19 de abril de 2021

Instabilidade política afeta aportes no PIM

As incertezas políticas e econômicas enfrentadas pelo Brasil, no último quinquênio, reduziram sensivelmente a disposição dos investidores de apostar no país. Em paralelo, os aportes produtivos no PIM também sofreram refluxo, no mesmo período, tanto para novos empreendimentos submetidos à análise do CAS (Conselho de Administração da Suframa), quanto para as empresas já instaladas na capital amazonense. Lideranças do PIM argumentam, no entanto, que o problema é contingencial e que a ZFM segue firme e forte, embora precise diversificar e apostar na consolidação de sua cadeia produtiva.

O volume de investimentos previstos nos projetos submetidos ao crivo do CAS vem sendo decrescentes nos últimos cinco anos, a despeito do número de projetos aprovados ter se mantido relativamente constante, conforme indicam dados da própria autarquia. De 2016 para 2017, o valor injetado pelas propostas caiu 16%, de US$ 2,5 bilhões para US$ 2,1 bilhões. O valor se manteve em 2018, mas despencou 47,62% em 2019 (US$ 1,1 bilhão), mantendo-se no mesmo patamar, ao final de 2020.

Os números mais recentes dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, referentes ao acumulado até novembro de 2020, indicam que os investimentos produtivos da indústria incentivada de Manaus seguiram em trajetória ascendente, em 2015 (US$ 8.08 bilhões), 2016 (US$ 8.42 bilhões) e 2017 (US$ 9.14 bilhões), a despeito das turbulências políticas e econômicas do período. Em 2018 (US$ 8.88 bilhões), a tendência se inverteu para queda, o que foi prosseguido em 2019 (US$ 8.55 bilhões). Os dados parciais de 2020 (US$ 6.86 bilhões), por outro lado, não permitem muito espaço para otimismo.

Os segmentos industriais do Polo Industrial de Manaus que atraíram maiores injeções de capital produtivo, entre janeiro e novembro do ano passado, foram os de eletroeletrônicos (US$ 2.20 bilhões), termoplásticos (US$ 1.14 bilhão) e de duas rodas (US$ 1.01 bilhão). Os três responderam por 24,79%, 7,12% e 12,37%, respectivamente do faturamento acumulado naquele período (US$ 20.91 bilhões). 

Todos os três, assim como a maioria, experimentaram queda nos investimentos, no período assinalado. Subsetores tradicionais, como o relojoeiro, amargaram resultados ainda piores na comparação de 2019 (US$ 73.63 milhões) com 2020 (US$ 52.26 milhões) –número que não sinaliza ser muito melhor, quando a sondagem de dezembro for revelada. Na contramão, segmentos como o de produtos alimentícios conseguiram resultado ainda melhor no levantamento parcial de 2020 (US$ 100 milhões), na comparação com os dados consolidados de 2019 (US$ 72.07 milhões).

“Crise sem precedentes”

Indagado sobre a retração dos investimentos no PIM, o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Nelson Azevedo, lembra que o país atravessou uma crise sem precedentes, no período assinalado. Nesse sentido, prossegue o dirigente, seria de se esperar que as recessões de 2015 e de 2016, e os crescimentos pífios do PIB registrados em 2017, 2018 e 2019, tivessem impactado na produção e vendas de bens de consumo, especialidade do PIM –com as consequentes intenções de investir. 

“Mesmo nos melhores momentos, a indústria não cresceu, mas apenas passou por breves momentos de recuperação. E, quando as coisas pareciam que estavam se encaminhando para um cenário melhor, no começo de 2020, fomos atropelados pela pandemia, que nos impactou com férias coletivas, redução de salário e algumas demissões. Depois da primeira onda, tivemos um aquecimento, mas passamos por problemas de abastecimento de insumos, algo que ainda não acabou, principalmente depois que fornecedores de outros Estados começaram a sofrer restrições, em virtude da segunda onda”, resumiu. 

Pelos mesmos motivos, prossegue o vice-presidente da Fieam, a indústria incentivada de Manaus reduziu sensivelmente os aportes produtivos a partir de 2017. Segundo o executivo, houve um pequeno atraso aparente nessa situação, dado que os aportes estavam programados, mas as incertezas e instabilidades experimentadas pelo país naquele período puxaram os números para baixo, tanto para o dia a dia das empresas já instaladas no parque fabril da capital amazonense, quanto para os investidores em potencial, atraídos pelas vantagens comparativas da ZFM. 

“Mas, é importante dizer que, passados esses 54 anos da criação da Zona Franca, e apesar de todas as dificuldades, nosso modelo ainda é foco de investimentos internacionais, sendo aquilo que ainda salva nossa economia. E o fato de que os investimentos aumentaram na primeira reunião deste ano confirmam que seguimos em um processo de recuperação, após o período de estagnação pelo qual passamos. Temos muitas esperanças de que as coisas vão melhorar”, amenizou.   

Leque maior

No entendimento do presidente do SIMMMEM, o PIM conta atualmente com um leque significativo de produtos, mas é necessário expandir a oferta, além de consolidar e ampliar a cadeia produtiva de componentes, partes e peças. Azevedo conta que vem participando de conversas com os próprios fabricantes de bens finais nesse sentido, além de representantes do governo federal, para tentar viabilizar políticas que tornem isso possível.

“Vejo que, nestes últimos anos, o CAS apreciou muitos projetos para componentes eletrônicos, indústria mecânica e metalúrgica, além de linhas de produção de ar- condicionado, por exemplo. Tentamos emplacar a produção local de respiradores e EPIs, mas o esforço acabou sendo inviabilizado. O subsetor relojoeiro, infelizmente, passa por uma crise, em virtude das falsificações e contrabandos. Já o polo componentista vem se esvaindo, por isso estamos lutando para consolidar a cadeia local de suprimento de bens intermediários, e minimizar situações como a que vivemos hoje”, arrematou.

Foto/Destaque: Divulgação

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