Eventos de fotógrafos promovem beleza amazonense

Hoje é o Dia Internacional da Fotografia, data que, em 1839, foi oficializada pelo Instituto da França, a Daguerreotipia, invenção do francês Louis Daguerre. A descoberta ganhou o mundo e hoje o complexo processo desenvolvido por Daguerre cabe num celular. Para comemorar a data, fotógrafos amazonenses promovem eventos hoje, uma exposição virtual, e no dia 23, domingo, um passeio. E já que a data é internacional, o JC ouviu dois fotógrafos estrangeiros apaixonados pela Amazônia.

A exposição virtual “Imagem urbana e rural do Amazonas” foi aberta a todos que gostam de fotografar. Organizada por Selma Carvalho, Eliton Gomes, Mariana Rebouças, Cláudia Higuchi e Ricardo Balby a ideia foi mesclar imagens de profissionais com amadores. Quem se inscreveu na exposição, receberá um vídeo, hoje, via WhatsApp, com as fotos de todos os participantes para que este seja publicado em suas redes sociais.   

Dia 23, a partir das 8h, no Largo de São Sebastião, terá início a Jornada Fotográfica, um passeio pelas ruas centrais de Manaus, coordenado por Selma Carvalho e Michel Melo. Pode participar quem quiser.

“Durante o trajeto passaremos por três pontos de hidratação: Casa das Artes, Teatro da Instalação, e Palacete Provincial, sempre tirando fotos”, disse Selma.

Constam na programação: fotografia geral com os participantes (8h15); abertura da exposição ‘Manaus bem na foto’, do Fotoclube A Escrita da Luz (8h20); e saída para o passeio (8h25), que deverá durar até o meio-dia.

“Não esqueçam a sua câmera ou celular, protetor solar, máscara, álcool e disposição para a Jornada”, avisou Selma.

Mestre Navarro

E quem não poderia faltar à Jornada Fotográfica é o mestre da fotografia no Amazonas, o venezuelano Carlos Navarro. Navarro estará no Largo numa banca com livros sobre fotografia para venda.

“Toda a renda com as vendas será revertida em ajuda para as vítimas da explosão que aconteceu em Beirute, no Líbano”, adiantou o fotógrafo.

Navarro é de Caracas e tem uma longa e rica trajetória na área da fotografia amazonense. Profissional na arte de imortalizar imagens há 54 anos, completados agora em setembro, Navarro mora em Manaus há 47 anos onde sempre trabalhou produzindo belas imagens por todo o Estado. Foi ele quem, em 1973, trouxe para Manaus a produção de fotografias coloridas.

“Eu morava em Barcelona, onde estudara fotografia, quando, em 1972, conheci o empresário Nuno Caplan, que estava montando um moderno laboratório de revelação fotográfica em Manaus, a Sonora. Ele soube dos meus conhecimentos técnicos e me convidou para trabalhar aqui. Aceitei e, no dia 23 de março de 1973 cheguei a Manaus. Em 13 de junho daquele ano a Sonora foi inaugurada e, em agosto, começaram a sair as primeiras fotos coloridas feitas por fotógrafos de Manaus”, contou.

Navarro guarda em seu acervo as fotos coloridas, as primeiras feitas em Manaus, da inauguração da Sonora.

Quase meio século depois, o mestre das imagens possui um acervo com (calcula ele) umas 800 mil fotos, clicadas por todo o Amazonas.

“Minha fotografia é documental. Gosto de relacionar a história de Manaus com os fatos, bem como a parte arquitetônica da cidade, que comecei a fazer, em 1980, com o Palácio Rio Negro”, lembrou.

“Não me considero um mestre. Sou apenas alguém com amplo conhecimento sobre a arte de fotografar e que gosta de passar esse conhecimento para os mais novos”, finalizou.

Amor pela Amazônia

Jacques Menassa está no país para onde Navarro irá mandar a ajuda conseguida com as vendas dos livros na Jornada Fotográfica. Nascido na cidade de Ghosta, no Líbano, Menassa tem uma relação de amor com Manaus e a Amazônia há quase 40 anos.

“Tenho familiares, em Manaus, descendentes de um tio paterno que foi morar aí em 1926. O pai desse tio já estava em Manaus desde 1885, mas voltou para o Líbano em 1903”, revelou.

Em 1984, por causa da guerra em seu país, Menassa veio para Manaus onde ficou até o ano seguinte quando foi para o Líbano. Em 1989 ele retornou à capital amazonense e aqui ficou até 1998. Nesse tempo realizou inúmeras exposições.  

“Estudei fotografia na Universidade do Santo Esperito, em Kaslik. Quando vim para Manaus já era profissional”, disse.

“O Amazonas e a Amazônia me chamaram a atenção pela beleza natural e diferente, as cores fortes, a cultura rica e a gentileza do povo”, destacou.

Nos dez anos em que morou na capital amazonense, Menassa viajou por inúmeras cidades do interior do Amazonas e do Pará, também no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

“Tenho mais de 50 mil imagens em meu acervo. Só entre 2016/17 e 18, quando voltei ao Brasil, tirei mais de onze mil fotos”, disse.

Depois que a guerra do Líbano acabou, em 1990, e o país se normalizou, Menassa resolveu morar em definitivo em sua terra, mas sempre vem a Manaus.

“Ia agora, em fevereiro, mas por causa da pandemia, não deu pra ir. Estive em Beirute, estes dias, e tirei mais de 700 fotos. Felizmente as coisas estão voltando ao normal na cidade”, concluiu.

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