Falta de confiança deve continuar

América do Sul sofre com declínio dos investimentos e, para o FMI, redução deve continuar

Folhapress

Os países da América do Sul sofrem com o declínio anual dos investimentos desde 2010, e a previsão é que esses números tenham novamente redução neste ano, afirmou o diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional), Alejandro Werner.
De acordo com ele, o Brasil é um exemplo significativo do problema. “A confiança do setor privado tem permanecido teimosamente baixa mesmo depois que as incertezas relacionadas às eleições [presidenciais em 2014] se dissiparam”, disse nesta quarta-feira (21). “A atividade econômica está anêmica.”
Nesta semana, o fundo reduziu significativamente as projeções de expansão da economia brasileira para 2015, de 1,4% para 0,3%. Para 2016, a perspectiva é melhor, de 1,5% de crescimento, mas menor que os 2,2% previstos no último estudo do organismo, lançado em outubro.
“Considerando que o Brasil teve seu pior ano de crescimento econômico em anos, não é surpreendente que a confiança esteja em nível histórico de baixa. A incerteza das políticas micro e macroeconômicas contribui para isso”, afirmou Werner em entrevista coletiva em Washington.
Para ele, no entanto, o compromisso das autoridades brasileiras com o ajuste fiscal e a redução da inflação deve ajudar a recuperar os índices.

Avaliação
Mas a incerteza com o Brasil continua no cenário internacional. Ontem, a agência internacional de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da construtora Andrade Gutierrez e as avaliações das notas (títulos) emitidas pela Andrade Gutierrez International. Além disso, a perspectiva para todas as notas passou de estável para negativa.
A avaliação (tanto da empresa quanto das notas emitidas) passou de Ba1 para Ba2 e, segundo comunicado da Moody’s, em razão da “acentuada deterioração das métricas de crédito da companhia em 2014, devido ao crescimento mais fraco da receita e menores margens de lucro”.
A agência de risco afirma ainda a Andrade Gutierrez tem enfrentado atrasos na execução de contratos, o que deve levar a receita líquida da empresa a cair de 5% a 10% em 2014, e que esse cenário se insere em meio aos escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e a incertezas em relação à economia do Brasil e da Venezuela.
A primeira empreiteira a ter notas rebaixadas por agências internacionais de classificação de risco foi a OAS. A avaliação da empresa foi rebaixada pelas três principais agências: Fitch, S&P (Standard and Poor’s) e Moody’s e chegou ao nível D, que reflete alta probabilidade de “default” (calote).
No último dia 13, a Fitch cortou a nota de mais empreiteiras do Brasil devido a preocupações relacionadas à operação Lava Jato, sobre o escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras.
A lista de companhias que tiveram as notas reduzidas inclui Construtora Queiroz Galvão, Galvão Participações, Galvão Engenharia e MJTE (Mendes Júnior Trading e Engenharia).
A perspectiva negativa sobre as notas das três primeiras companhias foi mantido, enquanto no caso da MJTE a observação foi removida.
E no dia 14, a S&P e a Moody’s rebaixaram as notas da construtora Mendes Júnior, citando a crescente dificuldade da construtora de gerenciar seu caixa após a Operação Lava Jato da Polícia Federal.

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