Mais uma vez acontece o fenômeno que parece figurinha carimbada todos os anos em nossa economia: Crise do Dólar. Vem um aumento e as coisas rapidamente começam a se desconfigurar, com aumento de preços, insatisfação de alguns setores e as inevitáveis greves que além de servir como elemento político-partidário, provocam inevitáveis perdas sociais e econômicas para uma sociedade já esgotada com este verbo “PERDER”!

Desta vez, no entanto, parece que a correria foi maior ou pareceu um tanto mais complicada quando o crescimento da moeda americana se deu por seis dias seguidos e o governo deu ares de desgoverno em suas atitudes e mesmo em suas explicações ao mercado. Não à toa o mercado ficou com as barbas de molho após o governo voltar atrás de uma promessa de redução na taxa básica de juros e dois dias depois manteve a mesma. Não tem coisa pior para investidores que acreditar em afirmativas do governo sobre juros e se decepcionar com as atitudes contrárias logo depois.

Certamente desta vez a crise teve características diferenciadas, pois que foi provocada pelo governo americano, leia-se Trump, que está disposto a qualquer custo valorizar não apenas a moeda mas todo o mercado americano e quem sabe mesmo a própria auto estima do povo americano que vem bastante abalada nas ultimas décadas. Porém uma simples canetada americana que altere alguns décimos nos juros de lá, provocam uma correria e um descontrole cambial em todas as economias mundiais como aconteceu agora. A diferença é que os países civilizados e relativamente arrumados economicamente rapidamente tomam as medidas necessárias e voltam à normalidade.

Porque será que nas bandas de cá deste país tão cheio de problemas e de indefinições, as medidas reguladoras não aconteceram? Porque a alegria que vinha alimentando o ego governista com a propaganda tão irreal quanto desastrada embasada no slogan do “Voltou, 20 anos em 2”, fez com que os arautos oficiais colocassem os pés no chão e anunciassem a diminuição nas metas econômicas? A produção que estaria aumentando já não mais estará alta e a inflação que estaria em baixa já promete não ser tão pequena quanto prometida. É neste cenário que as necessidades econômicas de enfrentamento das crises acabam por não acontecer.

Como o governo vai poder alterar taxas de juros no momento necessário como agora, se mexeu em momentos desnecessários e tornou o nosso país o titular da maior carga tributária do mundo e dos juros mais descabidos quando comparados os oficiais e os bancários? Como acreditar em uma política econômica que ao mesmo tempo em que faz a maior festa com aumentos de décimos miseráveis de supostos crescimentos de produção e de quedas de inflações que ninguém consegue perceber na prática, convive com milhões de desempregados? O numero de desempregados é outro desencontro, pois a própria agência de estatística do governo incorporou os desalentados, inconformados, desesperados e tantos outros que fazem com que os quatorze milhões virem quase vinte.

Fica muito difícil analisar um sistema econômico tão desencontrado como o nosso e pior ainda seria dar alguma sugestão, quando esta política econômica que patina a quase duas décadas em erros técnicos e ideológicos convive com um sistema político completamente irreal. Fazer qualquer coisa se torna quase impossível quando se pensa em enfrentar um congresso com mais de trinta partidos a barganhar vantagens políticas e financeiras para apoiar ou aprovar as medidas. Em nenhum momento a questão se volta para a vantagem ou necessidade das medidas para o país ou para a sociedade e sim para o quanto vai render aos apoiadores a aprovação, ou não, no congresso.

Analisando de forma racional e fria o nosso sistema econômico, se é que existe, e nosso sistema político vigente, independente dos motivos que levaram a vigorar os pilares dos mesmos, só resta baixar a cabeça, pedir a Deus por bastante força e motivação além de sua olhadinha por este povo que ainda acredita tanto Nele e se convencer que, apesar de tudo nosso país HOJE, não passa de uma grande e perigosa FACA DE DOIS GUMES.

*é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa SINÉRGIO

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