Empresários temem desaceleração

Segundo empresários, se não houver mudanças, próximos meses devem ser de incertezas

Priscila Caldas
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As primeiras semanas de 2015 chegaram acompanhadas de mudanças econômicas no país. Anúncios quanto ao aumento de tributos sobre combustíveis, produtos importados e, ainda sobre operações de crédito refletem um cenário negativo que transmite insegurança à classe empresarial, nos segmentos da indústria e do comércio. Segundo os empresários, se não houver mudanças, os próximos meses devem ser de incertezas, reduções em investimentos e possíveis cortes no quadro de trabalhadores do PIM (Polo Industrial de Manaus).
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, avalia que as medidas adotadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, contradizem as promessas feitas pela presidente Dilma Rousseff (PT) durante o período da campanha eleitoral, no último ano, quando ela assegurou que iria prezar pela manutenção e aumento dos empregos, assim como pelo desenvolvimento econômico do Brasil.“O governo busca formas de compensar o que gastou a mais. Diferente do que esperávamos, ao invés de fazer uma reforma administrativa para reduzir o custo da máquina ele está aumentando a receita, quando o problema está na má administração do recurso arrecadado”, avalia.
Segundo Périco, os próximos meses serão sombrios e difíceis para o segmento industrial. O empresário afirma que com a economia parada a confiança dos investidores diminui, o que segundo ele, deve refletir em um ano de incertezas e de redução de novos investimentos.
O presidente do Cieam ainda afirmou que caso a situação econômica no país não apresente melhores resultados, as empresas do PIM devem ter reduções no quadro operacional durante o ano. “Neste primeiro momento não pensamos nesta possibilidade, mas existem riscos a curto e médio prazo. Se a economia e demanda não crescerem haverá um reflexo negativo na atividade produtiva”, declarou.
Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, a notícia quanto aos aumentos tributários apesar de ser considerada desagradável pode ser entendida como a realidade de uma situação caótica que precisa de soluções.
Ele concorda que as medidas contradizem as promessas feitas por Dilma no período eleitoral mas explica que ao contrário do que aconteceu em gestões passadas de outros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, revelou claramente o verdadeiro estado econômico do país para a partir deste ponto buscar crescimentos. “Antigamente as coisas eram maquiadas no Brasil e neste ano o ministro mostrou a realidade, sem fantasias. Se esses aumentos, assim como o não reajuste do imposto de renda criarem uma recessão que futuramente provoque um crescimento verdadeiro ao Brasil, acredito que nós, empresários, precisamos estar juntos neste processo”, opinou. “Não é que eu seja a favor dos aumentos mas se é necessário passarmos por isso por uma necessidade, então vamos passar, confiantes no ministro, que é respeitado no mundo empresarial”, completa.
Porém, Bicharra foi enfático ao dizer que antes de tomar qualquer medida, o governo deveria olhar para a sua estrutura administrativa e verificar as possibilidades de reajustes, para depois decidir aumentar os impostos, da mesma forma que os governos municipais e estaduais atuam. “Antes de tomarem essas decisões eles deveriam analisar as possibilidades de reduções nos ministérios e secretarias, como nos demais governos. De uma forma ou de outra isso vai provocar desemprego, falta de investimentos, recolhimento de impostos e menores vendas. O faturamento cai e a inadimplência que já está alta deve aumentar ainda mais, devido ao aumento dos juros”, comenta.

Aumentos
Ontem o governo publicou o decreto que aumenta o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que incide nas operações de crédito para o consumidor. O crédito fica mais caro a partir de hoje, quinta-feira, quando a nova regra entra em vigor, segundo o “Diário Oficial da União”.
A alíquota passará de 1,5% para 3% ao ano (o equivalente à alta de 0,0041% para 0,0082% por dia). Esse valor será cobrado além dos 0,38% que incidem na abertura das operações de crédito. Com essa medida, o governo espera arrecadar R$ 7,38 bilhões neste ano.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ainda anunciou a elevação do PIS, Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), e a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre os combustíveis. Segundo ele, o impacto será de R$ 0,22 para a gasolina e de R$ 0,15 para o diesel. O PIS e a Cofins terão alta imediata, mas o aumento da Cide só terá validade daqui a 90 dias. A expectativa do governo é arrecadar R$ 12,18 bilhões com esta medida em 2015.

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