Inadimplência em Manaus chega a 40%

Inadimplência no comércio é de 37% e 40% e índices crescem a cada dia

Manaus é a capital que apresenta o maior índice de inadimplência do país, com 38,1% da população devedora, segundo dados da pesquisa Mapa da Inadimplência no Brasil em 2014, do Serasa Experian. No entanto, apesar da pesquisa Serasa Experian ser do ano passado, o presidente da ACA, Ismael Bicharra, informa que o resultado está dentro da média da inadimplência no comércio, que é entre 37% e 40% e o que mais preocupa é que esses índices crescem a cada dia.
“Todos os gastos aumentam, menos o valor do salário mínimo. Desta forma, como as pessoas vão conseguir manter suas despesas?”, indaga Bicharra.
Na avaliação do presidente da ACA, os números de devedores são crescentes. Ele afirma que há 10 anos 26% da população brasileira estava na situação de inadimplência. Enquanto hoje, esse saldo está em 67%. Segundo ele, no Amazonas os números não apresentam muita variação. Bicharra adianta que a partir de 2016 a ACA iniciará um trabalho de intermediação de dívidas por meio das empresas comerciais com o objetivo de auxiliar na diminuição do índice de devedores. “Faremos um trabalho de renegociação entre o cliente e a empresa junto ao SCPC. Será uma campanha anual. Entendo que as pessoas até querem pagar, mas a recessão econômica atrapalha”, comenta.

Pouco apoio
Apesar dos números ascendentes, o Amazonas não disponibiliza recursos que atendam efetivamente ao público devedor quanto à renegociação das dívidas.
Um dos órgãos que disponibiliza orientação quanto ao planejamento doméstico financeiro é o Procon-AM (Programa Estadual de Proteção, Orientação e Defesa do Consumidor do Amazonas). Durante três vezes ao ano o órgão promove a campanha “Orçamento Doméstico”, um evento itinerante que tem o intuito de conscientizar, principalmente as donas do lar quanto aos gastos necessários para o dia a dia a partir de metodologias como a eleição do produto, a necessidade de desenvolver uma pesquisa relacionada ao item desejado, a escolha do local que oferece o preço mais acessível e por último, a compra do item.
De acordo com a coordenadora do Procon-AM, Rosely Fernandes, as campanhas acontecem por meio de ações de cidadania realizadas em escolas e universidades, sempre com a participação de associações de domésticas. A coordenadora ainda adianta que o órgão dará maior ênfase às campanhas a partir do próximo dia 11, data em que se comemora os 25 anos do Código de Defesa do Consumidor. A próxima mobilização acontecerá no final de setembro, com data e local a serem definidos. “Não tratamos a questão da inadimplência, mas sim do orçamento doméstico, com o intuito de evitar o endividamento. Nossa obrigação é orientar a partir das campanhas. Este tema vem sendo tratado a nível nacional e precisamos manter a comunidade informada”, disse.
Segundo Rosely, boa parte do público inadimplente é composto pelo grupo da terceira idade, que são os aposentados. Ela comenta que o empréstimo consignado afeta, em nível crescente, essa parcela da população. “Geralmente os idosos fazem um empréstimo e na tentativa de conseguir pagar, fazem um segundo consignado, o que acumula e vira uma ‘bola de neve’.
Porém, não temos registros numéricos porque nosso trabalho é de orientação”, informa.
A única campanha disponibilizada na cidade acontece anualmente que é a “Limpe seu crédito e faça seu nome brilhar”, promovida pela CDLM, geralmente com início em outubro e término em novembro.
Durante a campanha as empresas do comércio aderem à iniciativa e facilitam a renegociação da dívida junto ao devedor. Caso o consumidor queira negociar o débito com uma empresa que não tenha aderido à campanha, a CDLM faz um intermédio com o intuito de facilitar um acordo entre o cliente e a empresa.
Neste ano a campanha chegará à nona edição. O presidente da CDLM, Ralph Assayag, comenta que a proposta do trabalho é incentivar a procura pela renegociação de dívidas e a consequente retirada do nome do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). “Estamos elaborando o projeto que definirá as metas para a campanha deste ano. A partir da conclusão do projeto poderemos estipular uma média de consumidores que deverão ser atendidos pelo trabalho”, disse.
Conforme o economista e consultor, Francisco Mourão Júnior, a renegociação das dívidas é importante ao considerar que a partir do acordo há um freio nas taxas de juros sobre as contas vencidas. Ele também enfatiza que a renegociação dos débitos deve ser feita com base no planejamento financeiro de forma a não comprometer a renda do cidadão além do permitido. “Para negociar é preciso fazer um planejamento financeiro anteriormente. A partir daí, será possível optar por uma parcela de pagamento que se ajuste ao orçamento mensal e por fim, a limpeza do nome”, considera.

Priscila Caldas
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