8 de maio de 2021

Lojistas de Manaus apresentam confiança em dezembro

A confiança dos lojistas de Manaus avançou pela segunda vez seguida, na passagem de novembro para dezembro, após a meia volta de outubro. A capital seguiu trajetória inversa à da média nacional, a despeito da alta mais modesta. O otimismo foi puxado pela melhor percepção sobre estoques e percepção sobre a economia atual, com reflexos na intenção de investir. Os índices mais elevados, contudo, seguem nas expectativas. Os dados são do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), medido pela CNC.

O indicador da CNC registrou 122,8 pontos em Manaus, ficando 0,6% acima da marca de novembro (122 pontos), mas se manteve abaixo do nível de abril (126,2 pontos) – mês de auge da crise da covid-19, no Amazonas. No confronto com dezembro do ano passado (139 pontos), foi mantido um decréscimo de 11,7%. No Brasil, o índice caiu 0,5% em dezembro (108,5 pontos), esboçando a primeira redução desde junho. Na comparação anual, registrou queda de 13,3%, ficando 20 pontos abaixo do nível pré-pandemia.

Apurado entre os tomadores de decisão das empresas, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento. Pontuações abaixo de 100 representam insatisfação, enquanto marcações de 100 até 200 são consideradas de satisfação. A Confederação Nacional do Comércio sondou 6.000 empresas de todas as capitais do país – 164 delas, em Manaus. 

Três dos nove subíndices do Icec sofreram retração mensal. Os melhores índices de crescimento se deram na avaliação sobre situação atual dos estoques/SAE (+11,1% e 103,8 pontos), condições atuais da economia/CAE (+3,7% e 114,9 pontos) e nível de investimento das empresas/NIE (+2,3% e 117 pontos). Os decréscimos mais significativos se situaram no indicador de contratação de funcionários/IC (-3,7% e 138,2 pontos) e expectativa para a economia brasileira/EEB (-1,4% e 169,4 pontos). Todos os subíndices se mantiveram no nível de satisfação, com destaque para as expectativas.

Contratações e investimentos

A maioria dos entrevistados (42,5%) de Manaus considera que a situação atual da economia brasileira “piorou um pouco”. Em seguida estão aqueles que dizem que “melhorou um pouco” (39,4%), os que avaliam que “piorou muito” (10,3%) e os que garantem que “melhorou muito” (7,7%). Os números sofreram relativa melhora ante novembro – 45,5%, 37,2%, 10,4% e 7% respectivamente. A percepção de melhora foi mais acentuada nas empresas com mais de 50 empregados e que vendem bens semiduráveis.

Ainda há mais otimismo nas avaliações sobre as condições atuais do setor e da empresa, onde a maioria acha que “melhorou um pouco” (44,7% e 44,9%, na ordem), apesar dos números mais fracos ante novembro. Os que consideram que “piorou muito” são minoria, em ambos os casos (6,5% e 6,7%), e se concentram especialmente entre as companhias de menor porte que trabalham com bens semiduráveis (sobre o setor) e não duráveis (sobre a empresa). 

A opinião majoritária em relação às expectativas para a economia ainda é que vai “melhorar um pouco” (46,5%), seguida pelos que acreditam que vai “melhorar muito” (38,7%) – e novamente com números mais fracos do que os de novembro. O otimismo é maior para o setor (47,7% e 42%, respectivamente) e para a empresa (48,1% e 44%). A satisfação é maior entre as companhias com mais de 50 trabalhadores e nos segmentos de semiduráveis (setor) e de duráveis (empresa).

Há reversão de pessimismo nas intenções de investir, mas não de contratar. A maioria absoluta (71,4%) diz que o contingente deve “aumentar pouco”, seguida de longe pelos que avaliam que pode “reduzir pouco” (17,6%) – contra os 69,6% e 14,2% anteriores. Em contraste, a percepção sobre aportes de capital no próprio negócio ainda apontam para “um pouco menor” (43,5%) ou “um pouco maior” (23,6%) – no mês anterior, foram 45,9% e 28,5%. Em ambas as situações, as estimativas positivas predominam nas empresas maiores.

Estoques e pandemia

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que o setor vinha de uma trajetória crescente, desde a reabertura das lojas, em junho, até esbarrar em problemas de desabastecimento, a partir de setembro, com reflexos na inflação e no potencial das vendas. O dirigente ressalva que o decréscimo não tirou a crença do empresariado no crescimento para o próximo ano.

“Faltava navio e contêiner, e a disparada do dólar não ajudou. Não obstante, o que se percebe é que a expectativa é de alta, e que 2021 será um ano positivo, com crescimento mais sólido. Até porque, depois do pico da covid-19, conseguimos crescer um pouquinho, além de contratar mais temporários, mesmo com esses problemas. E os estoques começam a adquirir regime de normalidade. Se não tivermos mais nenhum dos problemas vividos em 2020, que foi um ano atípico, teremos um 2021 com mais faturamento e empregos”, considerou.

Auxílio emergencial

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, a economista da entidade responsável pela pesquisa do Icec, Izis Ferreira, explica que o agravamento da pandemia e a perspectiva de fim do auxilio emergencial, no início de 2021, injetou mais incertezas no setor e deve impor novos desafios de recuperação para os próximos meses. “Diminuiu a proporção de empresários que esperam melhora na atividade no curto prazo, bem como no desempenho do varejo. Já a intenção de investimento na empresa ainda mantém alguma evolução, pois fatores como a manutenção das taxas de juros em nível baixo favorecem o acesso ao crédito”, ponderou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, lembra que, a despeito da sazonalidade favorecer as vendas do período, a inflação e a retirada dos estímulos federais anti-crise preocupam o consumidor e o setor. “Dezembro é o mês mais importante do varejo, em número de vendas. Este ano, apesar da pandemia, o IBGE tem mostrado que o desempenho do comércio vem melhorando, e a própria CNC revisou a expectativa de consumo para um crescimento real de 3,4%. Mas, a redução no valor do benefício emergencial e pressões sobre os custos e preços são fatores que ajudam a explicar essa pequena redução observada na confiança”, concluiu.

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