Fake news prejudica combate à Covid-19

A expressão é nova, surgiu com as redes sociais, mas o seu conteúdo é antigo: as fake news ou, na tradução literal, falsas notícias. É provável que as falsas notícias tenham surgido a partir de quando o ser humano aprendeu a se comunicar e, de acordo com o que lhe fosse mais conveniente, passou a inventar informações. Com a facilidade de qualquer pessoa poder publicar informações nas redes sociais, e de outras lerem e propagarem essas informações sem medir-lhes o peso das consequências, abriu-se o campo para as fake news se alastrarem. Infelizmente pessoas inescrupulosas plantam nesse campo.

Foi o que aconteceu, na semana passada, com o anúncio da morte do cantor Zezinho Corrêa, que toda a cidade sabia estar internado com covid. Já não bastavam as mortes reais dos cantores Klinger Araújo, no final do ano passado; e Roci Mendonça, no sábado, e as internações de Davi Assayag e Márcia Siqueira, pela mesma doença? Ainda entram na lista outros artistas, músicos, compositores. Infelizmente a lista é grande. No Instagram de Zezinho a família publicou: ‘Notícia boa é para ser espalhada. Fake news devem ser repudiadas’, e pediu ‘mais empatia e respeito com a família’, incluídos nesse pedido todo o povo do Amazonas, que sempre amou e prestigiou Zezinho Corrêa, único artista amazonense a conseguir fazer grande sucesso no Brasil e exterior com a banda ‘Carrapicho’.

Ontem também esteve pairando nas redes sociais a notícia de que a White Martins, maior fornecedora do produto para o Estado, não estaria repassando oxigênio para o Governo do Estado por conta de supostos débitos com a indústria. Em, a empresa disse que está comprometida no abastecimento do Estado diante do aumento da demanda e que são totalmente inverídicas as informações sobre a retenção de oferta. 

Na segunda-feira o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas enviou uma nota de repúdio para todas as redações dos jornais de Manaus, que logo no primeiro parágrafo dizia: ‘Tão destrutiva como o coronavírus nesta crise sanitária da covid-19 estão sendo as fake news nas mídias sociais’.

Existe punição

De acordo com o advogado Carlos Santiago, “não existe uma legislação específica tratando a fake news como um tipo de crime, e penalidades, mas existe legislação para combate-la”.

Ainda segundo Santiago, o Marco Civil da Internet determina reparação civil no âmbito da Justiça para a retirada da notícia falsa pelo provedor de forma urgente. Mas o pedido precisa ser judicializado.

Na esfera criminal as fake news podem ser enquadradas nos crimes de injúria, calúnia e difamação, com penas que variam de três meses a dois anos de detenção, mais multa.

No direito eleitoral, como vimos recentemente, a divulgação de fake news pelo candidato, ou partido político, não vai além do direito de resposta pelo ofendido e pagamento de multa pelo autor da publicação.

E se você não gostou de ler uma, sabidamente, fake news, saiba que não pode ir além do que ficar revoltado.    

“Como são crimes cíveis e penais, sua punição depende da iniciativa do ofendido, conforme citados acima, de injúria, calúnia e difamação”, concluiu.    

Finaliza o texto do Sindicato dos Jornalistas com uma frase de Gabriel Garcia Márquez, escritor e jornalista. “A ética não é uma condição ocasional e deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”. 

Descobrindo as fake news

Se você é contra quem propaga fake news, existem várias formas de ‘matar’ a notícia falsa logo no seu começo. Em primeiro lugar, não saia compartilhando tudo o que aparece no seu Face, mesmo que seja a melhor notícia do mundo, como a cura da covid, por exemplo. A não ser que a mesma notícia esteja publicada em outros sites confiáveis. Os tempos de ‘furo’ de reportagem ficaram para trás; verifique a data da publicação. Existem pessoas, até por ingenuidade, que publicam boas, ou más notícias, de anos atrás como se fossem atuais; se a notícia não indicar a fonte (um jornal, um canal de televisão, ou um portal que você conheça) pode começar a duvidar de sua veracidade; se não tiver um link para a matéria em questão, esqueça aquela informação fantástica. Ela é fruto de alguém que não tinha o que fazer.

Mas existem outras formas mais sutis que entregam a falsidade de uma notícia. Verifique se tem erros gramaticais. Ainda que os textos de muitos jornalistas sejam sofríveis, verifique se ele trabalha num veículo de comunicação sério. Nesse caso, vale a credibilidade do veículo; informações com começo alarmista, tipo ‘Covid é sinal que o fim do mundo está próximo, conforme escrito na Bíblia’, descarte; outras vezes as informações são até bastante sérias. Citam especialistas, médicos, juristas mas, na linguagem popular, ‘não dão nome aos bois’. Se não há o nome de um entrevistado, e o local onde exerce a profissão, é fake news. Para finalizar, se o ‘espalhador’ de falsas notícias ainda incita você a compartilhar o que ele está publicando, com certeza irá se divertir quando verificar que você o obedeceu. 

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