Brasileiro não prioriza saneamento

Pesquisa Ibope mostra que pouco mais da metade da população brasileira, 55%, afirma acreditar possuir tratamento de esgoto, mas não trata o saneamento como um dos principais problemas a serem solucionados pelo poder público. Os dados sobre a percepção do brasileiro sobre o saneamento básico foram encomendados pela Trata Brasil e divulgados ontem na capital paulista.
Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados afirmaram ter esgoto ou córrego a céu aberto em local próximo de onde moram, principalmente no Nordeste do país. “O avanço econômico não se transforma em avanço social”, avalia Édison Carlos, presidente executivo do Trata Brasil.
Quando questionados sobre quais problemas deveriam ser resolvidos pelas autoridades, o esgoto aparece em 6º lugar na opinião dos entrevistados. Antes estão saúde, segurança, drogas, educação e transporte.
O saneamento perde, por exemplo, para a saúde, com 78% dos entrevistados que acreditam ser este último um problema maior, contra 3% que defendem medidas para melhorar o saneamento.
Ao todo, 97% dos entrevistados disseram ter coleta de lixo, 93% afirmaram ter abastecimento de água, 66% têm serviço de retirada de entulho e 48% limpeza de bueiros.
Contando somente a rede de coleta, 71% dos entrevistados disseram ter as casas ligadas à rede, 25% afirmaram não estar conectados e 16% responderam ter fossa sépticas ou rudimentares. Metade disse que não pagaria por esse serviço e considera que paga caro pela conta de água.
De acordo com a pesquisa, a maioria dos entrevistados sabe o que é saneamento. Enquanto em 2009, quando a pesquisa foi feita pela primeira vez, 31% diziam não saber o significado de saneamento, agora esse percentual caiu para 13%.
Os entrevistados, no entanto, desconhecem para onde vai o esgoto: 49% afirmaram que vai para a natureza, soma de rios, mar, córregos e ruas, e 19% disseram que vão para um centro de tratamento.
“Nossa intenção foi saber o grau de conhecimento da população sobre o saneamento e o que ela faz para cobrar isso das autoridades”, afirma Hélio Gastaldi, diretor do Ibope Inteligência. “Hoje vimos que o brasileiro já cita serviços de esgoto, água, limpeza e coleta de lixo. Apenas 13% não emitem uma resposta. Mas a mobilização mostra-se com uma atuação quase que nula.”
Segundo os dados, 75% não cobraram medidas de melhoria e, quando questionados sobre que tipo de melhorias deveriam ser feitas, a maioria disse que não saberia afirmar como resolver esse tipo de problema (25%).
Para os entrevistados, essa atribuição é da prefeitura (68% das respostas), mas esta também deve ser a fiscalizadora para a maioria dos ouvidos pela pesquisa (55%). “Isso mostra o desconhecimento sobre as responsabilidades”, diz Gastaldi. E 55% afirmam que as prefeituras não têm se esforçado.
As respostas foram agregadas nas regiões Sudeste (56%) e Nordeste (19%), e a amostra abrangeu também 64% das capitais do país.
Com relação aos temas que levará em conta na hora de escolher um candidato este ano, esgoto aparece apenas em 9º lugar. Para 51%, os candidatos terão essa preocupação e 39% considera que não. Segundo 41%, as promessas feitas nesse tema não foram cumpridas.
Entre as consequências da falta de saneamento, 70% das respostas relata doenças, 44% cheiro ruim, 41% presença de ratos e 20% contaminação do solo. A percepção das doenças é maior no Nordeste. E a mais percebida é a dengue.
Foram feitas 1.008 entrevistas em 26 cidades com população de mais de 300 mil habitantes de 24 a 29 de março de 2012. Com relação ao perfil dos entrevistados, 55% foram mulheres, com idades acima de 30 anos, da classe C (54%).

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