Decanter, parceiro do vinho. Bom companheiro do enófilo

Taí uma peça que acho indispensável nas degustações dos Sucos Finos da Bíblia. Há poucos anos não faziam parte da lista de utensílios domésticos, nem estavam disponíveis para compra, e muito menos eram encontrado nos bares e restaurantes de Manaus. Hoje a realidade é outra e o decanter está disponível para compra nas adegas, empórios, e até supermercados. 

Muitos enófilos ainda não possuem, não sabem qual a utilidade do decanter, e jamais fizeram uso de um. E tem mais, desconhecem como e quando o utilizar. Normal, pois é fato incontestável que muita coisa continua sendo revelada quando se aborda o consumo de vinhos finos na nossa cidade. 

Dando uma olhada nos fatos históricos descobri que há muito tempo, antes mesmo do Império Romano, o decanter era utilizado, basicamente para servir o vinho. Como não existiam garrafas para armazenar a bebida, despejavam o precioso líquido em grandes barris e, na hora de servir, o vinho era então colocado em decanters de barro para facilitar o manejo. Durante um longo período mais recente, o uso do decanter era muito comum, devido a produção de vinhos não filtrados ou clarificados. Esses vinhos, formavam sedimentos nas garrafas, especialmente após anos de guarda. Para separar as partes sólidas do líquido era preciso decantar o vinho. Vale ressaltar, embora sejam pequenas as chances, quando você topar em um vinho cheio de sedimentos no fundo da garrafa, não se preocupe, pois esses resíduos são totalmente inofensivos à saúde. Vai por mim. 

Muito bem, a situação era assim antes, e como é atualmente? Graças ao emprego das novas tecnologias, ficou difícil pra caramba encontrar algum vinho que não tenha passado por algum processo de clareamento ou filtragem, então, mais uma vez, o papel do decanter se transformou. Sem sedimentos para serem separados, essa peça feita de vidro ou cristal passou a ser usada para arear o vinho. Deixa eu explicar melhor. Quando o vinho está dentro da garrafa, quase não tem contato com o ar (a rolha cumprindo o seu papel permite trocas mínimas). Sendo assim, quando a gente derrama todo o líquido no decanter, o contato com o ar abre os aromas, sabores e energiza ainda mais os vinhos jovens e potentes. O decanter acelera o processo de oxidação, pois durante algum tempo em contato com o ar que respiramos, os aromas dos vinhos tintos ganham mais vida. Se você tira a rolha da garrafa, coloca o vinho direto na taça e em seguida leva ao seu nariz, esperando identificar aromas, prepare-se para se decepcionar, pois sentirá apenas o forte cheiro do álcool que por ser muito volátil, vai invadir o seu ambiente nasal. É sempre bom dar um tempo para o vinho respirar, pelo menos cinco minutinhos já farão a diferença ainda mais se agitar a taça levemente. Experimenta.

Bom saber que, com os vinhos brancos a realidade é outra. Os aromas dos brancos agem como mavericks selvagens, indomáveis, e ao se libertarem da garrafa, principalmente os vinhos frutados, o buquê explode instantaneamente. Os vinhos brancos sem passagem por madeira, são um belo exemplo dessa aromática explosão , pois revelam seus aromas sem pudor e rapidez. Eu quase sempre consigo apontar as notas intensas e inconfundíveis de lima, abacaxi, mel, maracujá e outras frutas tropicais. Não existe recomendação para decantar os vinhos brancos, mas já me disseram que alguns brancos de maior porte devem ser decantados. Uma coisa é certa, apesar de todas as minhas andanças pra lá e acolá, estou por ver alguém decantando um vinho branco.

Voltando ao decanter, existem alguns complicadores sim. Se o seu vinho não for de guarda, for um vinho mais simples para consumo imediato, recomendo pouco tempo de decantação para que o buquê se abra. Por isso, não deixe o vinho respirar mais de quinze minutos, do contrário a oxidação pode prejudicar. Fica esperto! Já os vinhos mais encorpados, só começam a liberar os aromas depois de 15 minutos no decanter, e podem ficar ali quietos por meia hora até que desenvolvam tudo o que têm de melhor. Vinhos densos levam mais tempo para arear. O enólogo da Vinícola Bouza em Montevideo me disse que alguns vinhos potentes do Novo Mundo, com alto teor alcoólico, por sua vez, podem ficar descansando por duas horas até que se abram completamente. Já pensou, abrir a garrafa, colocar o vinho no decanter e ter que esperar tanto tempo. Haja paciência. 

Em Miúdos: Os vinhos maduros, aqueles com a cor meio atijolada, no auge, não precisam ser aerados e devem ser apreciados logo após serem vertidos no decanter. 

Confesso: Pertenço a ala de enófilos, que acreditam que todos os vinhos, até os mais simples, podem entrar no decanter e ganhar com isso. Questão de opinião. Minha Dica : Antes de seguir para degustação às cegas, verifica se alguém vai levar, ou se o restaurante fornece o decanter. Você não imagina como é terrível chegar no local escolhido pra folia dos vinhos, e descobrir que, ninguém trouxe o decanter. É prakaba!

Foto/Destaque: Divulgação

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