Diretrizes para educação no século 21

O relatório da Unesco sobre as diretrizes da educação para o século 21 intitulado “Educação um tesouro a descobrir”, mais conhecido como relatório Jacques Delors, dá muita ênfase ao verbo aprender mais do que ensinar. Paulo Freire e Edgar Morin, pensadores contemporâneos que se ocupam de uma reflexão sobre o humanismo e o pensamento complexo, têm posições diferentes quanto a esta questão. Para Freire o processo educacional é um ato de libertação que envolve uma dialética entre aprender e ensinar, com a precedência do primeiro. Nesta perspectiva, não há educação enquanto ação puramente docente mas apenas quando se dá a iniciativa discente. Sua pedagogia só se constitui como tal à medida que o educando se torna sujeito e centro do processo. Aprender está associada à educação bancária. Paulo Freire é, praticamente, o criador da racionalidade dialógica. Morin acredita numa ciência provisória, é um crítico da atualidade que tenta superar a ciência do absoluto, que abandona a contemplação da ordem eterna das essências para enfrentar os riscos permanentes de erro e de ilusão. Esses dois pensadores dialéticos e dialógicos estão tentando historicizar o conhecimento transformando-o numa razão temporal e, portanto, sujeito às vicissitudes dos equívocos humanos em contraposição ao essencialismo e o absolutismo arrogante do pensamento positivista e estrutural. Como diria Paulo Freire estão molhando, encharcando a própria teoria do conhecimento na realidade histórica contingente. Os princípios epistemológicos defendidos por Morin e Freire no pilar aprender a conhecer são os seguintes: ao falar do rigor metódico de que se deve revestir a prática docente Paulo Freire (1997) lembra que ela não é apenas ensinar os conteúdos mas também ensinar a pensar certo. E, uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos certos de nossas certezas, a razão dialética-dialógica ou histórico-social diz respeito à construção do novo que não pode ser “pré-visto” em toda sua clareza e, por isso mesmo, permite ao homem, ser sujeito de sua história pessoal e coletiva. A razão dialética sempre afirmou que a liberdade começa a se tornar possível quando exatamente começamos a explicar as determinações naturais e sociais. E o que são essas determinações senão o que deveríamos denominar necessidade ecológico-histórica? Freire sempre encarou o princípio da incerteza como potencializador da transformação na medida em que na realidade objetiva se digladiam o contingente e o necessário. Para ele, a curiosidade ingênua deve evoluir para a curiosidade epistemológica e, nessa evolução, ela muda de qualidade, mas não de essência. De forma diferente, mas expressamente na mesma arena, Morin afirma que é preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certezas. Como Paulo Freire, ele lembra os limites históricos do conhecimento, alerta para os erros e ilusões intelectuais(teorias, doutrinas, ideologias), erros da razão( atividade racional da mente), e paradigmáticas(seleção dos conceitos-mestres da inteligibilidade). Faz uma distinção entre racionalidade e racionalização. A primeira é aquela que se dispõe a estabelecer diálogo entre a idéia e o real, enquanto a segunda impede o mesmo diálogo pela cristalização da idéia em relação ao real.Segundo Morin, é preciso sermos capazes de rever nossas teorias e idéias, em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria de recebê-lo. Mas não devemos pensar numa cultura da substituição, mas sim numa cultura da complementação. Os dois pensadores não propõem mudanças programáticas mas transformações paradigmáticas. Freire insiste mais no resgate dos saberes de todos, especialmente no dos dominados, busca a transformação social com os oprimidos e não simplesmente para os oprimidos. Morin reitera a necessidade de se considerarem todos os saberes(tradicionais e modernos).Mais do que falar em teoria do conhecimento ou epistemologia, ambos falam de uma reconstituição histórico-sociológica do conheciment

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