Demanda por seguro desemprego no Amazonas encolhe em agosto

A procura por seguro-desemprego no Amazonas encolheu em agosto. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a quantidade de requerimentos sofreu decréscimo de 15,16%, passando de 5.884 (2019) para 4.992 (2020). Em relação a julho de 2020 (6.303), o recuo foi ainda maior e chegou a 20,80%. Os dados são do Ministério da Economia e foram repassados pela Setemp (Secretaria Executiva de Trabalho e Empreendedorismo). Os números dos respectivos acumulados não foram informados.

As demandas locais pelo benefício se concentraram especialmente no setor de serviços, que foi seguido pelo comércio, indústria e construção civil. Em sintonia com os protocolos de segurança antipandemia, das 4.992 registradas em agosto, 3.926 foram realizadas por internet e 1.066 ocorreram de forma presencial. Há exatos 12 meses, as solicitações se davam esmagadoramente de forma presencial (5.733), em detrimento do modo online (151).

A maioria esmagadora dos trabalhadores amazonenses que buscou seguro-desemprego no mês passado pertencia ao gênero masculino (70,55%), enquanto o gênero feminino respondeu por apenas 29,45% dos registros. Os homens (62,12%) também foram maioria na procura pelo benefício no ano passado, mas o desnível em relação às mulheres (37,88%) foi menor naquele período.

Os trabalhadores do setor terciário – serviços e comércio, na ordem – foram os que mais contrataram seguro-desemprego no mês passado, deixando para trás o setor secundário – indústria e construção civil. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes a agosto ainda não foram divulgados, assim com os do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referentes aos desempenhos de vendas e produção dos setores. Mas, os números de julho podem dar uma ideia do impacto da dinâmica do mercado na demanda. 

Em julho, o Amazonas registrou seu primeiro saldo positivo de empregos (2.974), com alta de 0,75% sobre o mês anterior, após sofrer quatro tombos seguidos em virtude da crise da covid-19. O único setor a fechar no vermelho foi servicos (-92), puxado para baixo por atividades administrativas e serviços complementares (-206) e transporte armazenagem e correio (-172). Comércio e reparação de veículos (+804) ainda fechou no positivo.

Na outra ponta, a indústria em geral (+1.513) gerou o maior número de postos de trabalho no Amazonas, sendo impulsionada pela indústria de transformação (+1.457) e pelas atividades de águas, esgoto e de gestão de resíduos (+69), enquanto a indústria extrativa (-3) e de eletricidade e gás (-10) foram na direção contrária. O setor de construção (+557) também apresentou performance positiva.

Perdas acumuladas

O setor de serviços é o que apresenta processo mais lento de recuperação. Segundo o IBGE, seu volume de vendas subiu 1,9% entre junho e julho de 2020, em performance mais fraca do que a anterior (+8,5%). No confronto com julho de 2019, a trajetória se manteve descendente (-1,8%). O acumulado do ano também não conseguiu sair do vermelho (-2,1%), ao passo que o aglutinado de 12 meses mal se segurou no campo positivo (+0,6%). A média nacional só foi melhor no primeiro caso – +2,6%, -11,9%, -8,9% e -4,5%, respectivamente.  

O varejo amazonense, por outro lado, emendou o quarto mês seguido de alta, conforme o IBGE. Avançou 5,5% entre junho e julho, número mais modesto do que o anterior (+36%), registrado no período de reabertura das lojas de Manaus para vendas presenciais. Em relação ao mesmo mês de 2019, o volume de vendas escalou 19,7% – contra os 12,1% de junho. Pela primeira vez desde a eclosão da crise da covid-19, o comércio local fechou o acumulado do ano no azul (+2,5%), além de se manter positivo no aglutinado dos 12 últimos meses (+6,4%). 

Com resultados díspares por segmento, a manufatura ainda corre para recuperar as perdas pela crise da covid-19, de acordo com o mesmo IBGE. Depois de avançar 67,3% no levantamento anterior, a atividade industrial amazonense reduziu a marcha, mas manteve crescimento de dois dígitos, com alta de 14,6%, na passagem de junho para julho de 2020. O setor também fechou no azul na comparação com o mesmo mês de 2019 (+6%), pela primeira vez desde janeiro. Os acumulados do ano (-15,9%) e dos últimos 12 meses (-4,8%), no entanto, ainda ficaram devendo.

Pandemia e sazonalidade

No entendimento da secretária executiva do Trabalho e Empreendedorismo, Neila Azrak, a sazonalidade contribui para um aquecimento no mercado de trabalho, já que historicamente o segundo semestre do ano é mais forte na economia. Outro fator apontado pela executiva é que a saída do período crítico da pandemia mostra que, aos poucos, os setores afetados estão voltando a normalidade.  

“Os preparativos para as vendas em outubro e dezembro já começaram, mostrando que o segundo semestre se apresenta promissor. Vamos aguardar e continuar trabalhando, haja vista, o crescimento e aquecimento da indústria e do comércio para as recolocações no mercado de trabalho”, afiançou.

Medidas federais

O titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, observa que o declínio na busca dos trabalhadores amazonenses se dá não apenas pelo mercado de trabalho, mas também pelos impactos residuais das medidas federais para manutenção de empregos, como a suspensão temporária dos contratos de trabalho e a redução de salários e jornadas. 

“Com certeza, essa é uma parte da explicação para o que está ocorrendo. E, como foi expandida, mais gente foi mantida no emprego. Também, creio, há a questão de que os que foram demitidos, o foram nos primeiros meses da pandemia, e já não têm mais direito ao benefício”, finalizou.

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