Discriminados no comércio, apesar do preço

A despeito da apreciação do câmbio favorecer as importações que, no caso do Amazonas, representam oito vezes o número de exportações, os comerciantes locais ainda dão pouca relevância aos produtos originários de outros países

A despeito da apreciação do câmbio favorecer as importações que, no caso do Amazonas, representam oito vezes o número de exportações, os comerciantes locais ainda dão pouca relevância aos produtos originários de outros países. De janeiro a outubro deste ano, as exportações do Estado somaram US$ 688.6 milhões e as compras externas, US$ 5.5 bilhões, segundo os números mais recentes do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
As mercadorias nacionais têm local de destaque na vitrine de lojas que comercializam artigos importados e brasileiros na capital, levando o consumidor a pensar que os produtos do exterior são de qualidade inferior, conforme disse o presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio do Amazonas), Roberto Tadros.
“O consumidor brasileiro associa preços altos aos produtos de qualidade também alta, em detrimento de outros bens de mesma qualidade e com preço inferior. Mas, quando a disputa é entre um item nacional e outro importado, o nacional sempre ganha, apesar de o valor ser superior na maioria das vezes”, explicou Tadros.
Segundo o dirigente da Fecomércio/AM, o estigma dos produtos importados é verdadeiro no caso das mercadorias asiáticas – em especial da China – devido a fama que alguns países do continente têm de ser fabricantes de produtos falsificados ou de má qualidade.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, concordou com o posicionamento da federação do comércio e disse que, cabe aos comerciantes, ter boa índole de oferecer aos seus clientes apenas mercadorias originais e de qualidade comprovada. “Quando um cliente fica insatisfeito com um produto e descobre que o mesmo é falso, não volta naquela loja para comprar novamente, exceto para reclamar. Se o produto for importado, pior ainda, vai evitar adquirir outros importados em compras futuras”, argumentou Antonaccio.
Tadros disse acreditar que o sentimento de produtos sem qualidade em relação aos importados asiáticos é temporária. O dirigente lembrou que a mesma aversão sobre os importados da Ásia, era dispensado aos fabricantes dos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto os soldados americanos lutavam na Europa e Japão, as esposas foram virtualmente a única força de trabalho do país, considerando que praticamente todos os homens com boa saúde e idade militar foram convocados para a batalha. Até então, era incomum encontrar o sexo feminino no mercado de trabalho e, como a cultura ocidental ainda desvalorizava as mulheres, os empresários ofereciam remuneração inferior à destinada aos homens. O resultado foi a queda no preço dos produtos exportados pelos EUA para ganhar mercados internacionais, entre eles o Brasil.
“Quando os produtos americanos chegaram ao Brasil com preços mais baixos, logo foram taxados de mercadoria sem qualidade, perdendo a preferência geral para os importados da Alemanha e Inglaterra”, afirmou Tadros. O dirigente assegura ainda que, até o final da década de 1960, quando o Japão ainda não havia se estabelecido como potência econômica mundial, a produção excedente daquela nação era vista com desprezo pelos países do continente americano. “Hoje, o Japão é líder em inovação tecnológica e seus eletrônicos são disputados, apesar de o preço, muitas vezes ser considerado caro demais”, ponderou.

Pouca representatividade

O diretor-executivo da Aceam (Associação do Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, destacou que a importação sempre será superior à exportação no Amazonas, em função do PIM (Polo Industrial de Manaus). “Não se paga para exportar. Apesar disso, a importação que é taxada, sempre foi e ainda será por muito tempo superior, sobretudo devido às indústrias do polo, que têm incentivos fiscais para importar insumos específicos de produtos que serão necessariamente exportados”, explicou Bittencourt. O dirigente frisou ainda que o comércio local importa apenas bens de consumo e tem pouca representatividade na balança comercial, principalmente quando comparado ao PIM.

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