Medidas frustram expectativa do mercado

Após anúncio na redução no IPI, especialistas econômicos afirmam que as reformas válidas até o final de agosto não vão atender a principal necessidade de mercado: incentivar a facilidade de acesso a crédito. A estimativa é que a renúncia fiscal chegue a R$ 1,2 bilhão.
Segundo o proprietário da Martins Veículos, Eliéser Rabelo, as mudanças podem ser benéficas no que diz respeito ao fluxo de clientes nas dependências das concessionárias. “Quando o consumidor percebe que há uma queda nos preços, ele entende que talvez possa adquirir um carro mais equipado e aproveita para pesquisar”, diz.
Os caminhões também serão favorecidos com as novas taxas. A gerente-administrativa da Supermac – Máquinas e Caminhões da Amazônia, Záckya Cunha, concorda que a queda nos tributos pode incentivar os clientes a renovarem sua frota. “Com taxas mais baixas, pode ficar mais fácil adquirir motores mais modernos”, fala.
No entanto, o empresário Eliéser Rabelo alerta que as mudanças não serão sentidas imediatamente. Assim como em outros negócios, o setor de automóveis também trabalha com estoque e a medida só passa a valer para novos pedidos. “Quando o IPI sofreu aumento, os carros não amanheceram mais caros de um dia para o outro. O mesmo vai acontecer dessa vez”, explica, referindo-se ao prazo de 45 dias para renovação de estoque.
Para o assessor de economia da Fecomércio, José Fernando Pereira da Silva, o gráfico de avanços econômicos no setor de vendas de automóveis pode sofrer impacto positivo inicial, mas diz não acreditar na durabilidade do artifício. “A inadimplência pode aumentar ainda mais”, deduz. Dados da FCDL-AM (Federeção das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas) apontam que índice nacional de inadimplência era de 5,6% no começo desta semana. Em Manaus, esse número atingiu a marca de 3,5%.
De acordo com o presidente da FCDL-AM Ralph Assayag, a maior barreira enfrentada pelo setor automobilístico e de bens de capital está diretamente ligada à postura dos bancos nacionais. “A cada cem solicitações de financiamento bancário, apenas cinco ou seis são aprovadas”, afirma.
“Enquanto esse comportamento não mudar, o governo continuará tentando aplicar medidas que não chegam ao consumidor”, alerta o presidente da CDL-Manaus, Ezra Benzion. Ele sugere que medidas como a redução na burocracia surtiria mais efeitos.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) pronunciou-se através de nota e garante apoio aos incentivos econômicos anunciados pelo governo federal. “Estas medidas contribuirão para acelerar o crescimento, para a expansão do crédito a taxas maiores que o crescimento do PIB”.

Como vai funcionar

O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos automóveis vai reduzir de acordo com as características dos veículos. Os carros populares –com o máximo de mil cilindradas–, ficarão isentos da tributação caso estejam dentro do regime automobilístico nacional. No caso dos carros não habilitados, a alíquota cai para 30% (o valor anterior era de 37%).
Para automóveis com cilindradas entre mil e 2 mil, a redução do IPI será de 41% para 35,6%. O combustível utilizado também pesa na hora de definir o novo imposto. Movidos à gasolina, o IPI cai para 36,5% – a cobrança original era de 46%. O preço de veículos com até mil cilindradas cai em 2,5%. Para carros com até duas mil cilindradas, a queda chega a 1,5%.
A taxa de juros para financiamento de caminhões cai de 7,7% para 5,5% ao ano com até 120 parcelas. Vale destacar que todas as mudanças são válidas apenas até o dia 31 de agosto deste ano.

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