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Fila do desemprego volta a andar, número de ocupados diminui e informalidade reduz no Estado

O mercado de trabalho do Amazonas esfriou no primeiro trimestre. A fila do desemprego voltou a andar e o número de ocupados diminuiu. Em contraste, a renda teve aumento relativo e a informalidade encolheu –embora permaneça elevada. A taxa de desocupação subiu de 8,8% para 9,8% frente aos três meses anteriores, passando de 173 mil para 189 mil pessoas. O confronto com o mesmo período de 2023 (10,5% e 200 mil) mostrou resultado mais favorável. O Estado acompanhou a média nacional (7,9%) e praticamente todas as unidades federativas, mas caiu da nona para a oitava posição no ranking. 

A proporção de amazonenses trabalhando sem carteira assinada chegou ao menor nível da série histórica, iniciada em 2015. A taxa de informalidade caiu de 54,6% para 53,3% na virada trimestral, embora 928 mil trabalhadores ainda estejam nessa condição. O percentual foi significativamente ainda menor do que o registrado em igual intervalo de 2023 (57,2%). O Estado, no entanto, ainda está muito acima do número brasileiro (38,9%). E, apesar de ter acompanhado a média nacional na queda, desceu da terceira para quinta colocação do ranking, com Pará (56,7%) e Santa Catarina (27,4%) ocupando os extremos da lista.

O nível de ocupação foi menor, ao responder por 54,1% (1,74 milhão) da população amazonense “apta ao trabalho”. O dado veio abaixo do trimestre anterior (55,5% e 1,79 milhão) e estável em relação ao mesmo período do ano passado (54,2%). O número empregados no setor privado caiu, mas houve expansão na quantidade de empregados com carteira assinada. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, realizada pelo IBGE. 

A desocupação cresceu na média nacional e também nas regiões Nordeste (aumento de 10,4% para 11,1%), Sudeste (de 7,1% para 7,6%) e Sul (de 4,5% para 4,9%). Mas, conforme o órgão de pesquisa, ficou estatisticamente estável no Norte e no Centro-Oeste. “A maior parte das UFs mostrou tendência de crescimento, embora apenas oito com crescimento estatisticamente significativo. A única exceção foi o Amapá. Nas demais 18 UFs, a taxa ficou estável”, assinalou a Coordenadora de Pesquisas por Amostras de Domicílios, Adriana Beringuy, em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE. 

Atividades e rendimentos

No primeiro trimestre, o Estado contava com quase 3,22 milhões habitantes com 14 anos ou mais – idade apontada pelo IBGE como “apta ao trabalho”. Houve um corte de 11 mil pessoas nesse contingente, na virada trimestral. A quantidade de amazonenses que trabalhavam ou buscavam emprego era de 1,93 milhão, ao passo que quase 1,29 milhão estavam “fora da força de trabalho”. O total de desocupados ou subocupados por insuficiência de horas trabalhadas chegou a 251 mil, mais do que no trimestre anterior e menor do que o dos três meses iniciais de 2023 (342 mil).

A maioria dos habitantes “ocupados” do Amazonas estava na categoria de “empregado” (1,02 milhão). Dentro desse grupo, 65,36% vinham do setor privado (670 mil), mas apenas 442 mil estavam formalizados. A falta de carteira de assinada era ainda mais ampla entre os trabalhadores domésticos, que são contabilizados à parte: 66 mil entre 77 mil. O setor público (287 mil) tinha só 10 mil pessoas com registro celetista, enquanto 157 mil eram militares ou funcionários estatutários. A quantidade de trabalhadores por “conta própria” caiu para 537 mil, e o de empregadores diminuiu 49 mil. Em ambos os casos, a maior parte também atuava sem CNPJ. 

O grupo que reúne serviços de administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (338 mil) foi o que mais reuniu ocupados no Amazonas. Foi seguido por comércio e reparação de veículos (320 mil) e pelas atividades de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (295 mil). Na sequência estão a indústria (196 mil); os serviços de informação, comunicação, atividades financeiras e imobiliárias (144 mil); construção (92 mil); e os serviços de alojamento e alimentação (87 mil). Em relação ao trimestre anterior, o maior aumento trimestral veio da agropecuária  (+3,6%), enquanto o maior tombo ficou em alojamento/alimentação (-14%).

O “rendimento médio real” dos trabalhadores do Amazonas diminuiu de R$ 2.357 para R$ 2.308, na passagem trimestral, uma diferença de 3,9%. No confronto com o valor capturado no mesmo acumulado de 2023 (R$ 2.216), houve elevação de 4,2%. Já a massa de rendimentos – que reflete o quanto os salários brutos dos trabalhadores contribuíram para a economia local – ficou em R$ 3,72 bilhões, ficando 6% mais fraca do que na média dos três meses anteriores (R$ 3,87 bilhões) e 8,4% maior, no confronto com o mesmo acumulado do ano passado (R$ 3,42 bilhões).

Saldo negativo

Na análise do chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, os números da Pnad Contínua Trimestral apontam para um saldo geral negativo nos empregos do Amazonas, nos três primeiros meses deste ano. O pesquisador enfatiza que o aumento na taxa de desocupação em relação ao trimestre anterior é resultado não apenas do maior número de desocupados, mas também da diminuição do quantitativo de ocupados, com reflexos na formalização da mão de obra e nos salários.

“No trimestre, todos os grandes grupos de trabalhadores perderam mão-de-obra, com destaque maior para o trabalhador familiar auxiliar. Considerando as atividades econômicas, alojamento e alimentação, comércio e outros serviço, lideraram as dispensas. Em função dessa redução, a informalidade teve queda em relação ao trimestre anterior, e o Estado melhorou sua posição entre as maiores taxas do país. Mas, o rendimento médio de todos os trabalhos reduziu quase 4% e a massa de rendimentos declinou significativamente, o que afeta o poder de compra dos trabalhadores e o mercado”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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