Idioma como promissor passaporte para empregos

Para preservar e difundir a cultura japonesa no Amazonas, escolas dão um reforço especial e incluem em suas atividades aulas sobre a língua e as tradições do Japão. Em Manaus, várias instituições oferecem o contato com a arte cultural japonesa e a cidade é pioneira em implantar a primeira escola pública de educação básica para ensino bilíngue em japonês do Brasil.
Reinaugurada neste ano, a Escola Estadual de Tempo Integral Djalma da Cunha Batista, tem a capacidade de atender mil estudantes, oferecendo a modalidade de tempo integral em ensino fundamental do 6º ao 9º ano. A escola conta com parceria institucional do Consulado- Geral do Japão em Manaus, da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nipaku) e Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
De acordo com o gestor da instituição Orlando Moura, a proposta do ensino bilíngue é inovar e motivar os estudantes. Segundo ele, o projeto visa oferecer educação de qualidade e contribuir para o mercado local. “O idioma foi escolhido porque temos um Distrito, que muitas vezes busca um profissional de fora devido não encontrar aqui, quem domine o japonês. Além disso, o Amazonas tem um grande potencial turístico e acreditamos que no futuro, esses alunos podem ser aproveitados, por exemplo, em trabalhos de intérpretes e guias”, explica.
A instituição de ensino possui 25 salas de aula e conta com 50 profissionais. A estrutura oferece laboratório de ciências, biblioteca, quadra poliesportiva, piscina semiolímpica, auditório, sala de artes e de jogos. O ambiente também conta com salas de leitura, brinquedoteca, videoteca, laboratório de informática, refeitório, gabinete odontológico, enfermaria, sala de descanso e academia.
Para Moura, a Escola Djalma da Cunha Batista marca o processo de desenvolvimento dos alunos pelo ensino formal e o conhecimento dos valores da sociedade japonesa. “Queremos que eles observem que são uma sociedade sensata, ética, que respeita as diversidades, trabalha a coletividade, honestidade e sem violência. A partir daí se apropriem dos valores dessa cultura, mudem suas vidas e influenciem suas famílias”, afirma.

De olho no mercado
Nos últimos anos, o Amazonas virou alvo de investidores japoneses e se tornou uma promissora rota estratégica de negócios no país. Atualmente, são mais de 30 empresas em operação em toda região. Para aquecer a demanda de profissionais especializados no idioma, a Ufam oferece o curso de Letras , Língua e Literatura Japonesa.
Segundo a instituição, a maioria dos universitários estuda a língua com interesse na indústria da região e os demais pela diversidade cultural do Japão. “O ensino do japonês na Associação de Língua Japonesa da Amazônia Ocidental tinha como intenção repassar aos descendentes nipônicos a língua japonesa, mas com a criação da Zona Franca de Manaus e a chegada das primeiras empresas japonesas, surgiram necessidades de um conhecimento mais profundo da língua”.
A comunidade dos imigrantes japoneses no Amazonas tem presença atuante nos aspectos econômicos, culturais e educacionais da região. Em 2016, o curso da Ufam formou a primeira turma. “Temos o Polo Industrial com empresas japonesas. Ou seja, temos um grande campo de atuação e os alunos têm espaço no mercado”.

Cultura japonesa no currículo

É inegável a crescente demanda pelo uso da língua japonesa no Estado devido a presença de empresa nipônica no Polo Industrial de Manaus. Há mais de quatro anos, Alice de Arruda Barbosa que é analista de governança na empresa Musashi da Amazônia resolveu investir no curso. Para ela, além da necessidade no domínio do idioma no trabalho, o gosto antigo pela cultura oriental pesou na hora da decisão.
“Comecei porque trabalho no Polo Industrial e tenho muito contato com os japoneses. Tive essa necessidade de aprender o idioma, mas já gostava da cultura que é carregada de ensinamentos importantes. A educação é o ponto que mais me chama atenção devido o respeito com as pessoas, principalmente com os idosos”, destaca.
Alice conta que para estudar o japonês, é preciso exercitar a paciência. “O idioma é difícil e exige interesse para esperar o retorno”, ressalta. Com atuação no mercado, a jovem afirma que a nova língua trouxe o diferencial no currículo profissional. “Sem dúvidas agregou qualidade ao meu trabalho, porque facilitou o entendimento e comunicação.
O mercado está competitivo e ter algo a mais no currículo, ajuda a dar estabilidade”, completa.

Escola bilíngue com francês

Após a concepção da Escola Estadual de Tempo Integral Djalma Batista, que neste ano de 2016, oferece o ensino bilíngue em língua japonesa, o Amazonas deve ganhar, em 2017, sua primeira escola estadual especializada no ensino bilíngue com ênfase em língua francesa. Com concepção pedagógica diferenciada, a mesma escola, além de disponibilizar aos estudantes a formação bilíngue, deverá também, oferecer ensino médio profissionalizante com a oferta de curso técnico em bombeiro civil.
Segundo o secretário da Seduc, Algemiro Ferreira Lima, com o novo projeto, o governo pretende expandir o modelo bem-sucedido de escola bilíngue e oferecer oportunidades diferenciadas de formação e desenvolvimento à comunidade estudantil. “Nossa primeira escola pública estadual em língua francesa deverá oferecer aos estudantes um ensino diferenciado com ênfase na formação bilíngue e aos estudantes do ensino médio uma formação técnica com a oferta de curso técnico em bombeiro civil”, adiantou.

Saiba mais

A língua japonesa também é ensinada na Nippaku Manaus – Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental. Além das aulas, a tradicional escola promove gincanas, danças típicas, artes marciais, poemas, músicas entre outras atividades para conectar os estudantes ao Japão. Segundo a instituição a proposta do curso é disseminar a cultura japonesa no Amazonas.
O curso de japonês ocupa quatro horas por semana, sendo direcionado para crianças a partir de 6 anos, adolescentes e adultos. Com duração em média, de 5 anos e meio, a escola possui professores japoneses e brasileiros. Hoje, aproximadamente 600 alunos estão matriculados na escola.

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