ASPECTOS AMBIENTAIS: Embora os gases emitidos sejam em menor quantidade, esses gases contribuem para o aumento do efeito estufa; em locais de baixa concentração de oxigênio, se entrar em combustão, pode gerar monóxido de carbono (tóxico).

ASPECTOS ECONÔMICOS: Requer infraestrutura com custo alto para sua produção, instabilidade dos preços no mercado.

ASPECTOS LOGÍSTICOS: A concentração geográfica de suas jazidas. 

#colaborou Severino Neto

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