Há empregos, falta especialização

Uma das lamentáveis realidades no mundo do trabalho é a coexistência de altos índices de desemprego com a falta de mão-de-obra qualificada em setores específicos. Há oportunidades, falta especialização. Empresas têm dificuldade de preencher vagas disponíveis e, para não acabarem sem os profissionais, contratam empregados que ficam aquém das expectativas. Isso não significa que os trabalhadores sejam menos competentes; apenas falta ao país uma política educacional mais agressiva, que satisfaça os anseios e exigências do mercado de trabalho.
O Brasil, apesar de dificuldades pontuais, vive um momento de efervescência, que aponta para um sólido crescimento econômico nos próximos anos. Nesse cenário, a educação ganha importância ainda maior do que sempre teve. Se o país precisa de trabalhadores especializados para galgar uma posição de destaque na produção de tecnologia e de bens de maior valor agregado, tanto o governo como a iniciativa privada precisam se adequar aos novos tempos.

Em relação ao governo, deixemos que seus técnicos criem as melhores soluções. Já há boas iniciativas em relação ao Ensino Fundamental e Médio e o grande desafio será colocar todas as crianças na escola. Nas universidades, ainda falta consolidar um ambiente de pesquisa, de estímulo ao empreendedorismo. E para quem não consegue ter acesso ao ensino superior, é preciso multiplicar a disponibilidade de cursos profissionalizantes, que abrem portas para o ingresso no mercado.
As empresas, de sua parte, devem incentivar a especialização e a formação continuada, seja através de cursos de pós-graduação, de cursos no exterior, de criação de universidades corporativas, de cursos à distância, seminários, congressos etc. Em um mundo em constantes mudanças, a única certeza é a de que, todos os dias, acordamos um pouco mais ignorantes. A educação é um processo constante.
Para contribuir com a capacitação dos empregados, e também assumir uma posição socialmente responsável, um caminho recomendável para as empresas são as parcerias com o poder público ou com escolas de educação profissionalizante.

É um instrumento precioso, basta comprometimento entre todas as partes. Um exemplo recente do que é possível fazer está na parceria firmada entre a Petrobras, o Senai e a Universidade Santa Cecília (Unisanta), para a formação de petroleiros aptos a trabalhar nos campos da Bacia de Santos. Profissionais de nível superior farão curso de formação na própria Universidade Petrobras, no Rio de Janeiro.
Em um mercado de trabalho competitivo, os profissionais são vistos como “ferramentas”, o que, levado ao pé da letra, forma uma engrenagem viciosa. Ou seja, se os empregados têm de vestir a camisa da empresa, o contrário também deve acontecer, através de investimentos na especialização dos colaboradores. Os resultados são benéficos às duas partes.
Algumas universidades e faculdades brasileiras já deram à sua grade curricular um perfil empreendedor, mas isso, por si só, não é garantia de sucesso. Em geral, os profissionais são lançados no mercado de trabalho com pouca qualificação e experiência. As grandes corporações estão conscientes da inexperiência dos jovens, cada vez mais ansiosos com o futuro, e por isso filtram as contratações através dos já conhecidos períodos de treinamento.
Enquanto a educação não for a grande prioridade em nosso país, beneficiando crianças e jovens de todas as classes sociais, o problema da falta de mão-de-obra especializada irá continuar. Cabe a cada um fazer a sua parte. O que não podemos é conviver com um quadro antagônico: milhões de desempregados e milhões de vagas disponíveis.

Wilson Roberto Giustino é presidente do Cebrac (Centro Brasileiro de Cursos) E-mail: [email protected]

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