Endividamento cresce e crédito fica mais difícil para as MPEs

O endividamento dos micro e pequenos empresários amazonenses voltou subir no final de agosto, sob o rescaldo da crise da covid-19. Aumentou de 43% para 50% a parcela dos pequenos empreendedores amazonenses com dívidas em atraso. A proporção dos adimplentes foi na direção contrária e registrou decréscimo, de 32% para 28%. Em contraste, a minoria que afirma não possuir qualquer tipo de pendência financeira caiu de 25% para 22%. Na média nacional, os números foram 33%, 34% e 33%, respectivamente.

Em sintonia, a busca de crédito para garantir a sobrevivência avançou de 53% para 61%. Como agravante, o percentual de empreendedores amazonenses que tiveram seus pedidos negados disparou de 47% para 69%. A boa notícia é que, pelo menos o percentual de solicitantes que tiveram sucesso avançou de 14% para 18%, enquanto a fatia dos que ainda aguardam resposta dos bancos caiu – com 13% contra 38%, um mês antes. Os respectivos números nacionais também foram melhores neste caso: 61%, 22% e 17%. 

É o que mostram os dados da sétima edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa). Realizada entre 27 e 31 de agosto, a sondagem ouviu representantes de 7.586 micro e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais), sendo que 99 deles estão no Amazonas (ver boxe). 

Parceria e orientação

Pela segunda vez desde o começo da realização da pesquisa, a Caixa Econômica Federal – tradicional parceiro do Sebrae – foi a primeira opção para quem buscou financiamentos para sobreviver ao fechamento compulsório do mercado no Amazonas, respondendo por 42% da procura local – mas abaixo dos 49,9% anteriores. Bradesco (25%), Banco do Brasil (24%), Santander (12%), Itaú (11%) e Banco do Povo (5%) vieram na sequência, mas pelo menos 18% da demanda seguiu para “outros” canais não informados.

Vale notar que 63% dos entrevistados nem procuraram orientação do Sebrae, um percentual superior aos 52% observados no fim de julho. Em torno de 29% entraram em contato com a instituição, mas não foram direcionados ao banco público, mostrando melhora sobre o levantamento anterior (39%). Por outro lado, apenas 8% passaram por ambos, uma fatia menor do que a do mês anterior (9%).

A concessão ficou menos pulverizada, desta vez. E, pela primeira vez em todo o período em que a pesquisa foi realizada, a Caixa Econômica (54%) liderou os avais para os financiamentos, respondendo por mais da metade da oferta. Líder nas liberações no registro anterior, o Bradesco (32%) despontou em um distante segundo lugar, sendo de longe pelo Banco do Brasil (22%) e “outros” (7%) meios igualmente não informados pelos entrevistados. 

Sem garantias

O principal motivo para a recusa do banco desta vez foi a falta de garantias e avalistas (17%) para a concessão do empréstimo, seguida pela incapacidade de aprovar o cadastro, em razão de certidões e documentos solicitados pelo banco (14%). Score baixo (11%), negativação da empresa no Cadin/Serasa (10%), negativação ou restrição do CPF do candidato ao empréstimo (9%) e pouco tempo de funcionamento da empresa (8%) vieram na sequência. Em torno de 8% apontaram outros motivos não mencionados, 12% alegaram não terem sido informados pelo banco, e 11% não souberam responder.

Questionados sobre o conhecimento do fato de que o governo federal já havia disponibilizado empréstimos via maquininhas de cartão, e sobre sua situação em relação a essa modalidade, 50% informaram não estarem a par da novidade. Pelo menos 37% disseram que até sabiam, mas que não haviam recorrido à opção, enquanto outros 10% lamentaram não dispor do equipamento necessário e apenas 3% confirmaram que já estavam usufruindo do novo meio de concessão de crédito. 

“Novas estratégias”

Para o coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, a pesquisa mostra que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades, especialmente por não terem conseguido se adequar à nova realidade imposta pela pandemia, especialmente no que se refere ao uso de ferramentas tecnológicas em seus canais de comercialização. Outra constatação que está ligada a isso é a persistente dificuldade de acesso a crédito.

“Infelizmente, um número bem elevado não conseguiu, por vários motivos. Isso dificulta bastante o retorno de sua atuação a níveis iguais antes da crise. Alguns dos empreendedores que tiveram acesso a financiamentos no início da pandemia já começam a pagar, o que demonstra uma elevação no número de pessoas com parcelas atrasadas. E muitas, apesar do terem obtido o empréstimo, não adotaram novas estratégias. Por isso, não melhoram o desempenho e não conseguem honrar seus compromissos”, lamentou.

O dirigente diz que espera um quadro melhor para o final de ano, embora saliente que o Sebrae tem tentado colocar, junto aos empreendedores, que o maior desafio é justamente se ajustar à nova realidade com novas formas de comercialização e divulgação de produtos, em um mercado mais limitado. “Está havendo uma elevação significativa nos preços dos insumos e das mercadorias, o dificulta ainda mais o retorno nos negócios. A renda das pessoas não teve aumento, ou até encolheu. E a competição ficou ainda mais acirrada”, arrematou.

Saiba mais sobre os empreendedores do Amazonas

Dos 99 entrevistados no Amazonas, 51% são MEIs, 42% são microempresas e 7% são empresas de pequeno porte, sendo distribuídos em comércio (54%), serviços (46%) e indústria (1%). As estatísticas apontam ainda que o empreendedor amazonense é majoritariamente do sexo masculino (70%), tem de 36 a 55 anos de idade (63%), conta com ensino superior incompleto ou mais (53%) e se declara da etnia “negra” (68%). A maioria (42%) tem seu negócio funcionando em casa, seguidos por aqueles que trabalham em loja ou sala de rua (23%), no local do cliente (11%), ou em shoppings e centros comerciais (9%), entre outros. 

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