Indústrias do Estado devem R$ 87 mi à Amazonas Energia

Na última quarta-feira, 2, representantes de segmentos ligados à indústria do Estado tiveram uma grande surpresa, durante reunião com o novo presidente da Amazonas Energia, Pedro Hosken. Segundo dirigente, o setor é o que possui a maior taxa de inadimplência com a concessionária (38%). São exatos R$ 87,89 milhões que, segundo Pedro Hosken, devem ser quitados em no máximo cinco anos.
Como o presidente da Amazonas Energia não divulgou os nomes dos inadimplentes, a informação deixou os industriários sem entender como surgiu a divida. Indagados pelo Jornal do Commercio sobre o porquê das empresas não pagarem as contas de energia, os representantes do PIM (Polo Industrial de Manaus) alegaram não saber o fato. “Desconheço esse endividamento. Foi exposto isso na reunião, mas a indústria que eu conheço paga as contas. É estranho ele [Pedro Hosken] divulgar esse dado porque quando você não paga a luz eles vão lá e cortam. Não dá pra entender”, frisou o diretor-executivo do Cieam (Centro da Indústria do Amazonas), Ronaldo Mota.

“Péssima qualidade”

O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques Pinto, desafiou o número apresentado pelo presidente da Amazonas Energia e também contestou. “Ele que diga quais são as empresas que estão inadimplentes. O serviço prestado pela empresa é de péssima qualidade. Querem repassar os gastos para que a indústria pague”, desabafou.
Apesar de não encontrar uma justificativa para o problema apresentado, o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, considera que a dívida seja antiga. “Talvez esses não pagamentos da conta sejam problemas que estão correndo na Justiça. São contas que as empresas contestaram e por isso ainda não foram quitadas”, arriscou.
Já o presidente da Simplast (Sindicato das Indústrias de Material Plásticos de Manaus), Carlos Monteiro, supõe que a dívida vem principalmente das pequenas indústrias. De acordo com ele, tratam-se de empresas que têm de escolher entre fechar a folha de pagamento ou pagar a conta de energia. Como o valor da conta pesa no orçamento, estas acabam quitando a conta com um mês de atraso. “Uma empresa de porte pequeno fatura, em média, R$ 100 mil e gasta com luz em torno de R$ 25 mil. Isso é muito para uma empresa”, lamentou.

Fieam pede relatório com detalhamento sobre empresas em débito

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, afirma que pediu do presidente da Amazonas Energia um relatório com o detalhamento da inadimplência do setor. O dirigente se disse surpreso com o valor da dívida e torce para que a negociação seja feita da forma mais amigável possível.
Pedro Hosken também é confiante quanto às negociações entre as indústrias do Amazonas e a estatal elétrica. Ele ainda não informou as datas das próximas reuniões com os representantes do setor e nem como será cobrado o pagamento das contas atrasadas. “Estamos visitando todos os estados onde temos participação para explicar sobre a situação. Quero abrir um canal entre a indústria para termos um bom serviço e um bom relacionamento. Estamos precisando melhorar”, adiantou.

Manutenção e sobrecarga

Durante a reunião que ocorreu na quarta-feira, 1º, no auditório da Fieam, os industriários fizeram várias criticas sobre o serviço prestado pela Amazonas Energia. Os principais foram a falta de manutenção da rede elétrica tanto na capital quanto no interior e as sobrecarga de energia, gerando interrupções no fornecimento.
Sobre estes assuntos, o diretor de logística da empresa, Tarcisio Rosa, argumentou que o crescimento de energia do estado é muito alto. A média do consumo de eletricidade subiu 14,2% em relação ao ano passado. Ele admitiu que a cidade passa por dificuldades nessa área e que serão investidos R$ 121,3 milhões na construção e reformas de seis subestações, com previsão de termino até 2011. Tarcisio informou que outras licitações estão sendo abertas para sanar o problema de distribuição de energia tanto na capital como no interior do Estado.

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