Prévia do PIB mostra estagnação econômica no Amazonas

A prévia do PIB de outubro apontou para uma desaceleração do Amazonas, na contramão da média nacional. O Estado recuou 1,04% ante setembro, em contraste com o crescimento robusto do mês anterior (+3,68%). O Estado ainda conseguiu subir 2,33% ante outubro de 2019, mas seguiu com menos força do que no mês anterior (+3,97%). Com isso, ficou ainda longe de reverter as perdas da pandemia e tirar o acumulado do vermelho (-3,91%). Os respectivos números nacionais foram +0,86%; -2,61% e -4,92%.  

Na média móvel trimestral, o PIB amazonense subiu nada menos do que 16,37%, na comparação do aglutinado de agosto-outubro – já afetado pelo desabastecimento, alta do dólar e inflação – com maio-julho – ainda marcado pela saída do período mais duro da pandemia para um momento de flexibilização econômica. A boa notícia é que, ante o mesmo trimestre do ano passado – base de comparação que já sinalizava números mais fortes pela sazonalidade –, já aparece um aumento de 1,58% no volume de bens e serviços produzidos em nível local.

Os dados são do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central). Visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, o indicador é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica e ajuda a autoridade monetária a decidir sobre a taxa básica de juros, além de ajudar investidores e empresas a adotarem medidas de curto prazo. A metodologia é diferente da empregada pelo IBGE, que calcula o PIB brasileiro.

Desde abril, quando atingiu seu nível mais baixo, o IBC-Br do Amazonas seguia positivo, sendo que setembro já havia assinalado a quinta alta consecutiva do indicador. O comparativo de outubro, contudo, perdeu força. Embora incorpore dados sobre os setores da indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos, o cálculo do BC não informa o desempenho de cada um. Dados do IBGE, por outro lado, já haviam apontado a continuidade do processo de recuperação da economia amazonense, em setembro, com reflexos positivos também na arrecadação estadual, segundo a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda).

Setores e arrecadação

Depois de avançar 5,5% no levantamento anterior, a atividade industrial amazonense reduziu a marcha, e registrou retrocesso de 1,1%, na passagem de setembro para outubro de 2020. A manufatura do Amazonas também fechou novamente no azul na comparação com o mesmo mês de 2019 (+5,2%), mas a performance foi bem inferior à apresentada em setembro (+14,2%). Os acumulados do ano (-8,9%) e dos últimos 12 meses (-10,6%), por sua vez, seguem devendo.

Em paralelo, o varejo amazonense avançou 1,8%, entre setembro e outubro, depois do decréscimo do mês anterior (-2,1%). Em relação ao resultado de outubro de 2019, o volume de vendas ainda escalou 15,4% – contra os 13,3% de setembro deste ano. Pela quarta vez seguida, desde a eclosão da crise da covid-19 no Estado, o comércio local fechou o acumulado do ano no azul (+6,8%), além de se manter ascendente no aglutinado dos 12 últimos meses (+7,3%). 

Já o volume de serviços caiu 3,8% frente a setembro de 2020, em desempenho bem aquém ao do levantamento anterior, já revisado (+5,1%). No confronto com outubro de 2019, a trajetória também recuou, retornando ao terreno negativo (-1,5%) – contra os +8,7% de 30 dias antes. O acumulado do ano (-0,7%) continuou no vermelho, ao passo que o aglutinado de 12 meses ainda cresceu 0,9%. Mas, o Estado só foi batido pela média nacional (+1,7%, -7,4%, -8,7% e -5,8%, respectivamente) na variação mensal.

Dados da Sefaz, por outro lado, indicam que a receita tributária estadual registrou nova alta anual em outubro, mas perdeu força em relação ao mês anterior. A soma de impostos, taxas e contribuições totalizou R$ 1,16 bilhão nominais, com incremento de 20,57% sobre outubro de 2019 (R$ 965,22 milhões) e queda de 1,69% ante setembro de 2020 (R$ 1,18 bilhão). O acumulado rendeu expansão nominal de 8,15, com R$ 9,78 bilhões (2020) contra R$ 9,04 bilhões (2019) – e a diferença foi de 4,97%, descontada a inflação.

Repique sem auxílio

O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, avaliou que a desaceleração do PIB do Amazonas já era previsível, em face do corte pela metade do auxílio emergencial – em face de sua capacidade indutora de demanda no varejo, produção industrial do PIM e arrecadação de tributos. Outro fator a ser considerado também é o repique de casos de covid-19, em nível local e mundial.

“O efeito de uma segunda é algo que vemos mais forte ainda. São Paulo já está tomando esse cuidado e o Amazonas também registra alta e, agora, há a mutação do vírus na Inglaterra. Esses fatores podem estar associados ao recuo. Mas, coloco como o principal a questão do auxílio emergencial. A indústria da ZFM é um bom termômetro da economia nacional, porque produzimos par ao mercado interno. A partir do momento em que há uma queda de consumo, o modelo também absorve isso internamente. E essa tendência deve prosseguir no primeiro trimestre de 2021”, assinalou.

Francisco de Assis Mourão Junior também não exclui a possibilidade de que outros fatores, como o desabastecimento na indústria e no varejo, a escalada do dólar e o repique inflacionário também tenha contribuído com sua cota para um menor desempenho na produção de bens e serviços, no Amazonas, em outubro. Mas, o presidente do Corecon-AM, que previa um PIB negativo em até 6% neste ano, observa que o fechamento de 2020 já sinaliza ser melhor do que se esperava. “Ainda assim, vou ser pessimista por achar que vai fechar com queda de 2%”, arrematou. 

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