9 de maio de 2021

Mais pessoas pretendem voltar ao mercado de trabalho

A perda de fôlego na recuperação econômica contribuiu para que o desemprego parasse de subir, no Amazonas, em novembro. A taxa estabilizou em 18,8% (314 mil pessoas), superando os registros de setembro (18,2%), agosto (17,9%), julho (17%), junho (15,1%) e maio (12%) – mês em que comércio e indústria ainda estavam parados, em virtude das medidas de isolamento social. A quantidade de pessoas que não buscaram emprego em razão da pandemia ou falta de trabalho caiu para 376 mil e segue tendência de queda. 

O número de amazonenses no trabalho informal, por outro lado, saltou de 708 mil para 709 mil, elevando a taxa para 52,2%, situando o Estado no segundo lugar do ranking brasileiro e bem acima da média nacional (34,5%). Em paralelo, 73 mil estavam afastados do trabalho, em outubro, em virtude das medidas de distanciamento social e 19 mil deixaram de receber remuneração na semana da pesquisa – contra 80 mil e 21 mil, em outubro. Os dados estão na Pnad Covid19, divulgada nesta quarta (23), pelo IBGE.

Entre as 4,066 milhões de pessoas residentes no Estado, 3,009 milhões (74%) tinham 14 anos ou mais e estavam aptas a trabalhar, conforme o IBGE. Os amazonenses na força de trabalho eram 1,674 milhão (55,6%), sendo que 1,360 milhão estavam ocupados (45,2%) e 314 mil, desocupados – no mês anterior, foram 1,654 milhão, 1,343 milhão e 312 mil, respectivamente. A taxa de desocupação do Amazonas (18,8%) foi a quinta maior do país e mais elevada desde início da pesquisa. Maranhão (21,7%) e Santa Catarina (7,6%) ficaram nos extremos do ranking.

O total de amazonenses fora da força de trabalho caiu de 1,352 milhão para 1,335 milhão, na passagem de outubro para novembro. Já a fatia dos trabalhadores que, embora não tenham procurado emprego, admitem que gostariam de trabalhar (2,307 milhões) subiu em relação a outubro (2,293 milhões), superando setembro (2,305 milhões), agosto (2,283 milhões), julho (2,276 milhões), junho (2,285 milhões) e maio (2,245 milhões). 

Em sintonia com a flexibilização econômica e retomada gradual dos índices de produção e vendas, o número de pessoas que deixou de buscar emprego em virtude da pandemia ou falta de oferta vem caindo desde maio, quando chegou a 560 mil. Passou de 496 mil para 484 mil entre junho e julho, chegando a 446 mil, em agosto, e 409 mil, em setembro, para não passar dos 386 mil, em outubro, e culminar em 376 mil, em novembro.

Atividades e informalidade 

Das 1,360 milhão de pessoas ocupadas no Amazonas, em novembro, 35,95% (489 mil) trabalhavam “por conta própria”, uma queda relativa ante outubro (490 mil). Em torno de 333 mil (24,5%) atuavam no setor privado com carteira assinada e 146 mil (10,7%) eram militares e servidores estatutários. Em torno de 120 mil estavam ocupados no setor privado sem carteira assinada – menos do que os 125 mil de outubro. A categoria de trabalhador familiar auxiliar passou de 109 mil para 117 mil pessoas, de um mês para o outro. 

Pelo menos 709 mil trabalhadores do Amazonas (52,7%) estavam na informalidade em outubro, o maior número desde maio (641 mil e 49%), superando também junho (681 mil), julho (652 mil), agosto (668 mil), setembro (700 mil) e outubro (708 mil). Com isso, a taxa de informalidade do Estado ficou bem acima da média nacional (34,5%). Em paralelo, a maioria esmagadora (40 mil) dos trabalhadores domésticos no Amazonas (45 mil) segue sendo não celetista. 

O grupo de atividades de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais ainda reúne a maior quantidade de trabalhadores no Amazonas (272 mil), uma altao de 2,64% sobre outubro (265 mil). A atividade está inserida no setor de serviços, que também registrou destaques positivos em transporte, armazenagem e correio (74 mil), e informação comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (103 mil), embora tenha estagnado em alojamento e alimentação (109 mil). 

Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (206 mil) veio em segundo lugar. Na sequência vieram agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (202 mil), indústria geral (127 mil) –110 mil na indústria de transformação e 17 mil na extrativa –, e construção (82 mil). Foram registrados decréscimos no comércio e na indústria, em relação aos dados de outubro (208 mil e 133 mil, respectivamente), enquanto agropecuária e construção avançaram.

Em torno de 73 mil amazonenses permaneciam afastados do trabalho, em outubro, número inferior aos de outubro (80 mil), setembro (102 mil), agosto (116 mil), julho (182 mil), junho (271 mil) e maio (367 mil). Para 39 mil (53,42%), o motivo foi o distanciamento social. Pelo menos 19 mil deixaram de contar com remuneração no período – menos do que os 21 mil de outubro e os 27 mil de setembro –, enquanto os 54 mil restantes continuaram recebendo ou já não eram remunerados. 

Entre os 1,287 milhão de trabalhadores amazonenses que se mantiveram ocupados sem serem afastados no mês passado, 45 mil (3,5%) trabalhavam de forma remota. A série historia da sondagem do IBGE aponta para um decréscimo significativo entre maio (87 mil e 9,3%) e outubro (47 mil (3,7%) – passando por junho (65 mil e 6,2%), julho (61 mil e 5,5%), agosto (62 mil e 5,2%) e setembro (52 mil e 4,2%). Quanto ao recebimento do auxílio emergencial, 56,8% dos domicílios do Amazonas receberam o benefício, em novembro, de R$ 545, em média – contra os 58,7% e R$ 691, de outubro. 

“Posição desconfortável”

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que os dados da Pnad19 mostram uma pequena melhora no número de ocupados. O pesquisador ressalva, contudo, que a força de trabalho – que é formada também pelos desocupados – cresça a cada mês, em sintonia com a maior flexibilização econômica do período.

“É necessário que a oferta de vagas seja superior à entrada de pessoas na força de trabalho, para que a taxa de desemprego reduza. A alta informalidade manteve-se estável em relação ao mês anterior, o que coloca o Estado numa posição desconfortável quanto à qualidade da contratação dos trabalhadores. Os trabalhadores afastados do seu trabalho mantiveram-se no nível, o que significa que estes só irão retornar quando houver plena segurança”, encerrou. 

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