Interior puxa saldo de empregos no Amazonas

Pelo terceiro mês seguido, o interior do Amazonas contribuiu com saldo positivo de empregos formais, em detrimento da capital. Na passagem de maio para junho, o número de municípios amazonenses onde as admissões superaram os desligamentos chegou a 19, de um total de 61. Foi mais do que o dobro registrado no levantamento anterior, conforme os dados mais recentes do “novo” Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Ao mesmo tempo em que Manaus extinguia 341 postos de trabalho celetistas, algumas das cidades amazonenses conseguiram avançar nas contratações, a despeito da interiorização da pandemia da covid-19, e da interrupção do transporte fluvial e terrestre de passageiros, que ainda estava em vigor na época. Em números globais, o interior registrou 616 contratações e 548 demissões. O total de postos de trabalho criados em junho não passou de 68, mas superou o registro de maio (42).

Embora praticamente um terço das localidades tenha conseguido avançar nas contratações, a estagnação foi a marca de outras 15, enquanto 28 amargaram performance negativa e eliminaram vagas – contra 20 e 34 no mês anterior, respetivamente. A situação é menos confortável na análise dos dados do acumulado do semestre, que aponta para uma extinção de 796 empregos formais, dado o predomínio dos desligamentos (5.130) sobre as admissões (4.334). 

Em números absolutos, Humaitá apresentou o melhor desempenho do ranking, com saldo positivo de 65 empregos, decorrentes de 110 contratações e 45 demissões e aumento de 3,24%, o que levou a um estoque local de 2.061 postos de trabalho celetistas. Em seguida, os melhores saldos vieram de Manacapuru (+31 vagas), Iranduba (+29), Tefé (+17), Itacoatiara (+16) e Autazes (+13).

A maior variação relativa veio de Silves (+20%), mas Autazes (+1%), Barcelos (+0,13%), Benjamin Constant (+0,90%), Borba (+0,97%), Careiro (+0,50%), Codajás (+1,39%), Ipixuna (+2,78%), Iranduba (+1,44%), Itacoatiara (+0,37%), Itapiranga (+5,88%), Manacapuru (+1,04%), Novo Aripuanã (+0,93%), Rio Preto da Eva (+0,67%), Santo Antonio do Iça (+0,80%), São Paulo de Olivença (+2,94%), São Sebastião do Uatumã (+1,69%), e Tefé (+0,92%) também subiram. 

Na outra ponta, Japurá (-12,90%) registrou a pior variação relativa no mês no interior, ao eliminar quatro empregos celetistas, sendo seguido por Maraa (-2 e -8,33%). Em números absolutos, os municípios que mais eliminaram postos de trabalho na passagem de maio para junho foram São Gabriel da Cachoeira (-29 e -7,44%), Lábrea (-23 vagas e -3,73%). 

No acumulado do ano, os melhores números vieram de Humaitá (70 vagas e +3,49%) e Eirunepé (21 e +7,29%), Atalaia do Norte (+16 e 84,21%) e Apuí (14 e +4,47%). Em sentido inverso, Manacapuru (-287 postos de trabalho e -8,69%), Itacoatiara (-98 e -2,19%), Coari (-95 e -3,45%) e Parintins (-90 e -3,37%) lideraram a lista de destruição de empregos no interior amazonense. 

Com exceção de Manaus, os cinco maiores municípios em termos de estoque de empregos com carteira assinada respondem por aproximadamente 44% de todo o volume apresentado no Estado. Itacoatiara (4.392 empregos), Manacapuru (3.188), Presidente Figueiredo (2.689), Coari (2.681) e Parintins (2.583) responderam pelos maiores estoques. 

Construção e informalidade

O “Novo Caged” não cruz os dados de empregos dos municípios com as atividades econômicas do Estado. Em depoimento anterior ao Jornal do Commercio, o prefeito de Iranduba, Francisco Gomes (o “Chico Doido”) informou que a atividade econômica que vem sustentando o crescimento e a geração de empregos formais no município é a imobiliária, uma vez que setores tradicionais, como olarias e agricultura ficaram no meio do caminho, em razão da cheia, dos atravessadores e dos impactos econômicos da pandemia.

Já o assessor técnico da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Alcides Saggioro Neto, observa que a evolução do emprego formal de Presidente Figueiredo vem sendo influenciada especialmente pelo cultivo de cana de açúcar. Também não deixa de observar que, em localidades do interior com populações pequenas, a alta taxa de informalidade tende a favorecer o impacto de ações dos governos para a geração de empregos, especialmente obras públicas. 

Agricultura e auxílio

Na análise do titular da Sedecti, Jório Veiga, o Sul do Amazonas desponta como um dos vetores na geração de empregos, em função do aumento da atividade agropecuária, materializado pelo incremento da safra de grãos e abertura de negócios, como um novo frigorífico. Atividades portuárias em Novo Remanso e mesmo o setor de saúde – por força da pandemia – também ajudaram, mas o secretário estadual avalia que o auxílio emergencial também impulsionou indiretamente as contratações, ao aquecer a economia.  

“É importante notar que o auxílio de R$ 600 pagos pelo governo federal chegou a aumentar a atividade econômica de alguns municípios em até 20%, em todo o país. Isso também provoca um pequeno aumento em posições de trabalho. Não posso dizer em quais cidades isso se deu no Amazonas, mas o valor é muito maior que o do Bolsa família, que já é um fator muito importante na economia dos municípios. Com certeza, essa participação não foi a maior na geração de empregos, mas em algo contribuiu”, arrematou.

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