15 de abril de 2021

Geração ‘nem nem’ tem alta no Amazonas

Pelo menos 25,6% (275 mil) dos jovens do Amazonas na idade produtiva de 15 a 29 anos não estudavam e não trabalhavam, no ano passado, e figurando na categoria dos ‘nem nem’. Em paralelo, com o agravamento da crise econômica do período, houve uma expansão de 8,27% em relação ao dado de 2018 (254 mil), superando a média de crescimento vegetativo anual da população (+1,6%), no mesmo período. O mesmo não se deu na capital.

O aumento do número de jovens excluídos do mercado de trabalho seguiu em paralelo com o afunilamento do sistema educacional. A taxa local de frequência escolar chega a 99,5% entre crianças de 11 a 14 anos, mas vai declinando pela evasão escolar, culminando em 5,9%, acima dos 25 anos, faixa etária onde apenas 33% contam com o ensino médio. Só 21,5% da população de 18 a 24 anos frequentava o ensino superior, com o predomínio da rede privada. Os dados são do estudo SIS (Síntese de Indicadores Sociais), do IBGE.

Considerado o recorte de idade produtiva, o Estado contabilizou 1.077.000 de jovens de 15 a 29 anos de idade, no ano passado, conforme o IBGE. Desse contingente, 31,3% declararam só estudar; 12,8% estudavam e trabalhavam; 30,4% só trabalhavam e 25,6% não trabalhavam e nem estudavam (275 mil) – grupo que cresceu 1,3 pontos percentuais, na comparação com 2016.

A situação foi diferente em Manaus, onde o indicador seguiu em trajetória inversa e atingiu um percentual mais baixo, embora ainda elevado. A capital registrou 578 mil jovens na mesma faixa etária em 2019, sendo que 33% só estudavam; 13,5% estudavam e estavam ocupados; 30,8% só trabalhavam; e 22,7% (130 mil) não estudavam e nem trabalhavam. O grupo dos ‘nem nem’ sofreu redução de 4,41% no confronto com 2018 (136 mil).

A taxa dos jovens ‘nem nem’ do Amazonas (25,6%) superou a média do Brasil (22,1%), nesse quesito. O Estado também ficou em quarto lugar no ranking dos percentuais mais elevados da região Norte (25,4%), e, figurando atrás do Acre (29%), Pará (26,4%), Amapá e Roraima (ambos com 25,8%). Manaus (22,7%), por outro lado, ficou na terceira posição, à frente de Belém (20,2%) e Tocantins (15%).

Evasão escolar

Os problemas educacionais com desdobramentos profissionais começam cedo. A taxa de frequência escolar bruta para crianças de 0 a 3 anos foi de apenas 13,3% no Estado. Já a melhor condição estava para as crianças de 11 a 14 anos (99,5%). A partir da faixa de 15 a 17 anos, a frequência começa a cair (89,8%), indicando que a conclusão ou não do ensino médio é um marco para o abandono escolar. A consequência é que só 34% dos jovens de 18 a 24 anos seguem na escola, idade em que deveriam cursar o ensino superior.

Em Manaus, entre as crianças de 0 a 3 anos, apenas 11,8% estavam na escola ou equivalente. A melhor condição de frequência está para as crianças de 6 a 10 anos (99,7%). Na capital, o abandono da escola acontece em menor percentual, mas também entre em espirar descendente, a partir da faixa de 15 a 17 anos (93,5%), chegando a 41,5% entre os jovens de 18 a 24 anos, culminando em uma taxa de apenas 6,8% para quem tem 25 anos ou mais.

Segundo o IBGE, a taxa de frequência escolar do Amazonas é melhor nos anos iniciais do ensino fundamental (94,8%) e vai declinando nos anos finais do ensino fundamental, com 81,1%. A partir do ensino médio, o percentual de frequência cai para 65,1% e, no ensino superior, o percentual vai a 21,5%. Manaus segue a mesma tendência, mas com percentuais melhores: 95,2%; 85,3%; 74,3% e 32,4%.

Médio incompleto

O IBGE leva em conta que a idade padrão para a conclusão do ensino superior é de 25 anos, mas aponta que somente 32,9% dos amazonenses com essa idade ou mais possuíam o ensino médio completo em 2019 – uma leve melhora no confronto com 2016 (31,5%). Outras 4,4% nem contavam com o ensino médio, no ano passado; 5,1% estavam com o superior incompleto; e meros 16,1% conseguiram concluir a universidade. As pessoas sem instrução representavam 5,7% do total e nada menos do que 29,7% nem chegaram a concluir o fundamental – nível que somente 6,1% concluíram.

O número médio de anos de estudo do Estado, em 2019, alcançou 11,2 anos, o que equivale ao ensino médio incompleto. De 2016 para 2019, houve alta de 0,7 pontos percentuais. Em 2016 o Amazonas possuía a quinta maior média de anos de estudos da Região Norte, a mesma posição de 2019. Na região, a melhor posição foi Roraima (11,7 anos), e a pior posição foi ocupada pelo Pará (10,5 anos).

A sondagem aponta ainda que a rede pública é maioria em quase todos os níveis de ensino do Amazonas, sendo que a exceção está no ensino superior, onde a rede privada predomina com 65,2% contra 34,8%. No Estado, a maior presença da rede pública ocorre no ensino médio (95,3%). Na capital, no ensino superior, a predominância é maior (72,3%) contra 27,7% da rede pública. 

“Grandes barreiras”

Para o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, os dados da pesquisa mostram que há grandes barreiras a serem vencidas na educação do Amazonas. Ele dá como exemplo as poucas vagas ocupadas nas creches, demonstrando que apenas um pequeno percentual de crianças na faixa etária está sendo atendido. O pesquisador salienta ainda que o abandono da escola leva uma grande parte dos jovens a não concluírem o ensino médio que poucos são àqueles que concluem o ensino superior. 

“Isso faz com que haja uma baixa escolaridade em grande parte da população. Consequentemente, essas pessoas não estarão preparadas para enfrentar a vida adulta, principalmente no tocante à parte profissional. No mesmo sentido, o alto percentual de jovens que não trabalham e nem estudam, demonstra uma mazela que causa nas pessoas diversas limitações sociais e econômicas”, arrematou.

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