17 de maio de 2021

Especialista explica cuidados a ter com pets no Réveillon

Talvez por causa da pandemia, quase as pessoas não soltaram foguetes (o terror dos animais) na chegada do Natal, mas o Ano Novo vem aí e a história pode ser diferente, por isso o Jornal do Commercio conversou com Marina Pandolphi Brolio, coordenadora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Fametro, para saber mais sobre os pets nesse período, inclusive, sobre a ceia deles.  

Marina Pandolphi é coordenadora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Fametro

Jornal do Commercio: Pode-se dar aos pets as comidas da ceia de Ano Novo, como pedaços de pernil ou tender?

Marina Pandolphi: Não. Muitos pets são ‘membros da família’ e costumam participar das celebrações, mas cães e gatos possuem muita restrição alimentar. Ossos podem ser fatais se ingeridos pelos animais, e mesmo aquele pedacinho ‘bem pequeno’ de carne ou torta pode ser o suficiente para causar intoxicações graves. Se o animal não está habituado a comer carnes como pernil ou tender, pode ter transtornos intestinais. Deixe os animais longe dos comes e bebes. Sobre bebidas alcoólicas é bom não deixar copos em locais de fácil acesso aos animais, que podem ingerir as bebidas e apresentar quadros graves como o coma.

JC: Até o chocolate é tóxico para os cães?

MP: Sim, o cacau possui uma substância, a teobromina, que não é bem metabolizada pelo fígado de cães e gatos. Quanto maior o teor de cacau, mais escuro e amargo, maiores os riscos de intoxicação para os pets. A teobromina causa diversas reações no organismo dos animais, como aumento de contrações musculares, excitação nervosa, micção em excesso, elevação da temperatura corporal, respiração acelerada, taquicardia, vômitos e diarreia. A gravidade do quadro varia de acordo com a quantidade ingerida. O chocolate branco e o chocolate ao leite, apesar de menores concentrações de teobromina possuem gordura e outras substâncias que também são contraindicadas aos animais.

JC: Na chegada do Ano Novo, caso haja foguetório, o que fazer com os pets?

MP: O barulho dos fogos é extremamente alto para a audição dos pets, principalmente os cães, que podem entrar em pânico e tentar saltar por muros e janelas, atravessar portas de vidros, entre outras situações. Verificar se janelas, portas e portões estão bem fechados. Sempre que possível os tutores devem estar com os animais neste momento, mas evitar levá-los no colo ou coleira para assistir a queima de fogos. Eles podem se assustar e fugir, causar e sofrer acidentes. Vale colocar um pouco de algodão nos ouvidos dos cães, mas se incomodar é melhor não colocar. Vedar portas e janelas para diminuir o som externo e até ligar a televisão ou rádio para os animais ouvirem outros sons. Inspecionar o quintal ou cômodo onde o pet ficará, para tirar objetos que podem se tornar perigosos e machucá-lo num momento de angústia, quando tentar se esconder ou fugir. Ideal preparar o local para que o animal tenha onde se esconder e se sentir protegido. Gatos gostam de locais para se esconder. Mesmo animais dóceis e sociais com visitas e outros pets podem apresentar comportamentos bem diferentes e se tornarem agressivos em situações adversas, então atenção redobrada se você estiver dando uma festa em sua casa. Ideal realizar um processo de dessensibilização com os animais previamente: ligar sons de fogos de artifício e colocá-los para ouvir, em volumes altos, em intervalos de tempo e intensidades diferentes, para que se habituem a esses barulhos e não se assustem tanto. O mesmo processo é indicado para condicionar cães e gatos a barulhos de trovões, mas esse trabalho deve ser feito com antecedência, iniciar meses antes e não somente na semana das datas festivas.

JC: Se fizermos um comparativo com os seres humanos, o som ouvido por um pet seria o equivalente a ouvirmos que tipo de som?

MP: Nós somos capazes de captar frequências sonoras entre 20 e 20.000 Hertz, enquanto eles possuem uma capacidade de captar entre 40 e 60.000 Hertz para os cães e entre 45 e 65.000 para os gatos. O que para nós é só um ruído alto, para os cães e gatos pode ser um estrondo assustador. Soma-se a isso que as orelhas desses animais são dotadas de mais de uma dezena de músculos, o que os permite movimentá-las em diferentes direções, captando sons com mais rapidez do que nós.

JC: É verdade que já existe até calmantes para dar aos cães?

MP: Sim. Existe uma série de medicações com efeito calmante, produtos homeopáticos, fitoterápicos e até alopáticos de uso controlado, porém, somente um veterinário saberá se há necessidade de uso de algum medicamento. Nunca medique seus animais sem orientação de um profissional. Alguns pets podem ter comorbidades, como alterações neurológicas, renais ou cardíacas, e ainda não manifestaram sintomas, e o uso de calmantes pode ser prejudicial se não for acompanhado por um veterinário.

JC: O que fazer caso os donos de um pet queiram viajar de férias, nesse período?

MP: É essencial que os animais passem por um processo de ambientação e adaptação prévias. Se o animal não está acostumado a frequentar creches, não tem o hábito de sair de casa, não convive com outras pessoas e outros animais, a experiência poderá ser muito traumática e nada saudável. Alguns cães têm temperamento difícil, são agressivos, e o processo de adaptação demanda mais tempo. Ideal que o animal comece o processo de condicionamento e adaptação com pelo menos dois a três meses de antecedência. Cada local tem seus protocolos próprios, mas a grande maioria dos locais exige essa fase de adaptação. O local deve, além de realizar o período de adaptação, solicitar a carteira de vacinação do pet atualizada, vermifugação e aplicação de produto contra pulgas e carrapatos também. Muitos locais aceitam somente animais castrados.

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