Doutorado avança, mas deficit é grande

Na última década o Amazonas alcançou crescimento expressivo no índice de titulação em doutorado. Em 2015, 119 novos doutores foram diplomados. Enquanto em 2006, apenas 29 concluíram o curso. As informações são da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) do Ministério da Educação. Apesar do aumento significativo, de 310%, o volume de doutores no Estado ainda é insatisfatório quando comparado ao quantitativo de profissionais diplomados anualmente nas demais regiões do país. Para os pós-doutores amazonenses, o deficit na qualificação científica é decorrente de um problema histórico ligado à falta de investimentos, por parte do poder público, nas áreas de ciência e tecnologia.
A assessoria de comunicação da Capes afirma que no último levantamento feito pela fundação, entre os anos de 2010 e 2013, o Amazonas registrou um aumento de 40% no volume de cursos de pós-graduação ofertados, entre mestrados e doutorados. O órgão ainda informou que em 1998 apenas três pessoas concluíram o doutorado no Estado.
Para a presidente da Adua (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas) e pós-doutora em museologia, Guilhermina Terra, o processo de viabilização de cursos de doutorado na capital iniciou há aproximadamente 10 anos, período em que segundo ela, o governo do Estado começou a investir nas áreas de ciência e tecnologia. Guilhermina destaca a dificuldade no acesso aos cursos e conta que até à criação da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), os interessados em elevar o patamar acadêmico precisavam sair da capital rumo a outros Estados em busca de uma universidade que ofertasse o doutorado ou até mesmo um mestrado, situação que ela enfrentou para conseguir o título. Porém, a professora precisou sair do país consciente de que os custos com as despesas seriam de sua total responsabilidade.
“O problema é que o poder público deixou de investir em ciência e tecnologia. É um gargalo histórico. O Estado de São Paulo está atento ao segmento científico desde a década de 30 e hoje colhe os bons resultados que impactam diretamente na economia daquele Estado e logo, ao país. O processo de financiamento disponível aos pesquisadores por meio da Fapeam nos dá esperança de aumento no índice de profissionais titulados. Porém, mesmo com o crescimento, o volume continua sendo mínimo em relação aos doutores formados anualmente nos demais Estados”, avaliou.
Guilhermina cursou pós-doutorado em Portugal com o subsídio de uma bolsa ofertada pelo CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). “Decidi investir em mim. Mas, não são todas as pessoas que têm condições de se deslocar a outro país para estudar e custear todas as despesas”.
Na avaliação da museóloga, a saída para o deficit de doutores no Estado está na retomada, em âmbito nacional e estadual, dos órgãos representantes da ciência e tecnologia. Recentemente, o governo federal decidiu fundir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o Ministério das Comunicações. A mudança também aconteceu a nível estadual, quando o governador José Melo determinou a fusão da secretaria de ciência e tecnologia à Secretaria de Planejamento, que atualmente é denominada como Seplan-CTI (Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
“Esses órgãos precisam ser retomados. A ciência e a tecnologia devem ser vistas como prioridades em qualquer governo. Quando se pensa em eliminar esse setor, tira-se a base que fará com que o Brasil seja visto com outros olhos. A longo prazo há resultados”, opinou.
O pós-doutor em literatura comparada e coordenador do curso de mestrado em ciências humanas da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), Otávio Rios, relata que na última década houve o retorno de muitos professores que saíram de Manaus em busca do título de doutorado. Atualmente, os doutores atuam nas universidades da capital. Como resultado, há a criação de cursos de doutorado no Amazonas.
Apesar do início do desenvolvimento, Rios destaca que o período de crise econômica e política nacional atinge o setor de pesquisas, fator que acarreta na postergação de abertura de novos cursos. “Vivemos em um momento de desaceleração em investimentos em ciência e tecnologia, principalmente na Fapeam que é a principal fomentadora na formação de pesquisadores. Isso resulta em falta de investimento e postergação de novos cursos”, disse.
Segundo Rios, dentre os 950 docentes que atuam na UEA, 230 são doutores. Porém, ele compara os números do Amazonas com o quadro docente da USP (Universidade de São Paulo) e afirma que dentre os 10 mil professores quase que 100% são habilitados em doutorado.
“Com o apoio de doutores é possível gerar novos cursos, novas pesquisas. É possível pensar em um Estado com fonte alternativa de crescimento”, salientou.

Oferta de doutorado no AM

Atualmente os cursos de doutorado no Amazonas são ofertados somente pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), pela UEA (Universidade do Estado do Amazonas), pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), um curso de economia pela faculdade La Salle, e as bolsas fornecidas por meio da Fapeam.

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