Influência de Bolsonaro nas eleições municipais em Manaus

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) será o maior cabo eleitoral nas eleições municipais de 15 de novembro em Manaus, segundo avaliam cientistas políticos. O coronel Alfredo Menezes (Patriota) é apontado como o único candidato que tem, realmente, chances de ser apoiado pelo presidente da República na corrida à prefeitura da capital, ainda que o atual mandatário tenha descartado interferir no primeiro turno da disputa.  

O ex-superintendente da Suframa, onde esteve por quase dois anos, é amigo há pelo menos 40 anos de Jair Bolsonaro e diz conhecer de perto as propostas do presidente. Eles são muito próximos. As famílias dos ‘velhos amigos’, que se conheceram durante o curso para formação de oficiais na academia militar, mantêm grandes laços de amizade até hoje.  

E não é  à toa que, logo no início da campanha nas ruas da capital (no domingo, 27), Alfredo Menezes fez questão de exibir uma chamada de vídeo com o presidente –numa clara demonstração aos eleitores de que, realmente, Bolsonaro fecha com a sua candidatura a prefeito.

“Sou o único candidato que tem o DNA do presidente Jair Bolsonaro”, diz o coronel Menezes, um bordão que já vem se popularizando na capital nessa época de corrida eleitoral. Para mostrar que ele realmente é o preferido do presidente, Menezes anunciou que o vice-presidente Hamilton Mourão virá em outubro a Manaus para oficializar o apoio à sua candidatura.

Menezes e Mourão também são muito próximos, velhos conhecidos. O coronel já foi padrinho de um de seus casamentos. Portanto, tudo conspira positivamente para tornar o ex-superintendente da Suframa o próximo prefeito de Manaus.

O cientista político Helso Ribeiro prevê um segundo turno nas eleições se o presidente da  República decidir apoiar algum candidato em Manaus. “Bolsonaro pode garantir uma larga margem de votos, já que acumula um aumento de 40% na aprovação de seu governo, segundo indicam as últimas pesquisas”, diz ele. “As chances de uma segunda fase na disputa são muitos grandes na capital”, acrescenta.

Ao lado do coronel Menezes, existem pelo menos mais três prefeituráveis que se dizem bolsonaristas legítimos –Capitão Alberto Neto (Republicanos), Chico Preto (DC) e Romero Reis (Novo). Todos eles defendem propostas que se alinham com a visão política do presidente da República.

Também militar de carreira, Alberto Neto iniciou as campanhas nas ruas repetindo as mesmas propostas veiculadas nacionalmente por Bolsonaro –mais segurança, distribuição mais justa de renda, rigor na fiscalização do dinheiro público e prisão para os corruptos.

Bolsonaro tem tudo para eleger o próximo prefeito de Manaus. Foi bem votado nas eleições presidenciais em três municípios do Amazonas, principalmente na capital. E ainda: a concessão do auxílio emergencial nessa época de pandemia turbinou a sua popularidade, segundo Helson Ribeiro.

“A Covid-19 fez bem ao presidente, porque a popularidade dele vem aumentando. A classe social popular tem visto ele com outros olhos por conta do auxílio emergencial. Se você der algo, será visto como um líder. Essa situação contribuiu para o crescimento na política”, analisa o cientista.

Indecisos

Divulgada recentemente, uma pesquisa da DMP sobre as eleições municipais mostrou, porém, que 81,2% dos eleitores ainda não conseguem decidir em quem votar no Amazonas. É que muita gente está cética com os inúmeros escândalos de corrupção envolvendo políticos em todas as esferas da administração pública.  Mas essa realidade tende a mudar à medida que se aproxima o dia das eleições que ocorrerá em 15 de novembro, preveem analistas.

Na avaliação do cientista Carlos Santiago, um possível apoio do presidente Jair Bolsonaro ainda não seria suficiente para levar o candidato ao segundo turno nas eleições em Manaus. Apesar disso, ele confirma a preferência dos manauaras pelo governo do presidente da República.

Carlos Santiago ainda prevê um possível crescimento eleitoral das candidaturas do Coronel Menezes e do Capitão Alberto Neto. “O presidente alcançou uma votação expressiva na cidade na última eleição.  Porém, a base política do presente está pulverizada. Existem várias candidaturas. Isso dificulta o crescimento dos candidatos bolsonaristas”, analisa ele. “Ademais, só o apoio do presidente não elege: se o candidato não tiver credibilidade, propostas para resolver os problemas da cidade e força política, não irá para o segundo turno”, acrescenta.

Professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), o sociólogo Luiz Antônio Nascimento ressalta que hoje os eleitores mais jovens, o maior percentual do eleitorado no Amazonas, não estão muito preocupados em quem votar -sejam quais forem os candidatos.

“Para eles (os mais jovens), tanto importa que seja o candidato A ou B. A maioria da população está cética com tantos escândalos de corrupção, alto desemprego e baixa expectativa de vida, principalmente nessa época de pandemia de coronavírus”, diz ele.

Para o cientista político, ainda é muito cedo, a praticamente 50 dias do pleito, estimar a possibilidade de um segundo turno nas eleições municipais em Manaus. “Até lá, muita coisa pode mudar durante a disputa. E vamos esperar para termos dados mais precisos que reflitam com maior veracidade o atual cenário político”, afirma.

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