16 de maio de 2021

Curso ensina sobre envelhecimento e saúde do idoso

No começo da pandemia do coronavírus muitos idosos morreram de imediato e achou-se que eles seriam as maiores vítimas. Hoje sabe-se que não é assim. Os que morreram estavam com a saúde debilitada.

“Na verdade, os idosos foram a óbito em decorrência das comorbidades pré-existentes (diabetes, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, bronquite, entre outras) não estarem sob controle ou porque tiveram assistência à saúde interrompida/suspensa em razão da prioridade dada ao tratamento da covid pela maioria das instituições de saúde”, afirmou Kennya Mota Brito, assistente social, doutora em Gerontologia Biomédica pela PUC/RS, coordenadora de ensino da FUnATI (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade) e presidente do Conselho Estadual do Idoso do Amazonas.  

“Hoje é perfeitamente possível chegar à velhice acometido por algumas doenças crônicas, mas que se controladas podem permitir uma boa qualidade de vida ao idoso”, disse.

 Kennya Mota: “tratar doenças crônicas permite boa qualidade de vida ao idoso”

Para deixar ainda mais claras as questões sobre a saúde do idoso, a FUnATI, em parceria com a UEA, está realizando um curso de noções básicas em gerontologia que visa o melhor atendimento da pessoa idosa para a promoção da sua saúde, qualidade de vida e manutenção de sua autonomia e independência.

O curso iniciou terça-feira (19), e será disponibilizado todas as terças, às 9h, no canal do YouTube da instituição (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade). Não é necessária inscrição prévia, o curso completo terá a carga horária de 30 horas com encerramento previsto para junho deste ano.

Preconceito e desinformação

“Estamos nos adaptando a uma nova realidade de ensino e estou muito orgulhoso em ter uma bela equipe formada por profissionais especializados em gerontologia e saúde do idoso levando conhecimentos importantes para a sociedade, o curso também é uma oportunidade de transformação pessoal para um envelhecimento com mais qualidade. Estudem sempre e aproveitem”, falou o Dr. Euler Esteves Ribeiro, reitor da FUnATI.

Euler Esteves Ribeiro, reitor da FUnATI: adaptados à nova realidade

Até há pouco tempo, não era comum se ouvir falar na velhice como uma etapa normal da vida. Sempre houve, e ainda há, muito preconceito e desinformação. O envelhecimento é um processo que se vive ao longo da vida e que pode ter 75% de seus aspectos modificados se adotamos hábitos de vida saudáveis, como ter boa alimentação, praticar atividades físicas, manter um sono reparador, cuidar do lazer e das relações sociais, ter planos futuros, adotar um comportamento preventivo em relação à saúde, ou seja, não esperar adoecer para ir ao médico regularmente ao menos uma vez ao ano.

“Só 25% do que somos na velhice herdamos de forma genética. E o melhor de tudo é que as mudanças de comportamento podem ser feitas em qualquer idade, mesmo que já se tenha chegado à velhice. Importante ressaltar que ser saudável não significa necessariamente não ter nenhuma doença e sim procurar manter os cuidados necessários para que haja um equilíbrio dos aspectos mencionados antes que certamente nos garantirão viver com prazer a velhice”, esclareceu Kennya.

Morrer cedo não presta

Atualmente o Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas com mais de 60 anos, número em constante crescimento, por isso são necessárias medidas urgentes por parte do Estado para assegurar que esses idosos continuem ativos e produtivos, considerando que a maioria da população idosa brasileira é de baixa condição socioeconômica e que só uma parcela muito pequena tem uma situação financeira estável na velhice. As políticas públicas precisam atender às inúmeras e crescentes demandas relacionadas principalmente à assistência social e de saúde, de educação, de moradia, de segurança, entre outras.

“Para que os serviços assistenciais disponíveis à população idosa garantam/permitam que continuem ativos e produtivos, a exemplo do que é ofertado pela FUnATI, pelos Centros de Convivência, pela Delegacia do Idoso, entre outros, é imprescindível que se promova ampla divulgação dos mesmos para a sociedade em geral (idosos, familiares, profissionais), para que sejam acessados sempre que necessários. E mais, que as pessoas idosas sejam conhecedoras dos direitos que lhes foram assegurados por aparatos jurídicos importantes, como o Estatuto do Idoso”, lembrou.

Como resultado do avanço das ciências que resultam em melhores condições de vida para as pessoas com idade acima de 60 anos, elas estão tendo cada vez maior expectativa de vida e por isso maior longevidade, mantendo-se por muito mais tempo ativas e produtivas, se assim desejarem. Talvez, num futuro próximo, essa idade possa ser reavaliada para se designar uma pessoa idosa ou não.

“Aproveito para reforçar as palavras do Dr. Alexandre Kalache, médico e estudioso da velhice, ao afirmar que ‘a melhor coisa que pode te acontecer é envelhecer. Morrer cedo é que não presta’. Não podemos esquecer que tudo isso faz parte dessa linda e desafiadora experiência chamada Vida”, concluiu Kennya.

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