Setores puxam queda no Amazonas

A queda na produção fabril do Amazonas, nos últimos três meses de 2008, já prevista para o período, se acentuou com a crise econômica internacional. Dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam decréscimo de 6,1% no desempenho do setor industrial no Estado no último trimestre do ano passado, no ajuste sazonal com o trimestre anterior, e baixa de 4,7%, em comparação ao mesmo período de 2007. Na análise do órgão, o índice foi influenciado, sobretudo, pela “contribuição negativa” dos polos eletroeletrônico e metalúrgico.
Apesar da oscilação negativa da indústria local no último trimestre, os números do Amazonas foram mais ‘brandos’ que a média nacional. Em todo o país, a diminuição no setor produtivo foi de 9,4%, considerando o ajuste sazonal com o terceiro trimestre, e 6,2%, no quadro comparativo com igual período de 2007, segundo informações do IBGE.
Na avaliação da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), o resultado negativo já era esperado, mas intensificou-se com os efeitos da crise econômica mundial. “Naturalmente, a indústria local tende a reduzir a produção no último trimestre do ano, porque a grande demanda de consumo, para esse período, é atendida no três meses anteriores”, justificou o assessor econômico da Federação, Gilmar Freitas, acrescentando que a produção de fim de ano é voltada para o período que se estende do Reveillon ao Carnaval.
Para ele, a crise e a consequentemente “pressão psicológica” causada por ela, fizeram com a retração no mercado fosse maior. “Com as demissões, o trabalhador não consome, o empresário não produz nem investe, o que se torna um círculo vicioso. Essa relação também causou prejuízos à industrial local”, argumentou.

Crescimento anual

A retração no último trimestre, entretanto, não impediu a expansão da indústria no acumulado do ano, apenas diminuiu o indicativo calculado até o terceiro semestre do ano passado.
Nesse sentido, o crescimento fabril foi de 3,9% no Amazonas em 2008 (abaixo do índice de fechamento em 2007 de 4,5%), ante o resultado de 2007 – 0,8 pontos percentuais a mais que a média nacional. De janeiro a setembro de 2008, o índice marcava 7% de aumento no Estado, em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, o indicativo, nessa época, era de 6,4%.
Considerando a passagem de novembro para dezembro de 2008, o índice da produção industrial, ajustados sazonalmente, apresentou o melhor resultado do país: alta de 0,9%, seguido por Goiás, com acréscimo de 0,4%. Nas outras 12 regiões pesquisadas, de um total de 14, houve queda, com Minas Gerais (-16,4%), Bahia (-15,6%) e São Paulo (-14,9%) apontando as reduções mais acentuadas.
Os demais recuos foram menores que a média nacional (-12,4%): Ceará (-4,1%), Pernambuco (-5,7%), Pará (-6,7%), Santa Catarina (-7,5%), Espírito Santo (-7,9%), Rio de janeiro (-8,2%), região Nordeste (-8,9%), Rio Grande do Sul (-10,0%) e Paraná (-11,3%). Mesmo com a perda de ritmo, nos últimos três meses do ano, todos os locais fecharam o ano de 2008 com crescimento, à exceção de Santa Catarina (-0,7%) que, além dos fatores relacionados à crise, também sofreu os impactos da chuva que atingiu o Estado.
Já no quadro comparativo com dezembro de 2007, o índice local da indústria caiu 9,3% no último mês de 2008 – menor resultado desde os 11,7% de fevereiro de 2007. Com isso, o índice acumulado no ano ficou em 3,9%, abaixo do fechamento de 2007 (4,5%). Em nível nacional, o recuo foi de 14,5%, menor marca de toda série histórica, mesmo com a diferença de dois dias úteis a mais em dezembro de 2008 em relação a igual mês do ano anterior. Nessa comparação, os índices regionais foram predominantemente negativos, à exceção de Goiás (1,1%), evidenciando o aprofundamento do ritmo de queda e um alargamento do conjunto dos locais com recuo na produção. Espírito Santo (-29,6%), Minas Gerais (-27,1%), Rio Grande do Sul (-15,5%), São Paulo (-14,5%), Bahia (-13,9%) e Santa Catarina (-10,8%) registraram recuos a dois dígitos. Os demais resultados foram: Ceará (-3,9%), Pernambuco (-6,2%), Paraná (-6,7%), Pará (-6,9%), Amazonas (-9,3%), Rio de janeiro (-9,6%) e região Nordeste (-9,7%).

Contribuição negativa

Conforme dados do IBGE, o desempenho negativo da indústria amazonense, no último trimestre de 2008, pode ser explicado, sobretudo, pelos decréscimos em sete dos onze setores pesquisados, “com destaque para a forte contribuição negativa do setor eletroeletrônico (-35,1%) e metalúrgico (-22,8%)”.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Athaydes Félix, a baixa registrada pelo setor deu-se em consequência da “freada brusca das empresas montadoras do polo de duas rodas motorizadas ou não”. Conforme ele, o avanço dos efeitos da crise econômica sobre o segmento de duas rodas causou o conhecido “efeito dominó”. “Desde a segunda quinzena de outubro que a venda real de motocicletas vem caindo e, consequentemente, há o acúmulo de estoque. Sem o produto sair, a fabricação cai e a demanda por matéria-prima também”, justificou Félix. Números da entidade apontam que 95% das 62 indústrias associadas são fornecedoras das fábricas de duas rodas. O presidente do Sinaees-AM (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas), Wilson Périco, informou que a redução da capacidade produtiva nessa etapa do ano é natural. “A ­previsão é que o setor reaja conforme as demandas do mercado”, disse.

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